A hipérbole do Sky News e a fetichização midiática com o Twitter


A fetichização da mercadoria está implícita em R.Barnett, correspondente no Twitter

A lua-de-mel entre Twitter e meios de comunicação on-line não termina. Depois do exacerbado uso da ferramenta na BBC, de Londres, que ocasionou até uma reclamação de ouvintes da rádio BBC contra sua programação local, chegou a vez agora de outro britânico: o Sky News.

Há alguns dias, o meio online de Londres mantém Ruth Barnett como correspondente no “microblogging”. A jornalista utiliza de sua conta pessoal para buscar informações de cidadãos e promover um feedback mais próximo com o leitor do ambiente. O que é um grande erro, já que relaciona nome à marca jornalística.

A iniciativa, extremamente desesperadora, mostra como há uma hipérbole envolvendo a rede social. Fato que é perceptível no comunicado interno da empresa:

O POTENCIAL DO TWITTER: A notícia sobre a morte de um britânico nos Alpes foi ‘divulgada’ no Twitter. A primeira imagem do resgate de passageiros no Rio Hudson, nos Estados Unidos, veio do Twitter. Alguém tem dúvida do seu potencial?

A equipe da redação online do Sky News nomeou Ruth Barnett como correspondente da empresa na ferramenta em busca de notícias e contato com os leitores, dando a Sky News uma presença maior em rede.

Foram estes os frágeis argumentos desenvolvidos para convencer a massa distribuída na firma. O único problema e que deve ser enaltecido aqui é a fetichização midiática que envolve o Twitter. Fetiche tem a mesma raiz de feitiço, atributo quase que lugar-comum na questão “microblogging” e meios digitais. O The Guardian é um dos poucos com “pé no chão” neste momento.

É bom tomarmos um certo cuidado com o que é hype hoje na web. Twitter é uma grande ferramenta e possui uma boa premissa de agregar valores e informações instantâneas. Só que a dosagem e a cautela com o que é novo (Twitter nem é tão novo assim – de 2006) deve ser enaltecido por quem produz informação.

This entry was posted in midia, tendencias, twitter and tagged , , , , , . Bookmark the permalink.
  • Carlos

    Ah de se ressaltar também.
    Alguns dos editores/jornalistas da BBC já não estão gostando tanto assim da atitude Twittermania na empresa

  • http://derepente.com.br Rafael Sbarai
  • Felipe Jannuzzi

    Twitter capa da Época dessa semana.

  • http://derepente.com.br Rafael Sbarai

    @Felipe,
    dei uma olhada.
    Vale a pena o destaque da Época para dar uma “informação mais completa” do que é a ferramenta hoje. Só não gosto da festa que a mídia faz com um ambiente que já está aí há uns três anos…

  • Pingback: Palestra sobre o Twitter na Webexpoforum | De Repente

  • http://www.anabrambilla.com Ana Brambilla

    Bah, Rafa, eu passei mais de 2 anos na Abril tentando convencer jornalistas de que eles DEVEM usar seus NOMES PRÓPRIOS em ambientes de mídia digital para dar credibilidade aos seus relacionamentos e intervenções entre a audiência… e agora te vejo dizendo que isso é um “grande erro”. Não sei direito o que pensar… Claro, tens tuas interpretações, teus pontos de vista e até é saudável que sejam diferentes dos meus. Só imaginei que tu, como gestor de um ambiente colaborativo que alia o nome ao relacionamento com o público, concordasse comigo. Enfim…

    Ainda não consigo mudar de idéia quanto a essa questão. Não há coisa mais incômoda e artifical do que conversar com uma marca. Meu envolvimento com o OhmyNews provavelmente não teria acontecido ou se aprofundado tanto se eu não trocasse e-mails com o Todd, com o Jean, mas com um tal “Editor”, como o Orato vive me enchendo.

    Over ou não, achei fantástica a iniciativa do SkyNews e da Ruth. Iniciativas assim tiram o jornalista da torre de marfim a que ele está acostumado, distante do público, imune a críticas, impermeável, indestrutível, intocável humanamente.

  • http://derepente.com.br Rafael Sbarai

    @Aninha,
    O que você diz é verdade e merece todo destaque.

    Mas estamos falando de duas plataformas COMPLETAMENTE diferentes.
    Há uma necessidade e é imprescindível que você tenha um feedback por e-mail, coisa bem pessoal, que saía dos limites do corporativo.
    Mas Twitter é uma CONTA PESSOAL de um ambiente colaborativo SOCIAL!
    E o dia que ela for mandada embora ou ir para o The Guardian!?
    O que ela vai fazer com o seu Twitter!? O que seus “leitores de Twitter” vão dizer sobre ela?!

    Eu critico a fetichização midiática e o que há de estabelecido envolvendo integração HOMEM – MARCA. Ela não está sendo a Ruth Barnett. Está sendo uma encarregada e um GATEWATCHING da empresa na qual trabalha. Tenho certeza que ela recebe certos filtros e ordens para produzir conteúdo no Twitter. Pode apostar.

    No OhmyNews, há uma necessidade da troca de e-mails. Isso que é fantástico e vangloriamos tanto. No Twitter, gestor de conteúdo colaborativo consegue muito bem trabalhar sobre sua marca. Isso dá vida a ela e o leitor, consumidor ou não, vai gostar, não acha querida!?

    Sobre a iniciativa, uma dúvida: acho que podemos fazer isso mesmo que ela faz sem alarde, com o famoso signo ESPREITADOR. Você, com a conta Sky News, promove conversas, retuita bons valores de pessoas que você segue e e assim há a participação e feedback efetivo. Concordas? Desta maneira ele já saiu da torre de marfim.

    Um bjo