Intrigante e bem interessante conhecer uma história de um império jornalístico do qual não faz parte de sua vida. Nas últimas semanas, gastei parte de meu tempo com “Aconteceu na Manchete” (Desiderata, 448 págs. R$ 49), livro organizado por José Esmeraldo Gonçalves e J. A. Barros, praticamente um agregador palpável que reúne personalidades e 16 jornalistas para contar um pouco sobre experiências pessoais e, claro, sobre o espírito de vida de Adolpho Bloch, carro-chefe da empresa. #
A obra, bem produzida e extensa, possui um bom nicho de leitores: aspirantes ao mercado jornalístico. Das mais de 400 páginas, é possível retirar histórias ímpares a respeito de atuações no mercado, questões éticas da profissão e artifícios para atrair e promover vendas de revistas. #
Cheguei aos 20 há pouco tempo. Manchete, como meio de comunicação, é sinônimo de apenas transmissões televisivas pioneiras das primeiras raquetadas de Gustavo Kuerten em Roland Garros. A série de revistas criadas, sinceramente, você ouve falar. Mas conviver, nada. #
E este foi o espírito que tive ao abrir as primeiras páginas, com histórias específicas e de difícil entendimento como as de Oscar Niemayer, por exemplo. Fiquei com a sensação que o arquiteto escreveu para “poucos”, de um grupo seleto. #
A publicação serve, também, para mostrar como o “mercado de revistas” sofreu algumas mudanças. Entre 1952 e 2000 – ano da falência do grupo Manchete – a revista saía sempre às quartas-feiras, uma data incomum ao atual cenário, já que as principais revistas do país chegam às bancas aos sábados. #
E não é necessário ter presenciado a época para mostrar que a marca Manchete quebrou paradigmas. #
Conseguiu, sob muito esforço e novos modelos de negócio, desbancar a poderosa Cruzeiro, de Assis Chateaubriand, um dos primeiros monópolios da imprensa brasileira. E seus méritos são dividos com uma surpreendente equipe, com nomes conhecidos hoje no mainstream como os do autor Gilberto Braga, o dançarino Carlinhos de Jesus, além dos renomados Nelson Rodrigues, Carlos Heitor Cony e Paulo Coelho. #

Blog da Bloch é a grande novidade no livro #
Na arquitetura da construção do livro, uma novidade. Quase toda página de descrição contém um espaço em seu canto chamado Blog da Bloch. São histórias, curtas, que acrescentam informações interessantes e que merecem um certo destaque. Logo, nada mais justo a criação de um espaço a elas. #
A criação e, certo alarde da imprensa pelo lançamento da obra, podem ser os primeiros passos para populizar ou promover um [novo, para os jovens] nicho de um veículo de comunicação de histórias na imprensa brasileira na web. #
A criação de uma hemeroteca de revistas, por exemplo, é um caminho para restaurar momentos e perspectivas de um Brasil totalitário, principalmente quando é necessário registrar momentos da imprensa, um excerto do que é visto nas publicações Manchete.
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