set 02 2010

No Twitter, tem usuário que apenas “assiste” o conteúdo

Tag: pesquisa,redesocial,twitterRafael Sbarai @

Compartilho com os leitores do blog duas das minhas leituras nos últimos dias sobre a mensuração do que pode ser considerado como “mídia social”. Por conta do fraco referencial teórico presente no Jornalismo sobre o tema, tive que recorrer, mais uma vez, à área de exatas para compreender situações na área.

O argentino Bernardo Huberman, um dos pesquisadores do HP Labs, disponibilizou neste mês dois artigos sobre reflexões, influência e passividade em plataformas sociais como o Twitter. No caso, o professor de Física Aplicada da Universidade de Pensilvânia e parte de sua equipe foram exceção: abordam o assunto do valor de repassar um conteúdo para o seu círculo social de seguidores.

Um dos argumentos mais interessantes – que não é novo – é a competição desenfreada que acontece na rede de mensagens: a importância não está no número de seguidores, mas na atenção dos seguidores. O estudo de Influência e Passividade aponta algo interessante: a partir da mensuração de uma quantidade de “retweets”, percebe-se que a grande maioria dos perfis é passivo. Ou seja, fica como espreitador em rede: apenas assiste e não repassa. Falta “engajamento”.

No mais, deixo outra leitura de Huberman – que é a mais antiga e, sinceramente, a que me chama atenção. The Laws of the Web: Patterns in the Ecology of Information, publicado em 2001 pelo MIT Press, é uma leitura essencial para entender a complexidade da informação em ambientes estruturados por tecnologias digitais conectadas.

Foto: Rétrofuturs.


ago 31 2010

Para o JB, o “100% digital” é o início de uma era. Para os jornalistas, é o fim

Tag: midia,tendenciasRafael Sbarai @

O dia 31 de agosto de 2010 será marcado na história do Jornalismo. O Jornal do Brasil, um das publicações mais tradicionais do país, deixa de circular para se dedicar apenas ao “mundo digital”. Para o jornalão a estratégia marca o início de uma era. Para os jornalistas que passaram pela redação e os que respeitam o JB, é o fim de um registro histórico no setor de mais de 100 anos – fora fundado em 9 de abril de 1891.

A partir de 1º de setembro, o Jornal do Brasil será lido exclusivamente na web e se apresentará como “o primeiro jornal brasileiro na internet”. Mero eufemismo. Diz o JB: “Nesta era de leitores digitais e de internet, acrescida pela problemática ecológica, a ampla consulta que realizamos sobre o futuro confirmou que a maioria quer modernidade”.

A capa da última edição impressa evita abordar o assunto que marca o novo período de transição da empresa, conforme mostra a imagem acima. Apenas ressalta sua nova versão com o seguinte aviso: “JB Digital vai estrear com artigo de Lula” – o que provocará certo alarde e expectativa. No entanto, tem certo prazo de validade. É complicado conviver diariamente com novidades. Principalmente em esferas virtuais.

O motivo do fim da versão física não é velado – a onipresente crise financeira no mundo do Jornalismo enfrentado desde o início da década de 90, que levou a parcial queda de vendas, dívidas, reformulações no modelo de negócio e, por fim, demissões em massa. A redação conta, até o momento, com 60 pessoas.

O JB foi a 1ª grande vítima, no Brasil (tivemos o recente caso da Gazeta Mercantil), da visão apocalíptica e alarmista do fim do impresso. Que o restante não cometa o mesmo engano. No entanto, vamos ver quem será o próximo a se manifestar.


ago 30 2010

Foursquare: 3 milhões de usuários. Mas ainda é para poucos

Tag: foursquare,mobilidadeRafael Sbarai @

O Foursquare atingiu neste domingo a marca de 3 milhões de usuários. O registro do site baseado em geolocalização foi alcançado por um usuário dos Estados Unidos – país que detém 60% dos cadastrados no site – e acontece dias após o anúncio do Facebook anunciar o Places, recurso ainda não aberto ao Brasil para concorrer com o serviço.

Criado em março de 2009, o 4sq evoluiu de forma vertiginosa, o que despertou o interesse de possíveis compradores, como o Yahoo. No entanto, o fundador Dennis Crowley nega que esteja interessado em vender o site neste momento. Em julho, a rede passou de 100 milhões de atualizações de dados de entrada de usuários em diferentes locais, conhecido como check-in – o que corresponde a um tweet.

A gritaria virtual foi propagada por blogs especializados na área neste final de semana. E está aquém de serviços do segmento como o Loopt, que possui uma base de mais de 4 milhões de usuários (grande parte concentrado, também, nos EUA).

