Under the Red Carpet

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Los Angeles – Califórnia. #

Uma das casas mais aconchegantes do cinema mundial (que dentro de alguns dias hospedará aquela festa que todo mundo adora, como é o nome mesmo? Ah, o Oscar!) tem uma vida underground bastante interessante. E por underground quero dizer que não envolva milhões e milhões de dólares e celebridades sem vida própria. Já havia comentado isso aqui no De Repente, mas é em LA que também se hospeda um dos embriões mais interessantes do cinema do futuro: o Filmaka. #

Este site, que busca novos talentos dos mais variados lugares do mundo, promove concurso bimestrais de curta-metragens com um tema (que eles mesmos propõem) e com um teto de três minutos de duração. A regra geral é saber se virar com 0 de budget e ser criativo. Os concursos têm várias etapas e nas mais avançadas, os pequenos filmes (ou seriam vídeos?) são julgados por nomes como Bill Pullman e Werner Herzog. #

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Nunca entendi as grades… afinal de contas quem agarraria a Scarlet Johansson se visse ela passando? #

Apesar de ter um público bem enraizado no cinema tradicional (todos querem, no fundo no fundo, um tapete vermelho) o site promove o amadurecimento desses produtores para um contexto muito distante do tradicional glamour de Hollywood. Num mundo essencialmente virtual, sem barreiras geográficas ou culturais (aliás, a diversidade é um dos atrativos mais interessantes do portal) existe um constante incentivo à produção e principalmente à inserção do cineasta em potencial ao mundo da publicidade 2.0 (e seus branded contents, product placements e outros jargões gringos). #

Dentre os concursos promovidos os de maior destaque são os de “parceiros” do site (que variam desde a Cisco até a Lincoln, passando por outros gigantes da indústria norte-americana). E pensando um pouquinho pra frente, o que será da indústria cinematográfica daqui há alguns anos quando os filmes estiverem cada vez mais com um pé na rede? Eu vislumbro um novo-velho-oeste de artistas duelando epicamente com marcas superpoderosas que se revelam seus pais no final do filme (uma vez que quem vai bancar isso tudo, provavelmente serão as próprias empresas que darão pitacos não muito bem-vindos no conteúdo – mas pensando bem… até que ponto isso é muito diferente de hoje no fim das contas?). #

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Não se sinta assim. Seu trabalho está sendo visto por gente muito importante! #

O que é importa deixar registrado é que essa talvez seja a primeira iniciativa de democratização de uma produção cinematográfica mais tradicionalista. Iniciativa essa oriunda da terra mais bairrista com seus produtos cinematográficos.  E quem ganha somos nós do terceiro mundo. Afinal de contas, quais as chances de ter uma oportunidade de passar seu vídeo para big shots de Los Angeles. Com isso, a competição se restringe somente à capacidade de criar e inovar em condições extremas de orçamento (da ausência dele, no caso). #

Quem sabe daqui há alguns anos o tapete não fica mais vermelho do nosso lado da tela? #

Fotos do Flickr em Creative Commons. #

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  • Felipe Jannuzzi

    Acho que vc “hollywoodizou” um pouco a situação.
    O discurso de sites como o Filmaka parece – e é – muito legal… Produze, ganhe $$$ e quem sabe… seja um diretor cultuado, pop e famoso.
    Mas o objetivo deles nao é encontrar o próximo Spielberg ou Kauffman, ou colocar mais alguém pra disputar flashs nos tapetes vermelhos. Se por sorte e talento raro isso acontecer… Ótimo! Ponto para a indústria e para os espectadores.
    Agora, o objetivo principal de sites como esse é ser uma empresa Web 2.0: que busca lucro disponibilizando conteúdo produzido pelos usuários de uma comunidade ativa.
    Como experiência, prática e diversão acho ótimo e pretendo mandar muito videos pra lá. O retorno da comunidade é muito bacana – já que são colegas film-makers. Mas acredito que os administradores do site estão mais do que confortáveis com o anonimato de seus usuários… Se o seu interesse é o tapete vermelho da Scarlet…então o caminho é muito mais ardiloso.
    abs