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Impulsionado pela discussão nos comentários do último post do Rafael sobre a decisão do Lastfm de cobrar por seus serviços eu fiquei com uma dúvida na cabeça: existe uma hora certa para cobrar por serviços online?
Essa é uma questão muito delicada e que transcende em muito a medida da Last.fm. A internet é uma plataforma que mudou como o ser humano interaje com o mundo de maneira mais do que definitiva. Nunca antes na história da humanidade uma mudança tecnológica teve um impacto tão determinante, abrangente e rápido na sociedade. Quanto tempo será que a roda demorou para ser divulgada entre os nossos antepassados? E a eletricidade? O telefone?

Gag: quanto tempo demorou a roda para rodar o mundo?
Em menos de 10 anos de existência, a internet reformulou o mundo sob um aspecto econômico, político, social e até mesmo psicológico. Enfim, a discussão vai muito além disso, o que eu quero levantar com este post é a forma com que a internet uniu as pessoas, mas como alguma barreiras ainda existem.
O que isso tem a ver com a cobrança da Last.fm? Tudo! Se uma medida dessa foi tomada, ela não foi feita sem uma base, sem uma alta possibilidade de aceitação. Ou seja, o que pra nós, culturalmente falando, parece um grande ultraje, um descabido tiro no pé, talvez para culturas que também consomem isso não seja tão absurdo e impensável. E sejamos francos: mesmo com as “barreiras cada vez menores” infelizmente ainda estamos à margem do mundo.
Gostaria de saber mais como as diferentes populações se comportam e interagem com esse tipo de questão. Cobrar por serviços na internet é realmente tão absurdo? Por outro lado, é realmente necessário? Os ads não deveriam ser suficientes para dar manutenção à estrutura de um site? Fazendo uma analogia um tanto quanto grosseira: não se paga por canais abertos da televisão… mas existe o serviço a cabo, não é?

Como seria o blog do Shakespeare?
O acesso ao conteúdo de “qualidade” (e enfatizo as aspas) seguirá o padrão mais conservador e sofrerá restrição de acesso por meio de cobrança? Tudo isso é uma grande e intrigante incógnita. Talvez daqui há alguns anos o google cobre por um pacote de serviços (que provavelmente incluirão seu sistema operacional, player de vídeo e música, conta de e-mail, redes sociais etc.).
O que soa tão absurdo agora, não é uma realidade tão inconcebível num futuro próximo.
Vivemos em um mundo rodeado pela tecnologia, pela acessibilidade. Estamos muito próximos, num senso um pouco menos retrô dos Jetsons, do futuro que vemos na ficção.
E isso nos traz à questão-chave: estamos de fato preparados para o futuro? Ele pode sim ser potencialmente maravilhoso, utópico e rodeado pelo signo do acesso livre. Ou, ele pode ser mais uma vez a repetição de um modelo regido por uma lógica que ainda estamos engatinhando para entender.
Fotos em licença CC do Flickr.



