New York Times troca seis por três


NYT vende sede, mas permanece em Manhattan. Acordo pode gerar novas dívidas

As atitudes desesperadoras do New York Times na corrida frenética por novos lucros ganharam mais um capítulo nesta segunda-feira. Um dos jornais mais importantes do mundo vendeu sua sede por 180 milhões de dólares (quase 400 milhões de reais), em Manhattan, nos Estados Unidos, para sanar dívidas registradas nos últimos anos.

O prédio, que conta com 52 andares, foi negociado de última hora com a empresa de investimentos W. P. Carey & Company em modalidade arrendamento. Você vende o imóvel, permanecendo-o por uma certa data. Depois do prazo estipulado, você pode comprá-lo novamente. Dez anos após este acordo, o NYT terá de pagar 250 milhões de dólares para permanecer em Nova Iorque.

A venda de parte do histórico prédio só confirma o desespero do jornal neste momento de crise financeira mundial. Agora, por ano, NYT terá que desembolsar 24 milhões de dólares anuais para garantir seu estabelecimento em um dos principais pontos dos Estados Unidos.

O jornalão trocou seis por três. Sua precipitação não é de hoje. Em janeiro, o mexicano Carlos Slim “emprestou” 250 milhões de dólares ao veículo. Em fevereiro, voltou a rondar na redação do meio a especulação do retorno do conteúdo restrito e pago no ambiente virtual.

Mês passado, NYT estudava lançar um espaço colaborativo dedicado ao hiperlocalismo, um dos poucos nichos que o jornalão ainda não alcançou e, consequentemente, pode conquistar.

A ideia de um dos mais interessantes meios online de informação é aumentar a conexão com os cidadãos, promovendo assim um ambiente virtual dedicado e construído por eles mesmos. A iniciativa, que não é nova, tá com uma sensação mais de desespero do que vontade inicial de criar um novo projeto.

A “novidade” é mais um artifício para alcançar novos lucros: anunciantes menores, LOCAIS, que não podem ou não tem condições de disputar um grande espaço em um dos maiores veículos de comunicação do mundo ganha um fôlego para promover seu nome.

Foto: Zoltaan.

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  • Felipe Jannuzzi

    Essa notícia descreve bem o desespero das mídias tradicionais. É com certeza um ótimo jornal, com excelentes profissionais, mas será que eles conseguem competir com os inúmeros outros serviços hiperlocais colaborativos? Será que o nome New York Times será um chamativo para atrair cidadãos colaboradores? Parece que tem dado certo com a CNN… mas na forma de vídeos.

  • http://derepente.com.br Rafael Sbarai

    @Felipe,
    engraçado é que esse desespero “ainda” não chegou ao Brasil.
    O “boom” de toda essa movimentação partiu da mídia. Principalmente de revistas e outros impressos que buscam reinventar a roda. Nada isso.
    Sobre o lance colaborativo, é uma boa aposta do NYT. Acredito que possa dar certo por sua premissa de plataforma aberta de conteúdo. O que critico é como isso foi lançado: às pressas, sem objetivo e estrutura. Tudo para vender. A informação é mais que mercadoria hoje ao NYT.

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