O fenômeno da Glocalização nas Redes Sociais

2009 também é um ano de mudanças para o De Repente. Aos poucos, o blog servirá de espaço para pensamentos acadêmicos e excertos da produção pessoal de artigos durante o mestrado.

Começo com um tema novo, polêmico e interessante: o fenômeno da Glocalização nas Redes Sociais. Trago aqui apenas um trecho, o mais interessante para ser agregado.


48% das redes sociais do mundo produzem sucessos locais; Brasil não segue a “regra”

Globalização é um termo popular no atual status quo. Começou a ser empregado desde a década de 1980, em substituição a conceitos como internacionalização e transnacionalização e foi caracterizado, aos poucos, em dois sentidos: um positivo, de descrição do processo de integração da economia do mundo e um normativo, de prescrição de uma estratégia baseada na rápida integração da economia mundial.

Hoje, os espaços da Globalização foram ampliados em ambientes formados por redes. Estes, por sua vez, são globais e transportaram o universal ao local, unindo pontos distantes numa mesma lógica produtiva. Agora, há uma mudança de postura do indivíduo no mundo: o ser humano passou a pensar globalmente e agir localmente. Logo, de Globalização, tem-se o fenômeno da Glocalization (Glocalização), neologismo pré-formulado, discutido e pouco conceituado no campo acadêmico (WELLMAN, 2003: 3).

Glocalização é um termo mais preciso com as reformulações vistas após o advento da internet, somados ao desenvolvimento da tecnologia e o crescimento vertiginoso de novos internautas. Esta transição de nomes deve-se ao desenvolvimento “mútuo entre comunicação e tecnologia” (WELLMAN, 2003:3).

É uma mistura de Globalização com características locais. Nada é só local ou global. Glocalização refere-se a transições importantes na vida cotidiana, tanto no caráter da organização social quanto na estruturação dos sistemas globais. A Glocalização é localizar o global, mas jamais “deslocalizar” o que temos de original.


Google Trends de janeiro mostra uma crescente do Facebook

E é o que acontece em um recente estudo divulgado por Oxyweb, blog de relevância social no Reino Unido. Em 24 de outubro de 2008, o ambiente virtual revelou um mapeamento mundial das redes sociais. A diversidade, a falta de um “padrão” e a reafirmação da Glocalização, da hiperlocalidade, são três das principais características da pesquisa.

Ao todo, 25 redes sociais foram representadas. Facebook e MySpace, ambientes virtuais de origem norte-americana, predominaram. A primeira esteve presente em 13 países, enquanto MySpace aparece em quatro nações. No Brasil, o Orkut mais uma vez foi lembrado.

Mas, o mais interessante mesmo do estudo é o processo de Glocalização: ambientes virtuais de relacionamento, como Tuenti (Espanha), Cloob (Irã), Irc Galleria (Finlândia), Iwiw (Hungria), Lide (República Checa), Nazsa Kiaza (Polônia), Wretch (Taiwan), Hyves (Holanda), CyWorld (Coréia do Sul), Xianonei (China) e Skyrock (França), só reafirmam o laço regional entre os internautas.

Todas as onze redes sociais explicitadas são produções originárias de seus países. Em um dado estatístico, os valores correspondem que 48% dos ambientes virtuais aqui destacados provém de seus territórios. São doze redes sociais (soma-se e MySpace aos Estados Unidos) que mantém uma característica de proximidade ao que lhe é realidade na internet.

A população das nações destacadas necessita e busca compartilhar experiências, idéias, vivências e interesses com objetos comuns. A identificação dos brasileiros com o Orkut, por exemplo, é proporcional ao laço e identidade cultural destes indivíduos dos onze países com produções locais.

[Parte da] Bibliografia:
WELLMAN, Barry. Little Boxes, Glocalization, and Networked Individualism. Toronto, 2001. http://www.chass.utoronto.ca/~wellman/publications/littleboxes/littlebox.PDF. Acessado em 03/11/2008.
BOYD, Dana. G/localization: When Global Information and Local Interaction Collide. O’Reilly Emerging Technology Conference, San Diego, CA. 2006.

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  • ARM

    A Glocalização é localizar o global, mas jamais “deslocalizar” o que temos de original, é interssante esse ponte de vista, dado que no Brasil esse deslocalizar, mostra-se há muito em áreas como a cultura, individual, regional e nacional, é como se o BR. só tiversse o samba como cultura, faltando festividades como os de Jão João no Nordeste brasileiro, qto. a web, é preciso difundir o conhecimento das ferramentas virtuais, a nível escolar, para quê possamos, academicos e intelectuais difundir o centralizado, nosso, a partir de nossos conhecimentos colaborativamente formar, quem sabe, a primeira Inciclopédia virtual, popular, do Brasil.
    Já agora, dei uma vista d´olhos na pg. e achei que vcs. têm conteúdos interesantes. Um bola dentro, para o conteúdo, descente, da net brasileira.

  • http://derepente.com.br Rafael Sbarai

    ARM,
    tudo bem?
    Gostei do ponto de vista.
    E obrigado pelos elogios…
    um abraço,

  • Diego Camara

    Dentro de alguns projetos que realizei academicamente nos últimos tempos, a glocalização é um ponto sempre levado com bastante importância.

    Achei realmente bastante válidos os seus pontos de vista. Hoje manter as tradições locais é de suma importância para a manutenção da identidade de uma população ou de um grupo regional específico, e isto inclusive está sendo visto pelas empresas multinacionais, que começam a adaptar e criar novos produtos em algumas regiões, conforme a necessidade e a demanda dos públicos específicos.

