Domingo em São Carlos. Dia impossível de se conseguir uma marmita descente, principalmente se já passou das 3 pm. Resolvo ir até a padaria. Aqui o pão perde o sobrenome francês e é chamado simplesmente de: “média”. #
Na fila da padoca presencio uma imagem que me fez pensar num post: um jovem jogando no celular enquanto espera sua vez de fazer o pedido. #
Eu que sou um viciado assumido por jogos eletrônicos parei para pensar nesse contraste: um universitário batendo seu último high score enquanto pede: “Meia dúzia de média, por favor”. #
Os jogos nunca estiveram tão na moda. Virou papo de descolados acadêmicos de meia idade, vendem mais que cinema e música, é legal pra meninas, mães, nerds e avôs, faz perder peso, é arma política e pode até ser jogado na padaria, no açougue, no meio da aula. #
Eles são agora casuais, saem de fábrica garantindo o divertimento de qualquer um a qualquer momento em qualquer lugar. Não é mais apenas hard-core, que demanda horas intermináveis na frente do computador com um avatar de peito nu e espada. #
A questão importante é que vários desses jogos casuais são muito divertidos! #
Mas em alguns casos essa necessidade de agradar todo mundo e conquistar público e mercado (afinal ainda é uma indústria) parece errada, forçada, artificial… Quem está falando agora é um Felipe conservador, que acha que algumas coisas não devem mudar. #
É o caso do novo Mortal Kombat vs. DC Comic. Série de luta que eu, moleque, tinha que jogar escondido dos meus pais por causa da violência descontrolada e das mil e umas maneiras de se arrancar a cabeça de um inimigo. Sub-zero era meu lutador favorito. #
O novo título da série não traz apenas o Batman, o Superhomem e outros personagens dos quadrinhos da DC, mas também tem estampado um estranho T de Teen na capa. Não sei o que as mudanças farão com a jogabilidade, com os gráficos e com os golpes especiais, mas o fato é que antes, sair do quarto de madrugada, quando todos estavam dormindo pra jogar aquela coisa que os adultos chamavam de “absurda”, “nojenta”, “ilegal” e “censurável” fazia parte da experiência do jogo e isso com certeza não teremos mais. #
É bem capaz que eu me divirta horrores com o novo Mortal K, afinal tem o Coringa… mas não tenho pretensões, pretendo continuar com o meu Lego Star War, que é criativo e nem um pouco hipócrita.
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foto do site oficial do jogo #
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