jun 07

O super-herói e o mundo retrô

Tag: Cinema, Cultura Web, ReflexõesNikolas Maciel @ 9:44 am

Segundo psicólogos da área de pesquisa para marketing, consumidores, durante a infância - ou durante o período entre os 8 e 12 anos, que costuma-se chamar de tween - que não têm práticas geralmente associadas às suas próprias idades (como brincar, estudar etc.) e procuram se enquadrar em padrões de vida (leia-se consumo) de pessoas mais velhas tendem, ao passarem dos 20/21anos, a consumir produtos relacionados à infância que não viveram. Por exemplo, meninas que com 12 anos tem práticas sexuais, consumo de álcool e de drogas e/ou outras práticas que de certa forma não condizem com essa faixa etária, provavelmente vão consumir roupas infantilizadas e coloridas quando tiverem seus 21.

Super? E nós gostamos…

O que isso tem a ver com super-heróis?

O século 21 é uma época bastante sintomática do “renascimento” de super-heróis - que estavam fadados à morte certa nos comics - e que agora lideram as paradas de consumo mais disputadas e elaboradas, cujas cadeias têm seu começo geralmente no cinema - talvez arrisque dizer no audiovisual como todo (nisso incluo séries de televisão, o youtube, games etc.).

Que o nosso século teve seu começo com um pé no retrô, todo mundo já está cansado de saber (as ombreiras estão de volta dizem por aí… sic), e, ao assistir dois filmes há algumas semanas, que pra mim eram hits dos anos 60/70 - “O Homem de Ferro” e “Speed Racer” - passei a encarar a coisa toda de uma meneira menos cética. Afinal de contas, eu suponho que tive uma infância razoavelmente agradável e bem vivida (nada de sexo drogas e rock’n'roll - infelizmente continua mais ou menos assim), mas agora, nos meus 22 anos, continuo consumindo (e com muito gosto) coisas que deveriam ter sido restringidas à minha infância (talvez por isso nada de “drogas e rock’n'roll” ;).

SIC Darth?

Para nós que nascemos nos anos 80, vimos os anos 90 passarem, e as nossas projeções de futuro se tornarem cada vez mais ambientadas em universos virtuais - com as maravilhosas possibilidades da internet - nos encontramos cada vez mais presos e sufocados em um mundo limitado às imagens. Talvez a única forma de encarar nosso presente é buscando inspiração em fantasias do passado - que se mostram muito mais reais e substanciais do que as pessoas com quem convivemos. Essa maneira romântica de resgatar num passado remoto e fantasioso as soluções para nosso presente reflete diretamente na forma como vivemos.

Na coisa toda, como eu mesmo disse, talvez ainda sejamos tweens consumindo produtos coloridos e animados esperando pela adolescência de nosso século (e me desculpem pela breguice da metáfora). Num mundo de tantas e tão promisoras possibilidades (e de TVs de alta resolução!) falta um pouco de realidade pras pessoas, no sentindo mais humano da coisa. Vejamos pelo lado bom: quando fizermos “22 anos” de idade talvez não tenhamos tanta necessidade de consumir coisas coloridas e alegres e quem sabe até lá estejamos um pouco mais amadurecidos e auto-conscientes de nossos papéis e rumos no mundo de carne e osso.

E eu aqui… na frente do computador!

Fotos do Flickr

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