Até o momento, os valores nem se comparam às gigantes das redes como o Twitter, que já conta com mais de 105 milhões de usuários. O motivo é simples: o uso da rede social necessita na maioria das vezes de um dispositivo móvel, como um celular ou tablet conectado à internet. No Brasil, por exemplo, apenas uma pequena parcela da população tem o recurso.


ago 23 2010

Quando a meta é ter 180 mil seguidores

Tag: curiosidade,dica,twitterRafael Sbarai @

Um dos perfis que mais sabe usar a interação e os recursos espalhados no Twitter é o da @revistasuper, gerenciado hoje por dois profissionais da publicação. Sem a condição – e pretensão – de tornar-se rede um canal hard-news, com a disponibilidade de notícias diárias propagadas em tantos sites noticiosos, a conta preserva o valor que cabe ao impresso há muitos anos: aguçar a curiosidade alheia.

Para manter a fama em ambientes digitais, o perfil no microblog propõe uma ação, no mínimo, curiosa. Com o título “@revistasuper rumo a Araçatuba“, a marca disponibilizou aos usuários um vídeo apresentando dados que envolve o número 180 mil – registro que corresponde ao número de habitantes de Araçatuba, localizado no interior de São Paulo.

Sou da opinião que devemos diferenciar e saber mensurar as expressões ‘qualidade’ e ‘quantidade’ em rede. Nem sempre um valor absoluto considerado alto tem o impacto e influência de um registro em menor escala. A variável, neste caso, é simples: descobrir qual o grupo que possui mais pessoas influentes no círculo virtual. E a @revistasuper parece saber lidar com o tema: tanto que é figura onipresente entre os mais clicados e ‘retuitados’ no migre.me, encurtador mais usados pelos brasileiros no microblog.

Contudo, o mais interessante é conhecer a face escancarada da estratégia: fortalecer a marca nas redes sociais, atingir pessoas interessadas na publicação e o que eu considero como essencial – transportar pessoas da malha da rede que desconhecem a existência do conteúdo on-line. Diz Kleyson Barbosa, um dos responsáveis pelo perfil: “o objetivo da campanha era crescer em 35% o número de seguidores em dois meses e chegar a 180 mil. Mas, em menos de um mês, a campanha parece ter conquistado o público: devemos alcançar a meta na próxima semana.”

E o projeto transcende apenas a conquista de um número em rede. O registro representará um projeto especial encabeçado pela redação da Super. Vale a pena acompanhar.


ago 18 2010

O Google vai às compras. E contrata jornalista

Tag: google,midiaRafael Sbarai @

Há quem diga que os olhos do Google estão voltados apenas para seu sistema de pesquisa e plataformas consolidadas de uso como o Gmail e YouTube. Mero engano. A gigante de buscas quer se aproximar da infraestrutura da internet – é só mapear a polêmica envolvendo a neutralidade de rede. Na esfera da comunicação, a empresa também mostra sua inquietação. E já tem uma mira – publicações e sites de notícia.

Ontem, o Google acertou a contratação de Madhav Chinnappa, um dos editores-executivos da BBC News. Sua tarefa será uma das mais árduas: aperfeiçoar o serviço de notícias da empresa – o Google News – e ser o personagem-chave para diminuir o ceticismo de empresários de publicações com a empresa. Há algum tempo, eles travam batalhas virtuais por considerar que o Google rouba conteúdo. Diz o magnata Murdoch, dono do Wall Street Journal: “apropiar-se do conteúdo alheio de forma inapropriada, utilizando trechos sem uma autorização prévia”, segundo.

Chinnappa será o responsável por fornecer parcerias do Google News no Velho Continente, área que não é tão demarcada pelo bate-boca virtual. A América do Norte, até o momento, é o foco de discussão mais intenso.

A aquisição mostra o interesse do Google – e de outras empresas do mercado – no segmento. Em 2008, Peter Barron, diretor de um programa da BBC, também fora fisgado pela gigante de buscas para trabalhar no departamento de comunicação e relações públicas na Europa. Em julho, o editor-senior da Newsweek Mark Coatney abandonou uma das publicações mais tradicionais do mundo para filiar-se ao Tumblr, serviço que conta com 6,6 milhões de usuários cadastrados. Chegamos à era da aspiração por startups com grande potencial de crescimento. Sai o cenário do sonho de trabalhar em um grande meio de comunicação para apostar em produtos – e marcas – mais distribuídas em rede.

