Leitor é fonte ou “apurador” de informação?

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    Acredito que este tenha sido o foco mais interessante do The State of News Media 2009, relatório online de referência e que tem a Universidade de Columbia como carro-chefe: leitor ou consumidor é fonte ou “apurador” de informação?

    Devido a sua periodicidade, o modelo tão alardeado na blogosfera traz referências lugar-comum, com conclusões já feitas há algum tempo, como a queda de audiência e, consequentemente, de renda publicitária entre impressos (jornais e revistas).

    Pela segunda vez consecutiva, The State of News Media 2009 aborda o Jornalismo Colaborativo. Dou umas pinceladas:

    - Ambientes virtuais colaborativos são raros, pouco atualizados, mas possuem qualidade
    – Sites de Jornalismo Colaborativo ganharam nova amplitude, devido a falha ou falta de uma cobertura mais hiperlocal.
    – Empresas online de mídia continuam com a mania de lançar novos produtos participativos, mas aos poucos percebem que o leitor, consumidor de informação é mais interessante como fonte do que apurador.

    Este é o ponto-chave de uma discussão que a vale a pena. Vamos exemplificar com uma ferramenta famigerada: o Twitter. Hoje, o interagente que está no ambiente é fonte ou apura informação?

    Não faltam casos para alimentar o tema. Em um acidente nos Estados Unidos, no final do ano passado, registrado minutos antes por um cidadão comum no Twitter: é um fato de entrar na questão de fonte ou de quem visualizou e apurou o fato? Ambos, não?

    O tremor em São Paulo no mês de abril de 2008 é um outro exemplo. O cidadão seria fonte da notícia ou simplesmente apurou o fato? A fluidez de trocas informacionais entre pessoas permitiu que sua característica fosse qual?

    E é neste ponto que há uma coisa em comum: a hiperlocalidade e a presença física do indivíduo em seu habitat como prestador de serviço. O público, antigo consumidor de informação, faz e ainda fará a diferença no quesito regional. Ao mesmo tempo em que apura o fato, acaba divulgando-o.

    EM TEMPO: Aninha (Brambilla) e Tiago Dória deixaram suas impressões a respeito do relatório.

    Foto: Osvaldo_Zoom.

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      • http://www.anabrambilla.com Ana Brambilla

        Bingo, Rafa! Fonte, apurador ou qualquer que seja a função do público leigo no jornalismo, a graça toda está no fato dele transformar o seu cotidiano em notícia. E por COTIDIANO eu entendo algo que esteja PRÓXIMO do cidadão repórter. Não só próximo fisicamente, mas conceitualmente, algo que o sujeito tenha PROPRIEDADE para falar. Enfim, o conceito de hiperlocalismo aparece em qualquer modalidade que o termo “próximo” assuma.

      • http://derepente.com.br Rafael Sbarai

        @Aninha,
        tens razão. Transformar cotidiano em notícia é uma riqueza e tanta. Só acho que o relatório analisou de forma equivocada todo o contexto da “coisa colaborativa”.
        Por sinal, não é primeira vez que eles chutam longe a cobrança de pênalti, hein!?