Edifício Master

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Para completar o que o Rafa escreveu sobre o Documentário Edificío Master, de Eduardo Coutinho, seguem as minhas impressões…

Personagens reais

Um prédio, muitas vidas, grandes emoções. De forma sutil, ao mesmo tempo que intensa, o documentarista Eduardo Coutinho entra no Edifício Master, em Copacabana, e descobre personagens que tornam-se atores frente a uma euqipe de reportagem.

Sem efeitos visuais ou trilhas sonoras que pudessem apelar para a emoção simples, o resultado do filme é trilhado apartamento a apartamento surpreendendo a cada novo relato. A emoção aflora naturalmente. A sensação de quem vê é de pertencimento. Como se aquele mundo cruzasse em algum momento com a vida de cada um. Uma mistura de identificação e estranheza.

O desenrolar do filme apresenta novos personagens que roubam a cena de maneiras diferentes e complementares. A garota de programa fala da profissão naturalmente. Sua vida é esta. todos sabem e não julgam. Ela não se julga, apenas vive. A tranquilidade passada pelo tom da voz contrasta com a dificuldade confessada pelo uso de álccol como desinibidor – ou seria encorajador? – para fazer os programas. É ela quem sustenta a filha. E é esta a vida real.

Com as câmeras à mostra durante o filme, Eduardo Coutinho traz os personagens para perto do espectador. E a idéia de ser filmado ou de ser entrevistado passa a ser coadjuvante. Os moradores parecem querer falar. Se abrem como se tivessem num divã. Como o senhor que conheceu Frank Sinatra e se emociona ao terminar seu depoimento cantando ao lado do rádio que toca o ídolo.

As tentativas de suicídio, so casais hetero e homossexuais, os músicos, o velho ator da Globo, cada história é um livro. A reflexão que fica é sobre a vida. Sobre os valores e a importância que cada um dá à sua. Somos um filme em movimento e em eterna construção. A idéia simples de entrevistar pessoas “comuns” torna-se relatório prático. Troca de experiências.

As dezenas de personagens reais surpreendem pelo banho de transparência. Se tivesse que escolher uma só, entre todos, ficaria com a moça, professora, que não olhava nos olhos e tem uma boa resposta pra isso. Ela piscaria os olhos e não se concentraria. O modo de falar e gesticular e se curvar para dentro de si mesma… Ela fala com leveza ao mesmo tempo que transmite aflição ao falar. Uma loucura lúcida. Consciente. Tem o auto conhecimento de poucos. Mas não sabe lidar.

A exposição não é piegas. Não lembra os reality shows ou dá a idéia de voyerismo. É apenas um conjunto de experiências. O retrato de uma realidade. E a transparência. Coutinho consegue prender o telespectador na simplicidade. E isso que encanta.

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