Foto: Spencer Holtaway.


ago 17 2010

Por que você segue marcas no Facebook?

O que faz o ser humano escolher uma opção entre as diferentes preferências que lhe são oferecidas é ainda uma questão intrigante e feita sob diversas perspectivas. Uma simples regra geral estabelecida não é suficiente para explicar o estímulo de cada indivíduo. Para tentar entender essa relação, a consultoria especializada em web E-marketer realizou uma pesquisa com o objetivo de conhecer o que move pessoas a seguir marcas em redes sociais como o Facebook. O resultado, infelizmente, revela uma preocupação ‘marketeira’ sobre estímulos e motivação do usuário. Faltou apenas levantar a bandeira do auto-interesse pessoal. É o império do egoísmo.

Segundo o relatório, 25% dos entrevistados seguem uma empresa com a vontade de ganhar descontos ou promoções especiais. A fidelidade do indivíduo e a possibilidade de mostrar vínculo com uma marca à sua teia social aparece em segundo lugar, com 18%. Cerca de 10% das respostas coletadas se referem às características de acompanhar uma empresa por ‘diversão’.

Em pouco tempo, os dados pipocaram em blogs especializados em mídia. E o argumento que fora mais analisado envolvia possíveis erros de estratégia em rede. Só esqueceram do principal: tentar compreender a motivação o fenômeno do auto-interesse, que representou 1/4 das respostas dos entrevistados. O cenário é novo. A teoria, nem tanto.

Em 1776, Adam Smith escrevia ‘Riqueza das Nações’ e entendia que o auto-interesse movia a participação alheia e estimulava o trabalho e sua divisão. Diz o autor: “dê-me aquilo que eu quero e você terá isto aqui, que você quer – esse é o significado de qualquer oferta desse tipo.”

O egoísmo, um auto-interesse ‘excessivo’ segundo Smith, é considerado uma característica natural ao homem, reflexo de uma concepção estética ligada ao ‘amor-próprio’. “Cada homem, portanto, é muito mais profundamente interessado no que quer que imediatamente lhe diga respeito, do que naquilo que diz respeito a qualquer outro homem”. O egoísmo, nada mais é, que a possibilidade de converter tudo em utilidade exclusiva. E, parte dos indivíduos conectados em rede começa a pensar assim.

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ago 09 2010

KaZaA voltou pela 3ª vez. E “engessado”

Tag: culturaweb,curiosidade,musicaRafael Sbarai @

Um dos maiores símbolos de distribuição de música gratuita de uma geração digital, o KaZaA voltou a dar o ar da graça – virtual – pela terceira vez. Sem novidades, o serviço busca reconquistar a popularidade no segmento e ganhar novos adeptos. Para tal, tenta se levantar ostentando seu registro histórico. No entanto, chega “engessado”.

Em julho de 2009, falei aqui, no blog, sobre a sua segunda tentativa de ganhar visibilidade. De vilão, tornou-se o novo aliado das gravadoras – um produto de assinatura que oferece músicas por meio de parcerias com grandes empresas. Ou seja, de ícone virtual na esfera do áudio, buscou o mais do mesmo ao copiar modelos de sucesso no segmento, como o Spotify. Foi a solução encontrada pelos seus novos proprietários.

Desta vez, o script quase não mudou – serviço de uso exclusivo nos Estados Unidos, com a possibilidade de ouvir 1,6 milhões de músicas via streaming e com um custo mensal de 15 dólares. Na primeira semana, o teste é gratuito.

As duas únicas novidades – se é que podemos considerá-las como inovações – é a nova maneira de citar o Kazaa (agora é KaZaA) e a possibilidade de acompanhar e compartilhar quais são as músicas mais ouvidas pelos seus amigos.

O fracasso do modelo gerou críticas pesadas ao serviço. O maior defeito que encontrei, no caso, foi a falta de uma estrutura móvel. Em tempos de uso da internet em celular, tablets ou automóveis, KazaA não possui uma versão móvel. Faltou pensar de forma menos centralizada e mais distribuída. De ícone de uma história recente da web, tornou-se um produto musical “engessado”. Para piorar, os fundadores do KaZaA acabam de lançar um serviço de áudio na web, o Rdio. E sua proposta já é vista com bons olhos no setor.


ago 04 2010

“Estratégia em Mídia Social” existe?

Tag: redesocial,reflexoesRafael Sbarai @

Quem acompanha o blog conhece o meu ponto de vista crítico em torno do contexto do que se considera e conceitua como “mídia social” – minha última palestra, na Cásper Líbero, sintetiza meu atual espírito em torno do tema: é muito oba-oba, pouca criatividade e há um uso intenso de marketing em plataformas que foram desenvolvidas primeiramente para estreitar laços e facilitar a comunicação entre pessoas.