    Não temos uma rede social específica como as que existem nestes países. Mas o Orkut enquanto produto internacional conseguiu se adaptar as necessidades dos brasileiros, e hoje o Facebook também busca esta aproximação (promovendo inicialmente uma tradução, mas acredito que em breve virão outras ferramentas). Não podemos nos esquecer que a Glocalização é o que força estas multinacionais a se adaptarem aos públicos regionais específicos, tornando o movimento uma via de mão dupla.

    Espero sem dúvidas por mais textos sobre a influência da Globalização/Glocalização dentro do contexto virtual brasileiro. Realmente é um projeto que muito me interessa.

    Parabéns pela iniciativa.

  • http://tialuso.blogspot.com Raul T.

    É um grande paradoxo realmente.

    Vemos nitidamente os efeitos da “glocalização” pelo mundo afora. Mas cá em nosso Brasil (que hoje já chamo de nosso) temos uma certa falta de identidade própria em alguns momentos.

    Mas tenho fé que isso vai mudar gradativamente com a criação de uma identidade própria que somente as gerações pós ditadura serão capazes de conseguir.

    Seguindo o ARM: parabéns pelo conteúdo.

    abs
    Raul T.
    ———————
    http://tialuso.blogspot.com
    http://www.soluttia.com.br

  • http://derepente.com.br Rafael Sbarai

    @Diego,
    Pertinente o que diz.
    Acredito que o Orkut tenha encontrado, no Brasil, um grande nicho. Mas não podemos esquecer que poucos conheciam outros serviços, por exemplo.
    Isso é mais uma grande prova de mídia espontânea: apesar de não ser um bom produto, na época, o Orkut conseguiu um feito de agregar contatos alheios. Principalmente entre os jovens, situação que deve mudar daqui algum tempo, já que a população desta rede social está envelhecendo e busca novvos caminhos, como o Facebook.
    Abraço

  • http://derepente.com.br Rafael Sbarai

    @Raul
    Glocalização é bem paradoxal mesmo.
    Há muitos críticos que não gostam da idéia de neologismos e novos conceitos, mas sou bem flexivel a isso.
    Dois exemplos simples: glocalização e gatewathching como novo editor de conteúdo de alguns sites colaborativos.
    Se quiser depois de explico mais,
    Um abraço.

  • Felipe Jannuzzi

    Seria legal ver uma comparacao pratica dessas diversas ferramentas. Sabe se existe esse estudo? Será que os brasileiros sao mais fãs de um certo tipo de ferramenta e os holandeses preferem outras? Até que ponto as particularidades culturais sao refletidas nesses espacos virtuais?
    Mande mais textos – muito interessante o tema do seu mestrado: qual o objetivo dele?
    abraços

  • http://derepente.com.br Rafael Sbarai

    @Felipe,
    ainda não há um estudo semelhante a este.
    Há, sim, um mapeamento de redes sociais.
    As particularidades culturais e o boca-a-boca imediato promovem a popularização de um ambiente virtual social. Foi assim com o Orkut.
    Sobre o meu mestrado, quero utilizar mais a área da colaboração para unir o jornalismo: a intenção é saber qual o motivo do cidadão tirar fotos, gravar um vídeo e postar em um grande site de notícias, saca?
    Espero que dê certo,
    Abraço

  • http://tialuso.blogspot.com Raul T.

    Rafa:

    Mais informações sempre são muito bem vindas.

    Agradeço a oportunidade.

    abs
    Raul T.
    ———————
    http://tialuso.blogspot.com
    http://www.soluttia.com.br

  • http://derepente.com.br Rafael Sbarai

    @Raul,
    pode deixar.
    Aos poucos coloco temas como este aqui.
    Obrigado

  • http://www.ceudeinverno.com Sylvio

    Interessante. Queria poder ver em tamanho maior a imagem do mapa mundi…

    Boa sorte no mestrado!

  • http://derepente.com.br Rafael Sbarai

    @Sylvio,
    Obrigado,
    Um abraço!

  • ARM

    Resp. ao 3º comentário, se o Sbarai permitir,é claro!Sabe Diego, já a alguns anos venho eu estudando de forma critica as leis, projetos e politicas institucionais e empresarias, p/ entender o que é que ñ dar certo com o BR pra além do que todos já sabemos, e vc levantou uma questão na prática de empresas multinacionais criarem produtos, conforme a as culturas e necessidades regionais, a junção de cultura+necessidade de mercado, dou o nome de oportunidade de negocio, é quase loucura as minhas conclusões, pois vejo o Brasil como um poço, sem fundo, de oportunidades, mas o grande problema é q/ o essencial p/ o crescimento económico, é q/ os brasileiros ñ possuem essa visão, e esperam infinitamente pelos poderes governamentais, ou pelo investimento de multinacionais, claro q/ precisamos de mudanças, mas já temos muitas melhoras, analisando os últimos governos presidenciais, sem partidarismos ou preconceitos, verse boas melhorias, mas falta, muita falta de informação, moro já algum tempo na Europa, e vejo que muitas de nossas empresas têm produtos atractivos para o mercado internacional, mas não estão presentes em feiras importantes de negócios no estrangeiro, temos campo interno para criação de novas empresas e muito, muito campo de negócio internacional para às já existentes. O que pretendo com isso, é sensibilizar, experiências para o empreendedorismo.
    Espero que tenham entido!

  • André Luiz

    Notadamente interessante o conteúdo deste post. Depois da era da globalização… Estamos nos “protegendo” deste processo, através da glocalização.

  • http://derepente.com.br Rafael Sbarai

    @André Luiz,
    Não sei se protegendo seria a palavra mais certa nesta contexto, mas destacaria o desenvolvimento e o poder de uma cultura local, algo que nunca foi novo para a sociedade.
    abraço

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