A ameaça do New York Times e um possível fim do Boston Globe


Boston Globe só é mais um brinquedinho do NYT que pode dar adeus

Parece que o desespero do New York Times em busca de novos lucros e reestruturação de toda empresa não pára. Nesta segunda-feira, um dos mais importantes jornais de todo o mundo ameaçou fechar o The Boston Globe, um de seus tantos brinquedinhos impressos, caso o sindicato não realize as concessões pedidas sobre os salários, que já passam de 20 milhões de dólares.

NYT começou a “pensar” um pouco no quesito “operário, proletariado” (ha-ha) e exige benefícios sociais aos empregados do Boston Globe, impresso que anda muito mal das pernas: registrou prejuízos de US$ 85 milhões após uma perda de US$ 50 milhões em 2008.

O Boston Globe, que foi adquirido pelo NYT em 1993 por cerca de 1,1 bilhão de dólares, é o diário de maior circulação em Boston, Massachussets e Nova Inglaterra e faz parte da lista que passei no Twitter na última sexta-feira, dos dez jornais mais ameaçados dos Estados Unidos. Hoje, está estimado no mercado por “apenas” 15 milhões de dólares.

Toda essa movimentação é, sem dúvida, “benéfica”. New York Times, no início da década de 90, já tinha a síndrome de Rupert Murdoch, carro-chefe do Wall Street Journal que tem hoje 38 jornais: a premisa do NYT era a mesma.

O possível fim impresso do Boston Globe só seria mais um reflexo da forte crise que se encontra nos Estados Unidos: o consumo exagerado de impressos começa a resultar em movimentações apressadas para desvincilhamento de marcas jornalísticas.

E o New York Times, com certeza, é um dos mais preocupados com a situação: desde o dia 06 de fevereiro deste ano, começou a estudar cobranças para ler seu conteúdo, quer um canal hiperlocal colaborativo para ampliar seu leque de publicidade, vendeu sua sede em modalidade arrendamento, além de lançar uma falsa versão global, resultado de uma fusão com o International Herald Tribune.

Foto: Kevin Lee.

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