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“Seis média” e um High Score

Tag: reflexoesFelipe Jannuzzi @

coringa

Domingo em São Carlos. Dia impossível de se conseguir uma marmita descente, principalmente se já passou das 3 pm. Resolvo ir até a padaria. Aqui o pão perde o sobrenome francês e é chamado simplesmente de: “média”.

Na fila da padoca presencio uma imagem que me fez pensar num post: um jovem jogando no celular enquanto espera sua vez de fazer o pedido.

Eu que sou um viciado assumido por jogos eletrônicos parei para pensar nesse contraste: um universitário batendo seu último high score enquanto pede: “Meia dúzia de média, por favor”.

Os jogos nunca estiveram tão na moda. Virou papo de descolados acadêmicos de meia idade, vendem mais que cinema e música, é legal pra meninas, mães, nerds e avôs, faz perder peso, é arma política e pode até ser jogado na padaria, no açougue, no meio da aula.

Eles são agora casuais, saem de fábrica garantindo o divertimento de qualquer um a qualquer momento em qualquer lugar. Não é mais apenas hard-core, que demanda horas intermináveis na frente do computador com um avatar de peito nu e espada.

A questão importante é que vários desses jogos casuais são muito divertidos!

Mas em alguns casos essa necessidade de agradar todo mundo e conquistar público e mercado (afinal ainda é uma indústria) parece errada, forçada, artificial… Quem está falando agora é um Felipe conservador, que acha que algumas coisas não devem mudar.

É o caso do novo Mortal Kombat vs. DC Comic. Série de luta que eu, moleque, tinha que jogar escondido dos meus pais por causa da violência descontrolada e das mil e umas maneiras de se arrancar a cabeça de um inimigo. Sub-zero era meu lutador favorito.

O novo título da série não traz apenas o Batman, o Superhomem e outros personagens dos quadrinhos da DC, mas também tem estampado um estranho T de Teen na capa. Não sei o que as mudanças farão com a jogabilidade, com os gráficos e com os golpes especiais, mas o fato é que antes, sair do quarto de madrugada, quando todos estavam dormindo pra jogar aquela coisa que os adultos chamavam de “absurda”, “nojenta”, “ilegal” e “censurável” fazia parte da experiência do jogo e isso com certeza não teremos mais.

É bem capaz que eu me divirta horrores com o novo Mortal K, afinal tem o Coringa… mas não tenho pretensões, pretendo continuar com o meu Lego Star War, que é criativo e nem um pouco hipócrita.

foto do site oficial do jogo

2 Responses to ““Seis média” e um High Score”

  1. Cauã says:

    É Felipe, ao mesmo tempo que adoro o momento vivido pelos games, odeio algumas coisas provocadas pela “liberdade” e popularidade dessa indústria que já fatura mais que o cinema. Um exemplo é justamente o Mortal vs DC. A falta de criatividade e ansiedade por competição faz com que alguns desenvolvedores percam os limites. Alguns mashups como esse não deveriam existir. Uma conversa de 10 min com amigos, tanto fãs de Mortal como leitores da DC, e descubro que na verdade não comprarão o título pela insanidade. Absurdo imaginar uma luta entre Super-man e Baraka, com a possibilidade de o grande herói da DC sair perdendo feio. =/ E isso se repete em muitos outros games, o que me lembra a greve dos roteiristas, que gerou n+1 títulos babacas no cinema. Mas, por outro lado temos coisas muito bacanas, como a série LEGo que você citou e Force Unleashed, além de God of War, Gears of War, Metal Gear e por aí vai rsrs. Vamos ver o que surge por aí.

  2. Felipe Jannuzzi says:

    Cauã, isso mesmo. Você tem razão. O problema é o pessoal que roteiriza o jogo.
    Acredito que uma hora diaria de jogos casuais multiplayer pode salvar casamentos! Mas o jogo deve ser bom, inovador, divertido! E não reciclar títulos consagrados pra ganhar $$$. Agora fico pensando… será que os novos jogadores pensam o mesmo? Eles que não viveram a geração passada, os novos gamers dessa nova geração… caramba.. pareço um velho falando… Será? Viramos velhos jogadores que pensam: “Ah como o passado era bom…”
    Questão chave: diversão… Se isso for atigido os novos roteiristas estão no caminho certo. Vamos esperar e jogar…
    grande abraço

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