Em cada canto, ouço vozes veladas ubíquas que abordam o cargo de analista em mídias sociais. Até o momento, cheguei a uma conclusão: mídias sociais não existe – não há plural para mídia. E social, então: é possível defini-lo?

Nesta perspectiva, conheci o “What the fuck is my social media strategy?”, criado por Mike Phillips, responsável por criar “projetos de engajamento (?)” de uma agência de comunicação do Reino Unido. Antes de assumir este cargo, Phillips era responsável de mídia social de outra empresa.

O site basicamente reúne clichês utilizados por profissionais da área nos últimos dois anos, questionando realmente se as práticas realizadas em rede podem mesmo ser consideradas como estratégias. Acima da crítica, fica a reflexão: chegou o momento de repensar sobre o uso de ferramentas que a web dispõe e, claro, fugir do lugar-comum.

/via @james_rdv


ago 02 2010

Minha participação no painel “IESB de Mídias Digitais” em Brasília

Tag: palestra,recadoRafael Sbarai @

No próximo dia 11, estarei em Brasília para participar do “1º painel IESB de Mídias Digitais“. O evento, que acontece às 19h, vai abordar tendências, estratégias e impactos do uso das redes nos negócios e na sociedade.

Ao todo, serão seis painelistas que vão discutir o tema – estão confirmados os nomes de Marcelo Vitorino, do blog Pergunte ao Urso, Hideraldo Dwight, gerente de gestão do Banco do Brasil, Marco Frade, diretor de mídia da agência ArtPlan, Alê Blanco, editora-executiva do iG, além do consultor Marcelo Minutti, do Tecnozilla.

A ideia é discutir e compartilhar conteúdo sobre experiências em ambientes virtuais. Portanto, não disponibilizarei conteúdo após a discussão – diferente dos outros formatos que participei nos últimos meses.

A entrada é gratuita. Para participar do evento, é necessário apenas preencher um formulário com dados pessoais.


jul 27 2010

Os efeitos de uma possível negociação entre buscadores e Foursquare

Tag: foursquareRafael Sbarai @

A publicação britânica The Telegraph destacou na última semana uma possível negociação envolvendo serviços de busca com o Foursquare, rede social baseada em geolocalização. A integração facilitaria a vida dos usuários nas tarefas mais simples, como escolher o bar ou restaurante mais populares da sua região em tempo real. Caso a negociação se concretize, é um grande passo para o nicho publicitário. E uma derrota à privacidade.

Dennis Crowley, fundador da rede social, confirmou ao site a negociação, sem revelar o nome do serviço de buscas. Até o momento, empresas como Microsoft, Google e Yahoo não tiveram sucesso com recursos de geolocalização. E o Foursquare pode ser a solução.

A integração expõe um perigo que, nos próximos meses, terá um impacto maior no cenário brasileiro – o compartilhamento de rotina e dos dados do local onde você está. Enquanto o Facebook quer conhecer as idéias que são compartilhadas e o Twitter anseia saber o que você faz neste momento, o Foursquare quer saber onde você está, em tempo real, direto de um dispositivo móvel (celular ou tablet). Foursquare e seus ‘rivais’ não tão populares Gowalla e Loopt são ferramentas de interação entre pessoas, mas têm um princípio de vigiar e ser vigiado.

Questionado sobre o problema de exposição, Crowley se defende usando o mesmo discurso de Mark Zuckerberg, fundador do Facebook, para destacar a importância da privacidade. “Nós levamos a privacidade muito a sério”, avisa. O argumento pode até ser plausível, mas o Foursquare ainda é uma rede de nicho – possui dois milhões de cadastrados e já possui um recente passado que mostra a periculosidade do serviço.

O Please Rob Me (Por favor, me roube) serviu de alerta aos adeptos do site – utiliza dados produzidos no Foursquare para mostrar que o uso excessivo da rede pode facilitar ainda mais a vida de possíveis ladrões de plantão. A vulnerabilidade do serviço também é questionada.

Em junho, um hacker acessou informações de mais de 870.000 marcações no site – inclusive as configuradas para serem visualizadas apenas por amigos. Por mais que o serviço consista em dar controle aos usuários sobre as informações que eles compartilham, é no mínimo discutível a maneira como as pessoas são estimuladas a participar do site. Resta saber como usuários e o próprio Foursquare irão reagir.

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Foto: MariSheibley.


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