Estupro virtual

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    “Jovem é raptada, sodomizada e violentada. Após ser mantida em cativeiro com sua mãe e irmã por meses, é obrigada, pelo estuprador, a cometer aborto

    O que parece uma notícia sobre algum caso bizarro de algum maluco solto mundo afora é na verdade o enredo de uma ficção. E o que chama atenção nessa ficção de gosto um tanto quanto questionável é que ela é um game de sucesso considerável.

    “Rapelay” é um simulador que inclui objetivos como estuprar, fotografar e chantagear meninas vestidas em uniformes colegiais japoneses. O game, para PC, de origem japonesa, ficou popular em sites de downloads P2P e levantou uma discussão importante.

    Uma matéria no “Estado de São Paulo” na semana passada falava sobre o jogo, suas pervesidades e que ele podia ser encontrado no “catálogo” de vários vendedores ambulantes na região da Santa Ifigênia, no centro de São Paulo.

    Encontrei diversos blogs discutindo o jogo e condenando, obviamente, seu conteúdo. As discussões entre os comentadores foram fervorosas e por incrível que pareça, alguns leitores defendiam o jogo – como forma de “escape” ou “realização virtual” de desejos do ser humano – outros criticavam fervorosamente o fato de simplesmente se escrever sobre isso alegando ser uma forma de divulgação do próprio jogo. A grande maioria, claro, se manteve na crítica ao jogo em si.

    A discussão é sempre necessária e saudável, e quando se trata de temas polêmicos como este a coisa toda tende a ser bastante exaltada; mas ela deve sempre existir. A omissão de um fato como este não contribui em nada com o amadurecimento da sociedade com relação a algumas questões.

    Aliás, cabe à sociedade aprofundar a velha discussão sobre o “virtual” e o “real” e sobre os aspectos criminais envolvendo realidade e ficção. O jogo traz a tona uma problemática inerente à própria globalização (tendo como maior “via” a internet): o choque entre culturas às vezes pode soar um tanto quanto assustador.

    Não tenho a intenção de julgar quem fez ou quem “consome” o jogo. Mas o simples fato dele existir já significa alguma coisa. Moralmente “errado” ou não; simulação ou perversão; nos cabe aprofundar essas questões sobre um ponto de vista menos maniqueísta (certo X errado, bem X mal) e procurar entender motivos, meios e repecurssões de algo que transcende em muito o próprio game.

    E que venha a discussão!

    Telas do próprio jogo.

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      • http://crhits.blogspot.com Gabriel Vinicius

        Tomara que nenhum louco se inspire nesse jogo!

      • http://danielaramos.net Dani

        Oi Rafa! Na minha opinião o game só corrobora alguns aspectos da sociedade que “parecem” resolvidos, mas não são: por exemplo, a desiguldade entre os direitos da mulher como gênero feminino e os do homem. Como escreveu uma amiga minha no TCC sobre a imagem da mulher na imprensa brasileira, “enquanto homem público e mulher pública não significarem a mesma coisa, não haverá igualdade entre os sexos”. Acho que por aí. beijos

      • Nikolas Maciel

        @ Gabriel:
        Eu também! Mas o que assusta mais é que os caras que fizeram o jogo é que provavelmente se inspiraram na vida real… isso é mais alarmante…

      • Nikolas Maciel

        @Dani:
        É um elogio ser confundido com o Rafael! Significa que eu estou escrevendo quase tão bem quanto ele!
        Quanto ao seu comentário: muito interessante! Não tinha visto a situação sobre esse enfoque, tão pertinente por sinal! O mais assustador de tudo é que o game não só corrobora, como potencializa todo um discurso machista, que no oriente é muito mais aceito que no ocidente. No entanto, o que me pareceu alarmante foi a aceitação comercial desse “discurso” por aqui. Obviamente ninguém vai “admitir” que consome esse tipo de jogo ou coisa parecida, maso simples fato de eu escrever sobre esse assunto significa que ele teve projeçao e aceitaçao suficiente para virar uma notícia.

      • Ana Carolina

        Vira e mexe algum doido se inspira num jogo pra causar atentados de todos os tipos e aí é lançado um jogo desse tipo. Ninguém pensou que do mesmo jeito que um adolescente entra atirando em todo mundo num colégio, inspirado num jogo, ele também não pode, inspirado no jogo, sair por aí fotografando e violentando garotas/mulheres. Acredito que antes de criar/fazer/inventar qualquer coisa é necessário pesar quais podem ser as consequências de tal coisa. E pelo jeito as consequências não foram muito pesadas neste caso…
        Absurdo!!!

      • Nikolas Maciel

        @Ana Carolina
        Violência, infelizmente é uma característica inerente ao ser humano. Obviamente, incentivá-la, estimulá-la é algo grave e extremamente prejudicial à sociedade… mas essa questão é tão complexa que fica difícil comentar aqui. Os jogos tem um papel importantíssimo na sociedade, e vê-los como “incentivadores” de qualquer ato de vilência é uma visão um tanto quanto simplista de um problema que transcende o jogo em si e tem muito mais relação com a forma com que configuramos a sociedade…
        Filmes de violência sempre existiram… e as crianças podem assistí-los na seção da tarde (com muito sangue e explosões), mas existe censura inquestionável para filmes com cenas de “sexo” (e não estou me referindo aos filmes pornográficos) que supostamente é um dos atos mais naturais e necessários para a humanidade…
        Enfim… é uma questão que levanta outras muito mais complicadas!

      • ARM

        É verdade q. o ser humano, quando ñ tem auto controle, ñ respira e pensa, ou por qualquer outro tipo de doença, é capaz de fazer coisas terríveis, e o pior é que depois possuem a falta de carácter em continuar agindo naturalmente.
        Na adolescência a personalidade ainda não está completamente formada, e com às normalidades de falta de tempo dos pais, a tv, net etc, são os companheiros e escolhas dos programas são alheias, e é isso que está formulando a personalidade da juventude. Acredito que uma censura e controle em horário seja um bom ajudador, na falta dos pais. Agora dizer que é #Um escape às necessidades humanas “ uma violação ou a qualquer tipo de violência é sim uma doença… Não ser humano sem mazelas, mas crimes são crimes e só existe leis por haver quem faça horrores e ainda se rir.

      • Nikolas Maciel

        @ARM
        Existem os casos patológicos, existe a curiosidade, existe a violência inerente… o ser humano em si é um grande complexo de ações e reações internas (subjetivas) e externas (sociais). Temos regras para convivência, claro! Mas conforme as tendências de comportamento mudam, as regras e o jeito de olhar e julgar o mundo também devem se adequar com bastante dinamismo.
        Crimes como a pedofilia e o estupro são gravíssimos! E a lei para eles é bastante severa. O gradne problema conceitual é: e quando eles acontecem em ambiente exclusivamente virtual, com simulações que envolvem somente o “jogador”? Isso se configura como crime?
        É sobre isso que devemos começar a refletir mais profundamente!