mar 18
O dia da “primeira entrevista” no Twitter e a fórmula da promoção de McCain
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Intrigante, interessante e reflexiva o que se diz a “primeira entrevista” feita pelo Twitter, realizada na tarde desta terça-feira, entre o jornalista George Stephanopoulos, da ABC, e o senador e candidato derrotado à presidência dos Estados Unidos, John McCain.
Antes do encontro online, teve de tudo. Alarde da imprensa especializada, burburinho no Twitter, além da ênfase na página principal da rede ABC, dos Estados Unidos.
Em pouco mais de 30 minutos, o “TwitterView”, como o próprio site de notícias denomina, foi sem sal, com pouco conteúdo relevante e muito barulho. O único questionamento relevante e que deve ser dito foi sobre as acusações de Dick Cheney, antigo vice-Presidente, de que Obama colocou os Estados Unidos novamente na iminência de um ataque terrorista.

A resposta de McCain foi simples e superficial. Tudo por culpa do suporte que lhe foi fornecido: “Ainda é muito cedo para tirar essa conclusão”, respondeu rapidamente. O mais interessante mesmo da pouca conversa entre os dois aconteceu em blogs, redes sociais, ambientes de conteúdos colaborativos.
A ABC News, empresa de mídia de respeito nos Estados Unidos, deu uma de New York Times: garantiu que foi a primeira entrevista via Twitter, o que foi rapidamente retificado durante uma conversa pela própria ferramenta que tive com o Alec Duarte. “Já houve até coletiva no Twitter”, garante o jornalista. A mídia espontânea corrige os erros.
A superficialidade e o suporte utilizado são outros dois pontos críticos do acontecimento. O pequeno formato de mensagens (138 caracteres) não permite uma conversa de grandes conteúdos, de argumentação. E é neste ponto que entra a promoção pessoal. Não houve entrevista. Houve presença.
McCain saiu como grande vitorioso. A auto-promoção e a necessidade de voltar à grande cena mundial da informação foram pontos-chave do triunfo do senador. Até o final deste post (de madrugada), o norte-americano conseguiu obter mais de 227 mil seguidores, menos da metade do seu ex-rival à presidência, Barack Obama.
McCain mostrou que, apesar de seus 73 anos, está apto a conhecer “novas coisas”, como o Twitter. Liberou sua assessoria e, ele mesmo acabou ficando à frente do computador para ler e responder às “microperguntas”.
Isso promove novos fãs e, claro, fidelidade a seu nome no mundo político. Fiz uma conta rápida em poucos minutos, enquanto acompanhava a entrevista: o republicano ganhava 20 seguidores a cada 30 segundos. Em blogs, por exemplo, a tag McCain voltou novamente ao debate.
A limitação de caracteres, lugar-comum na ferramenta, mostrou um McCain inteligente, ágil. Conseguiu, em poucas palavras, seduzir pessoas com argumentos de 138 espaços, apesar da ausência de uma capacidade crítica.
A ABC, por sua vez, apesar do pouco ou quase nenhum ineditismo do fato, se saiu bem. Ganhou visibilidade mundial, teve bons tráfegos e abriu a porta para novas cópias midiáticas. Que venha a segunda entrevista pelo Twitter.









março 18th, 2009 at
Tou achando isso tudo muito bizarro.
É muita coisa pra um aplicativo apenas, não acha?
março 19th, 2009 at
@Carlos,
Já há algum tempo tenho esse pensamento. Não se fala em outra coisa a não ser o Twitter: ele ganhou tamanha dimensão que começo a duvidar de alguns conteúdos de blogs ligados ao tema.
abril 9th, 2009 at
[...] a mídia brasileira redescobre a roda com o Twitter, ferramenta que completou três anos há pouco tempo, a imprensa especializada em [...]
maio 18th, 2009 at
Há, sem dúvidas pontos positivos e negativos do uso do Twitter pela mídia. Se por um lado entrevistas podem se tornar meios de promoção/exposição dos entrevistados, existe ainda a possibilidade de minimizar drasticamente uma antiga arma de quem está sendo sabatinado: O velho “dizer, dizer e não falar nada”. Tudo depende da capacidade do jornalista de formular perguntas diretas e úteis.