fev 06

O retrocesso da cultura do “algo a mais” volta a rondar o New York Times

Tag: midiaRafael Sbarai @

Virou lugar-comum, agora, dizer que a restrição a conteúdos pode virar um grande potencial na web durante a crise econômica financeira mundial. Desta vez, quem estuda cobrar por informação online é o New York Times, meio que mais propaga mudanças e repensa modelos de negócio para sobreviver frente à turbulência do mercado.

Bill Killer, editor-executivo do NYT, revelou que ainda estuda uma forma de lucrar com o conteúdo que disponibiliza na internet e acredita que um plano de assinatura para acesso de qualquer informação ao veículo possa ser a solução. Há menos de dois anos o meio não cobra para acessar seu ambiente.

A apressada declaração só confirma o rumor da velha máxima da cultura do “algo a mais”. Sem novos modelos de negócio, gerentes e carros-chefe de bons produtos da web não têm escolha e apelam para a restrição, atributo “antigo”, pouco rentável e que é visto [infelizmente ainda] no Brasil, citando casos Folha de S. Paulo e Estadão.

E esse não é o primeiro retrocesso. Há uma onda de que serviços como Tumblr, Ustream, Issuu e até o Twitter criem algo que já é conhecido: as famosas contas “pro”. A estratégia é semelhante às buscas de popularizar uma rede social: você restringe, entrega convites a poucos, característica que provoca um burburinho e uma onda de “quero me inserir ao que é exclusivo”. O Vimeo fez isso há pouco tempo, com a criação do Vimeo Plus, por exemplo.

Este tipo de “cultura” chega bem no momento que o The New York Times promove suas maiores mudanças, vendendo pela primeira vez na história um espaço publicitário em sua página principal impressa. E a pressa de seu corpo de funcionários parece não transmitir seu bom momento: hoje possui uma premissa de tornar-se uma plataforma de conteúdo de interesse mundial (não apenas os EUA), tornando-se o oitavo jornal online mais lido no Reino Unido.

7 Responses to “O retrocesso da cultura do “algo a mais” volta a rondar o New York Times”

  1. Fernando says:

    Só falta. O poderoso NYT tentar dar uma volta atrás e ser Folha de São Paulo.
    Gosto tanto das mudnaças que vejo aqui no De Repente, mas sinceramente acredito que o que colocou é mentira.

  2. Nathália says:

    Olá, peço que, se possível, divulgue o site do poeta Ulisses Tavares (www.ulissestavares.com.br) em seu blog.
    Mandando um email para nós você concorre a um livro por semana do escritor!
    Desde já agradeço a gentileza.

    Abraços!

  3. Rafael Sbarai says:

    @Fernando
    São apenas boatos. Nada muito concreto.
    Abraço

  4. Nadja Pereira says:

    Menino! Sabe que eu acho um “plus” nem tão ruim. Por que há um custo das empresas em tapar buraco de usuários não tão assíduos dos serviços. No caso de informação eu acho um pouco mais complicado. Acredito no chamado “Fremium” e acho que ele veio para ficar,principalmente pelo fato de diferenciar o cliente e oferecer o melhor serviço para ele. Se o usuário põe dez vídeos por dia e eu que faço três no mês, ele deve ter acesso gratuito também? Na prática é muito complicado tapar esse buraco e nivelar o público. Só que no caso da livre circulação de informação é bem difícil.

  5. Rafael Sbarai says:

    @Nadja
    Tocou em um ponto de vista interessante. Acredito que seja válida a ideia de restringir algumas coisas, sim. Mas isso, sinceramente, é retrocesso no atual momento. Modelos de negócios estão aí no mercado. NYT tem gente o suficiente pra realizá-los. O futurista Rogers pode ter uma bela sugestão.
    Gosto de mudanças, mas as retrógradas atrapalham, me incomodam. Pense no quesito publicitário envolvendo a restrição de conteúdo. Você vai ganhar mais por um banner publicitário onde todos podem ver ou em um pequeno espaço de um número determinado de leitores?
    Essa é a questão que penso, sabe Nadja.
    Mas seu ponto de vista é interessante e mostra o outro lado da moeda.
    Obrigado

  6. O desespero hiperlocal do New York Times | De Repente says:

    [...] últimos meses, New York Times parece aquele diretor de uma grande empresa que foi vendida e se mostra preocupado [...]

  7. A ameaça do New York Times e um possível fim do Boston Globe | De Repente says:

    [...] um dos mais preocupados com a situação: desde o dia 06 de fevereiro deste ano, começou a estudar cobranças para ler seu conteúdo, quer um canal hiperlocal colaborativo para ampliar seu leque de [...]

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