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Pertinente a discussão levantada por Eduardo Arcos, postada no ALT1040 nesta segunda-feira. O fundador da boa rede de blogs Hipertextual criticou o que se denomina de “Jornalismo Cidadão“, tripudiando o que se considera como mais um chavão da web.
Não tive tempo de postar um conteúdo interessante e envolvente com o caso na hora de sua publicação, mas vi sua repercussão através de blogs e Twitter. Apesar do atraso pessoal de algumas horas devido ao trabalho, acredito que Eduardo foi superficial e específico em uma argumentação fraca e sem embasamento. Logo, tenho alguns questionamentos que devem ser levantados a partir de seu post:
“Jornalismo Cidadão”
A discussão envolvendo o “Jornalismo Cidadão” é ampla e já rendeu bons frutos. Jornalismo Cidadão é um signo utilizado por muitos ainda sem uma denominação específica. Em um futuro próximo artigo acadêmico, que será divulgado logo mais, explico minha sugestão de preferir o termo Colaborativo, apesar de considerar que isso NÃO é um padrão.
Colaborar pressupõe auxiliar, cooperar, trabalhar em uma mesma obra. Todas, premissas que estão implícitas na construção de uma informação em ambientes virtuais participativos de respeito, como o OhmyNews.
Em nenhum momento, vou dizer que a colaboração nasceu na web. De forma alguma. Já existem até registros que a participação dos cidadãos começou antes mesmo da famigerada prestação de serviço em rádios: em 1690, nos Estados Unidos. Não há a intenção de reinventar a roda, mas de destacar a ampliação deste “serviço”, agora cooperativo e em rede.
Parte do comentário de Rodrigo Bueno no bom blog do Tiago Dória, por exemplo, exemplifica bem o espírito da situação: se o OhmyNews não é um canal colaborativo, ele seria o quê? Eduardo argumenta “jogando a culpa” nos meios tradicionais. “Um chavão inventado por pessoas dos meios tradicionais”. Tem certeza?
Logo, “Jornalismo Cidadão” não é um termo que considero desnecessário, mas que deve sofrer alterações e amadurecimento para um estabelecimento ou não de nomenclatura padrão. E o ambiente acadêmico está presente neste sentido: para inserir uma pitada de tempero nesta receita da colaboração.
Jornalismo Cidadão como “ameaça” ao que é Tradicional
Quando leio este argumento, lembro das primeiras publicações lançadas a respeito do tema, em 1996. Muitos livros espanhóis, na época, confundiam Jornalismo Colaborativo com blogs e assim por diante. Um dos argumentos lugar-comum falava sobre uma possível ameaça ao considerado Jornalismo Tradicional.
Engraçado é que Eduardo cita a palavra Tradicional. O que seria isso mesmo!? Não foram os próprios veículos de comunicação que defenderam esta nomenclatura? Acredito que o blogueiro deu um tiro no próprio pé acusando quem sugere “Jornalismo Cidadão“.
O discurso visto no ALT1040 é antigo, velho. Ninguém mais discute este tema. É neste ponto que acredito que faltou embasamento. E também não há mais focos de discussão envolvendo “blogs são formas de jornalismo cidadão”. Isso é passado.

Citam a ferramenta de publicação, esquecem do usuário: velha-máxima da mídia
Meio e mensagem
O grande acerto do discurso de Eduardo. Ainda falta um apoio e reflexão dos ambientes jornalísticos online ao citarem nichos e plataformas de conteúdo. Não há a citação do usuário, mas sim do suporte no qual foi propagado. É a velha questão do crédito, ressaltado também pelo Dória.
Conversei com algumas pessoas durante a tarde de ontem a respeito do post. Além de ver o mais do mesmo, destaco uma reflexão do André Rosa,.
O mainstream ainda tem costume de creditar o “youtube”, a “web”, sem citar o usuário em si. Ah, discordo da introdução “padre quevedo” – periodismo ciudadano non ecziste. A visão do Eduardo Arcos, apesar de pautada no dia-a-dia, não bate com experiências bem sucedidas nesse modelo.
André foi em um ponto certeiro: há uma necessidade virtual de produzir opiniões e mensagens fora do lugar-comum, introduzindo, é claro, conceitos ultrpassados. Por exemplo: Andrew Keen, com seu Cult of the Amateur. É uma obra importante, porém ultrapassada; culpa de um argumento vanguarda, visto também no ALT1040.
Foto: Hudde.




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