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Post reflexivo.
Muito tardiamente assisti ao novo Batman há uns dois dias. Filme fantástico, sensacional… de fato tudo o que têm dito por aí e um pouco mais! Me fez pensar a fio pelos últimos dias: o filme bateu diversos recordes de bilheteria e eu só consegui pegar uma sessão que não fosse abarrotada por que fui na terça feira a tarde (ainda sim tinha gente no cinema, acreditam?). Tende a ser o maior sucesso de arrecadação da história do cinema se as salas continuarem cheias desse jeito.
O trabalho de divulgação para o filme foi genial. Muitos meses de: polêmicas; um ARG (alternate reality game – uma grande gincana que mistura eventos reais e virtuais) que aconteceu em diversos lugares do mundo com muitos sites, videos e provocações; a morte de Heath Leadger (e sua atuação marcante) etc. Mas muito além de um produto muito bem concebido e um case de sucesso, o filme traz questões bastante significativas de nosso tempo.
Seu maior crime foi morrer…
Certamente o que cativou as pessoas e transformou o filme nesse fenomeno não foi o filme em si e muito menos a figura do batman. O grande protagonista desse sucesso é o Coringa. Não o ator, a personagem. Agente do caos e combatente da burocracia da vida contemporânea o Coringa traz consigo as vontades mais obscuras e reprimidas que passam pela nossa cabeça somente quando estamos travados na hora do rush no meio da 23 de maio. O descaso pela vida, a insanidade e principalmente a total imoralidade são trazidos à tona em cada reviravolta da narrativa do filme, e a frieza chata e republicana do Batman servem apenas de contraponto moralista para a presença cativante e instigante do Coringa.

… agora quem vai fazer a continuação?
De uma forma bastante inusitada (sendo um dos maiores hits da história) o filme questiona alguns lugares comuns do cinema, como o mocinho ficar com a mocinha e o bem triunfar sobre o mal (apesar da dimensão de mártir que se tentou atribuir ao Batman, buscando fazer do telespectador cúmplice e testemunha de sua causa). É praticamente impossível não ficar na cadeira esperando por cada aparição fantástica do Coringa. E sua genialidade muito bem associada ao seu caráter insano provocam uma situação de bem-estar recheada de auto-moralismo: todos queremos falar que nem ele, rir que nem ele e destruir que nem ele, mas nos protegemos no fato de isso ser “só um filme”. Isso é uma experiência única. A relação Coringa-espectador vai demorar gerações pra se desfazer.
Vivemos em tempos obscuros de afastamento e esvaziamento das pessoas. Talvez somente com os exageros e mentiras das realidades cinematográficas possamos rir um pouco e dar mais sentido às ficções de nossas vidas.
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Fotos de divulgação tiradas do site da Warner.




