
Procurando material de pesquisa e referência para um trabalho da Faculdade eu me deparo com algo que, de tão consolidado na minha cabeça, tinha perdido a importância que deveria ter: o Youtube.
O Youtube é O porta-voz do usuário de internet contemporâneo. Embora pareça batido, existe um ponto crítico nisto: muito mais do que a própria internet (uf, e como poderíamos definir isso hoje em dia?) o Youtube é o veículo mais bem sucedido desse maravilhoso espírito de Democratização incessante dos meios de comunicação. Como plataforma, ele representa um quase ideal daquilo que deve ser pensado em termos do universo audiovisual de produção e divulgação de conteúdo contemporâneos: modificou o foco da técnica para a dinâmica dos produtos; pôs à disposição de qualquer interessado um mecanismo infalível de broadcasting; enfim: deu voz aos “mudos”, deu visão aos “cegos”.
Sem dúvida, no campo conceitual, o Youtube tem o que poderíamos chamar de “cara de futuro”. Se existe algo como um modelo para se pensar as plataformas interativas audiovisuais dentro dos meios tradicionais (a televisão por exemplo) eu chutaria (com bastante cautela) que se adote algo com a dinâmica do Youtube.
MAS, pra ser sincero, existe algo que me incomoda profundamente em tudo isso: conteúdo. Voltando à minha tarde de pesquisa, eu senti um sério desgaste do Youtube, não como plataforma, mas como “canal” (na perspectiva mais televisiva possível). Existe uma quantidade tão exorbitante de conteúdo, mas ao mesmo tempo tão desgastante e desinteressante que me senti um pouco desiludido com a minha categoria: o usuário.
Este, responsável pela audiência e, principalmente, pelo conteúdo do portal, está cada vez mais condicionado a um voyeurismo incosequente, ilustrado pelos intermináveis vídeos de 2:30min de “forçação de barra” em busca de uma audiência volátil e privada de qualquer senso crítico.
Bom, moralismos a parte, essa tarde me fez perceber que, mais do que nunca, o mundo pertence ao usuário. Mas que ele, vislumbrado com tantas possibilidades e poder de ação, se mostra cada vez mais vazio. O usuário, senhor de seu próprio meio, não tem rumo, não pensa, não critica: seus domínios são reflexos de sua volatilidade e seu desinteresse para com o mundo…
E pasmem: o usuário sou eu, o usuário é você!