Intrigante, interessante e reflexiva o que se diz a “primeira entrevista” feita pelo Twitter, realizada na tarde desta terça-feira, entre o jornalista George Stephanopoulos, da ABC, e o senador e candidato derrotado à presidência dos Estados Unidos, John McCain. #
Antes do encontro online, teve de tudo. Alarde da imprensa especializada, burburinho no Twitter, além da ênfase na página principal da rede ABC, dos Estados Unidos. #
Em pouco mais de 30 minutos, o “TwitterView”, como o próprio site de notícias denomina, foi sem sal, com pouco conteúdo relevante e muito barulho. O único questionamento relevante e que deve ser dito foi sobre as acusações de Dick Cheney, antigo vice-Presidente, de que Obama colocou os Estados Unidos novamente na iminência de um ataque terrorista. #
A resposta de McCain foi simples e superficial. Tudo por culpa do suporte que lhe foi fornecido: “Ainda é muito cedo para tirar essa conclusão”, respondeu rapidamente. O mais interessante mesmo da pouca conversa entre os dois aconteceu em blogs, redes sociais, ambientes de conteúdos colaborativos. #
A ABC News, empresa de mídia de respeito nos Estados Unidos, deu uma de New York Times: garantiu que foi a primeira entrevista via Twitter, o que foi rapidamente retificado durante uma conversa pela própria ferramenta que tive com o Alec Duarte. “Já houve até coletiva no Twitter”, garante o jornalista. A mídia espontânea corrige os erros. #
A superficialidade e o suporte utilizado são outros dois pontos críticos do acontecimento. O pequeno formato de mensagens (138 caracteres) não permite uma conversa de grandes conteúdos, de argumentação. E é neste ponto que entra a promoção pessoal. Não houve entrevista. Houve presença. #
McCain saiu como grande vitorioso. A auto-promoção e a necessidade de voltar à grande cena mundial da informação foram pontos-chave do triunfo do senador. Até o final deste post (de madrugada), o norte-americano conseguiu obter mais de 227 mil seguidores, menos da metade do seu ex-rival à presidência, Barack Obama. #
McCain mostrou que, apesar de seus 73 anos, está apto a conhecer “novas coisas”, como o Twitter. Liberou sua assessoria e, ele mesmo acabou ficando à frente do computador para ler e responder às “microperguntas”. #
Isso promove novos fãs e, claro, fidelidade a seu nome no mundo político. Fiz uma conta rápida em poucos minutos, enquanto acompanhava a entrevista: o republicano ganhava 20 seguidores a cada 30 segundos. Em blogs, por exemplo, a tag McCain voltou novamente ao debate. #
A limitação de caracteres, lugar-comum na ferramenta, mostrou um McCain inteligente, ágil. Conseguiu, em poucas palavras, seduzir pessoas com argumentos de 138 espaços, apesar da ausência de uma capacidade crítica. #
A ABC, por sua vez, apesar do pouco ou quase nenhum ineditismo do fato, se saiu bem. Ganhou visibilidade mundial, teve bons tráfegos e abriu a porta para novas cópias midiáticas. Que venha a segunda entrevista pelo Twitter. #
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