abr 14

O Jornalismo Colaborativo existe mesmo?

Tag: colaboracaoRafael Sbarai @

Pertinente a discussão levantada por Eduardo Arcos, postada no ALT1040 nesta segunda-feira. O fundador da boa rede de blogs Hipertextual criticou o que se denomina de “Jornalismo Cidadão“, tripudiando o que se considera como mais um chavão da web.

Não tive tempo de postar um conteúdo interessante e envolvente com o caso na hora de sua publicação, mas vi sua repercussão através de blogs e Twitter. Apesar do atraso pessoal de algumas horas devido ao trabalho, acredito que Eduardo foi superficial e específico em uma argumentação fraca e sem embasamento. Logo, tenho alguns questionamentos que devem ser levantados a partir de seu post:

“Jornalismo Cidadão”
A discussão envolvendo o “Jornalismo Cidadão” é ampla e já rendeu bons frutos. Jornalismo Cidadão é um signo utilizado por muitos ainda sem uma denominação específica. Em um futuro próximo artigo acadêmico, que será divulgado logo mais, explico minha sugestão de preferir o termo Colaborativo, apesar de considerar que isso NÃO é um padrão.

Colaborar pressupõe auxiliar, cooperar, trabalhar em uma mesma obra. Todas, premissas que estão implícitas na construção de uma informação em ambientes virtuais participativos de respeito, como o OhmyNews.

Em nenhum momento, vou dizer que a colaboração nasceu na web. De forma alguma. Já existem até registros que a participação dos cidadãos começou antes mesmo da famigerada prestação de serviço em rádios: em 1690, nos Estados Unidos. Não há a intenção de reinventar a roda, mas de destacar a ampliação deste “serviço”, agora cooperativo e em rede.

Parte do comentário de Rodrigo Bueno no bom blog do Tiago Dória, por exemplo, exemplifica bem o espírito da situação: se o OhmyNews não é um canal colaborativo, ele seria o quê? Eduardo argumenta “jogando a culpa” nos meios tradicionais. “Um chavão inventado por pessoas dos meios tradicionais”. Tem certeza?

Logo, “Jornalismo Cidadão” não é um termo que considero desnecessário, mas que deve sofrer alterações e amadurecimento para um estabelecimento ou não de nomenclatura padrão. E o ambiente acadêmico está presente neste sentido: para inserir uma pitada de tempero nesta receita da colaboração.

Jornalismo Cidadão como “ameaça” ao que é Tradicional
Quando leio este argumento, lembro das primeiras publicações lançadas a respeito do tema, em 1996. Muitos livros espanhóis, na época, confundiam Jornalismo Colaborativo com blogs e assim por diante. Um dos argumentos lugar-comum falava sobre uma possível ameaça ao considerado Jornalismo Tradicional.

Engraçado é que Eduardo cita a palavra Tradicional. O que seria isso mesmo!? Não foram os próprios veículos de comunicação que defenderam esta nomenclatura? Acredito que o blogueiro deu um tiro no próprio pé acusando quem sugere “Jornalismo Cidadão“.

O discurso visto no ALT1040 é antigo, velho. Ninguém mais discute este tema. É neste ponto que acredito que faltou embasamento. E também não há mais focos de discussão envolvendo “blogs são formas de jornalismo cidadão”. Isso é passado.


Citam a ferramenta de publicação, esquecem do usuário: velha-máxima da mídia

Meio e mensagem
O grande acerto do discurso de Eduardo. Ainda falta um apoio e reflexão dos ambientes jornalísticos online ao citarem nichos e plataformas de conteúdo. Não há a citação do usuário, mas sim do suporte no qual foi propagado. É a velha questão do crédito, ressaltado também pelo Dória.

Conversei com algumas pessoas durante a tarde de ontem a respeito do post. Além de ver o mais do mesmo, destaco uma reflexão do André Rosa,.

O mainstream ainda tem costume de creditar o “youtube”, a “web”, sem citar o usuário em si. Ah, discordo da introdução “padre quevedo” – periodismo ciudadano non ecziste. A visão do Eduardo Arcos, apesar de pautada no dia-a-dia, não bate com experiências bem sucedidas nesse modelo.

André foi em um ponto certeiro: há uma necessidade virtual de produzir opiniões e mensagens fora do lugar-comum, introduzindo, é claro, conceitos ultrpassados. Por exemplo: Andrew Keen, com seu Cult of the Amateur. É uma obra importante, porém ultrapassada; culpa de um argumento vanguarda, visto também no ALT1040.

Foto: Hudde.

6 Responses to “O Jornalismo Colaborativo existe mesmo?”

  1. Bruno Aguiar says:

    Interessante seu ponto de vista, mas nao concordo.
    Estou de acordo com o Eduardo: jornalismo cidadão nunca existiu e nem vai existir.

  2. Rafael Arribalzaga says:

    Voce conhece um lugar e sabe precisar ideas sobre ele. Lembro depois de su analisis muitos posts onde intentan explicar o mesmo onde voce foi claro. Felicito!!! Invito a entra a meu post sobre que os -no jounalistas- crian -no leitores-

  3. Rafael Sbarai says:

    @Bruno,
    Agradeço pelo comentário.
    O tal considerado “Jornalismo Cidadão” é um grande debate que não cabe em apenas em um post.
    Se ele não existe, a que você denomina a participação do cidadão em uma informação jornalística?!
    A que você atribui aquele vídeo postado no Utube sobre o Massacre em Virgínia? Cinegrafista Amador?
    E o Cinegrafista Amador não colabora, auxilia para a construção de um fim (no caso, conteúdo?)…
    É interessante debater isso, mas não apenas em cinco a dez parágrafos.
    Mesmo assim, obrigado!

  4. Rafael Sbarai says:

    @Rafael,
    Obrigado,
    Vou ler sua análise/comentário a respeito do post de Eduardo.

  5. MundoFox, o Hulu dos brasileiros, e a técnica do webisodes | De Repente says:

    [...] questão, hoje, é saber se movimentar e não reinventar a roda. Tornar-se um político de boa vizinhança. E agradar, é claro, Gregos e [...]

  6. Pareja says:

    Hola de parte de parejaspareja.es, encontre tu blog navegando por la red buscando mundofox en google. Me parece super interesante la información que tienes en tu blog y sin lugar a dudas regresare a leerlo. Tengo una pregunta, si podria traducir tu blog “O Jornalismo Colaborativo existe? | De Repente” y añadirlos a un de mis blogs en italiano? Y por supuesto con el link direccionando a tu blog. Estare esperando tu respuesta. parejaspareja.es

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