
Nada de Jornalismo. Nada de Cinema. Muito menos cultura da Web.
Fiz a cobertura sobre o trágico acidente do Vôo JJ 3054 da Tam, na última terça-feira.
Mas nem vi a lista de passageiros e vítimas do acontecimento, para ficar menos próximo do fato.
Coisa que não deu certo.
Em um domingo atípico, com inúmeras medalhas de ouro ao Brasil, derrota do Palmeiras (isso não é atípico) e jantar com namorada, eis que passa no Fantástico fotos que me chamaram atenção.
Um casal. Simples assim.
Logo, estranhei.
Achei sensacionalismo da Globo.
Nada de sensacionalismo. Era real. Muito real para este que vos escreve.
Na imagem estava Lucas Palomino Mattedi.
Quem?
Pois é, o primeiro grande paradigma quando este começou a dar seus primeiros passos no futebol.
Em 97, eu com onze anos.
Ele, 15, titular e principal nome da equipe de meu colégio.
Estilo próprio, mascarado, marrento, habilidoso, pouco objetivo, mas que chama atenção. Os holofotes o seguiam.
Apesar de pouca idade, já me projetava com este futuro, pois a responsabilidade, na categoria Pré-mirim, era a mesma.
Tornou minha primeira referência em quadra.
Inteligente, simples e folgado. Com os outros. Comigo não.
Sempre me deu toques para o crescimento no esporte. Gente finíssima.
Eis que cresço.
Em 2000, toda segunda e quarta, à noite, treinamentos. Ele, experiente. Eu, aprendendo a ser.
Quem marcava?
Fernando, o treinador, pedia pra marcá-lo.
Sempre para meu desenvolvimento de marcação e projeção em um bom futuro.
E ele, lógico, soltava as frases “Pára de correr. Sai daqui. Deixa uma brecha pra você ver”.
E, agora, é uma das vítimas do descaso do País.
Ele, com 24 anos, ainda não identificado no IML.
Eu, 20, quase-formado, jornalista no papel.
O futuro do futebol nos afastou.
Mas o que está na lembrança são os treinamentos, os conselhos, o futebol.
Isso que fica na memória, nos traços mnemônicos.
Nada mais.
Uma triste coincidência.