abr 17
O Jornalismo Colaborativo em Washington Times
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Humilde e sincero o discurso utilizado John Solomon a respeito da abertura e flexibilidade do Washington Times em relação ao conteúdo colaborativo. Diretor-executivo da empresa, Solomon comentou ao Editor&Publisher a novidade semanal no veículo como “não tenho equipe para cobrir tantos acontecimentos em vários locais”.
A cada dia, uma página do jornal é dedicada a participação do cidadão. Às segundas, histórias de círculos acadêmicos. Às terças, trabalhos de pessoas que vivem em subúrbios de Maryland e Virginia. Às quartas, dedicação total ao distrito de Columbia. Às quintas, conteúdos militares e, às sextas, informações envolvendo a religião. Domingo, por sua vez, serve como prestação de serviço.
Para Solomon, a iniciativa possui uma premissa de acompanhar mais de perto o noticiário local, valorizado em segmentos jornalísticos. “Hoje, há temas e informações em cada canto de uma comunidade. Não temos demanda e tempo para realizar uma cobertura extensa e completa do que acontece. Isso atrai a idéia que os próprios cidadãos podem nos trazer conteúdos pertinentes”, afirma.
O relato pode até soar como “mão-de-obra barata”, como muitos críticos dizem por aí, mas pode ser uma iniciativa que – se houver um feedback relativo – pode proporcionar um sentimento de pertencimento a uma marca jornalística bem interessante.
Para controlar a veracidade dos fatos e a qualidade da informação, há já uma cartilha estabelecida pela própria redação com regras de escrita e estrutura de um texto jornalístico, o que promove uma padronização do que é relatado.
A colaboração vista no Washington Times só marca uma evolução do que é auxílio do cidadão em ambientes palpáveis de comunicação. Em 1690, por exemplo, já havia experiência colaborativa. Publick Occurrences: both Forreign and Domestick, um impresso dos Estados Unidos, deixava uma de suas quatro páginas em branco para a produção de informações pessoais, já que o jornal era lido e repassado ao seu círculo social.









abril 17th, 2009 at
Ufa, que bom! Uma verdade dentro do tal jornalismo colaborativo: “não tenho equipe para cobrir tantos acontecimentos em vários locais”. Preciso dizer algo mais?
Esse tal de jornalismo colaborativo é isso! Colocação de peças de plástico na maquinaria metálica do carro de notícias.
Quer se relacionar com o público? Eu, veja bem, eu, já fiz isso e como? Com um conselho de leitores. Havia reuniões quinzenais e dali, jornalistas, esses seres tão substituíveis, saiam com as pautas e iam fazer o que se deve: ouvir vários lados, procurar dar objetividade à matéria, relacioná-la e contextualizá-la dentre outros procedimentos de um bom jornalismo.
Repito a frase que desmantela o jornalismo colaborativo: “não tenho equipe para cobrir tantos acontecimentos em vários locais”. kakaka
abril 17th, 2009 at
Welton,
tenho um ponto de vista um pouco diferente.
Mas, para isso, vou recorrer a um trecho do que escrevi quando terminei meu TCC, no ano passado:
“Todo este espírito tecnológico reforçou e ampliou conceitos na Comunicação e quebrou, implicitamente, a premissa de considerar o jornalista um especialista da informação. Que pretensão seria essa? Por que atribuir à informação um domínio reservado?
Por que tal exclusividade? Assim, o ato de informar, o ato de escrever, encontra-se na mira da crítica social, obrigando seus atores a se explicar, obrigando as mídias a produzir um discurso que justifique sua razão de ser. Sua resposta é simples. Simplesmente oferecer poder ao leitor.”
Existe um negócio que chama-se sentimento de pertencimento a rede. Acredito que existe uma necessidade e obrigação do jornalista/veículo de comunicação com o EX-consumidor de informação: isso valoriza quem lê e quem produz.
Jornalismo Colaborativo é criticado por diversos projetos ruins, mas agregar tal adjetivo não é correto. Há iniciativas boas e pertinentes, que deram certo e até mudou uma opinião pública em um país que o Brasil ainda inveja: a Coréia do Sul. É só procurar a história recente presidencial do país do continente asiático.
Abraço e obrigado pelo ponto de vista.
abril 17th, 2009 at
Vamos lá!
Uma coisa é a internet possibilitar a expressão de opiniões várias. Isso é incrível, revolucionário. Mas colocar essa opinião em um blog, por exemplo, assumindo tal como uma afirmação própria e dentro dos sistemas de valores de um blog é um tipo de postura, e outra é revestir esse mesmo posicionamento com todos os valores do jornalismo, mas não aplicá-los. Há sim uma hibridação aí que corrói o jornalismo. Enfim, é a ode ao amadorismo!
abril 17th, 2009 at
@Welton,
A questão vai muito além do que está escrito e explanado.
Eu sou totalmente a favor de uma flexibilização e compreensão de como compartilhar uma informação hoje. Principalmente no momento em que tocamos no assunto “ambiente virtual”.
Há um grave e sério problema dos críticos envolvendo o tal Jornalismo Colaborativo. Sugiro a leitura de Andrew Keen – Cult of the Amateur.
É uma visão cética e forte envolvendo a ampliação da colaboração. Tenho uma opinião totalmente contrária ao do autor, que já possui idéias um pouco ´velhas´, mas é um passo para compreender e ter uma visão completa do que acontece hoje.
Abraço!
abril 17th, 2009 at
A minha última frase foi justamente inspirada em uma resenha que li sobre o livro de Keen, que acaba de ser lançado em português.
Keen está no meu altar!
Ouvir o leitor, a comunidade é uma coisa. Dá-lhe um microfone de forma irresponsável é outra. É o “não tenho equipe para cobrir tantos acontecimentos em vários locais”.
abril 18th, 2009 at
@Welton,
Vale a pena ler o livro. E em inglês. Há muitas diferenças…