mai 29 2009

Lens, um mix de belas imagens do ‘onipresente’ New York Times

Tag: midiaRafael Sbarai @

Enquanto a mídia festeja o anúncio de Bing, novo buscador da Microsoft – que será lançado nos primeiros dias de junho – fico com os meus pés no chão para elogiar um trabalho de dez dias – até o momento – do New York Times. Trata-se do Lens, ambiente virtual que centraliza belas imagens de fotógrafos da publicação.

Denominado de blog de fotojornalismo, Lens foi lançado no último dia 18 e mais me parece um mix de trabalho imagético factual com hemeroteca visual. São registros históricos do jornalão, mesclados aos trabalhos pessoais dos fotógrafos, além da divulgação de imagens que não foram aproveitadas nas edições.

Com uma interface em Flash, o ambiente demorou um ano para ser projetado. O que mais me impressionou é a rapidez e a eficácia na hora de distribuir e mostrar o conteúdo: extremamente rápido e leve. E sem alguém para administrar o espaço. Segundo o veículo, não há nenhum funcionário responsável pela área.

Outro detalhe sutil e pertinente é a proposta interativa para a divulgação de fotos alheias. No último dia 25, por exemplo, foi o dia de envio de fotos produzidas por uma Polaroid. O resultado, mais uma vez, é incrível.

Inspirado no super-premiado The Big Picture, do Boston Globe, Lens engatinha sozinho e mostra que é mais um carro-chefe [agora, multimídia] do NYT. Aos poucos, além de ser um centralizador aberto de dados, o jornalão é sinônimo de empresa de conteúdo onipresente: não há hierarquia na hora de divulgar; há distribuição de informação e sincronização em plataformas.


mai 28 2009

All Things Digital trata a ‘criança’ Twitter como um adulto

Tag: redesocial,twitterRafael Sbarai @


Biz Stone e Evan Williams: fundadores do Twitter são entrevistados no D7

Louvável e até de certo ponto ‘prevísivel’ a excelente postura da dupla de jornalistas do Wall Street Journal durante o primeiro dia do D7 All Things Digital, conferência promovida pelo impresso que analisa e discute assuntos envolvendo o uso da tecnologia e a comunicação na web.

Kara Swisher e Walt Mossberg, organizadores do evento, deram uma lição de bom jornalismo com a ‘febre’ Twitter, maior fenômeno tecnocultural da internet no momento, representando uma das poucas visões críticas e céticas a respeito da ferramenta.

Ambos entrevistaram ontem nada mais que Biz Stone e Evan Williams, fundadores da ferramenta. Como havia dito em um outro post, a dupla de jornalistas não aliviou com pertinentes perguntas aos carros-chefe do Twitter.

Não houve oba-oba. Ficou claro, por exemplo, que o microblog ainda não tem um modelo de negócio rentável a longo prazo, descartando mais uma vez o uso da publicidade em sua interface. Houve um esclarecimento de um projeto envolvendo contas pagas, como destaca bem o IDG NOW!.

No mais, a ferramenta foi considerada por seus próprios fundadores como uma criança que está longe de tornar-se um adolescente. Com apenas um novo detalhe, a partir desta quarta-feira: foi menos mimado e mais questionado. Twitter, agora, é a Maísa de Kara Swisher e Walt Mossberg.


mai 27 2009

Quando o uso excessivo do SMS pode prejudicar o futuro de uma nação

Tag: mobilidadeRafael Sbarai @

Pertinente e interessante uma reportagem produzida ontem pelo The New York Times a respeito do uso excessivo do SMS entre os jovens norte-americanos. A matéria é reflexo de um pensamento tecnocultural ”pioneiro’ e de certo ponto duradouro, que aos poucos cairá (se já não caiu) nas graças do povo brasileiro.

Conhecidas como “texting“, as mensagens de até 140 caracteres são apontadas como uma grande ameaça funcional a formação dos adolescentes. E tudo, graças é claro, às operadoras de telefonia locais, que geram cada vez mais flexibilidade e gratuidade no serviço que se mantém popular até hoje.

Lá não é diferente de cá e vice-versa. Operadoras conhecidas e famigeradas nos Estados Unidos, como AT&T e Verizon, encontram nos jovens um grande nicho de fidelização de sua marca. Logo, promovem um tráfego ilimitado de produção e recebimento de mensagens SMS.

Pra você ver como isso é reflexo do que acontece hoje, jovens norte-americanos enviaram e receberam mais de duas mil mensagens de texto por mês durante quatro meses de 2008. Cerca de 80 conteúdos enviados por dia.

Segundo entrevistados do NYT (entre eles, Sherry Turkle), isso é uma grande ameaça psicológica. Acarreta ansiedade, estresse, insônia e queda de rendimento acentuada no colégio. Interessante é que a opinião alheia de especialistas se aproxima, cada vez mais, a um estudo da Universidade de Ohio que divulguei aqui no blog há um certo tempo: o Facebook provoca notas baixas aos estudantes dos EUA.

O único ponto que a pesquisa não aponta e destaca – que é verificado no ‘boom’ de SMS – é o fenômeno da dispersão. É impressionante como a desatenção e o cuidado de fazer uma única coisa tornaram-se características cada vez mais comuns de um jovem.

A constante comunicação e a pressa para uma eventual resposta geram cada vez mais ansiedade. A existência de um retorno imediato e a velha máxima do “o que está fazendo no momento?”, slogan do Twitter são ingredientes desta receita de um bolo que tem boas chances de não dar certo. E olha que já estamos na era do “Sexting” (divulgação de conteúdos eróticos imagéticos por celular).

Foto: Hailey.


mai 26 2009

Projeto Cananéia – Energia Sustentável

Tag: reflexoesFelipe Jannuzzi @

Nos últimos anos foram raras as semanas que passei sem internet. Mesmo em viagens de lazer sempre dava um jeitinho para checar meu e-mail e passar os olhos pelos meus blogs favoritos. Para o desespero da minha namorada, isso significava perder alguns momentos preciosos em cybercafés ou dedilhando o celular. Coisas de viciado.

No entanto, na semana passada fiquei sem internet. Com os equipamentos de imagem e som nas costas fomos trabalhar no meio da natureza. Acordamos com as galinhas, comemos peixe fresco e dormimos em barracas às 19 da noite. Passei por um rehab tecnológico em um dos lugares mais bonitos do mundo e em nenhum momento senti falta do meu laptop.

Vista da voadeira do Pontal do Leste

Nós estávamos na Ilha do Cardoso (CANENÉIA-SP), mais precisamente na comunidade do Pontal do Leste, para gravar um documentário. Lá não tem computador porque é escassa uma das condições básicas para qualquer cidadão do século XXI: a eletricidade.

Eles tem lâmpadas, televisores e rádios, mas economizam no uso porque toda a fonte de energia vem dos raios solares e se o tempo estiver nublado isso pode significar perder o jogo de futebol ou a novela. Todas as casas são equipadas com placas fotovoltaicas e usar essa fonte de energia limpa e sustentável faz todo o sentido quando se está isolado e em pleno contato com a natureza.

Reunidos para assistir a novela.

Os moradores de Pontal do Leste são pessoas muito humildes e muito, mais muito simpáticas. Todos, sem exceção, são bons de papo. Apesar das dificuldades do dia a dia éramos sempre recebidos com um sorriso no rosto. Nas nossas longas conversas todos reivindicavam a mesma coisa: precisamos de mais energia.

Eles vivem da pescaria e do turismo. Com a baixa estação da pesca e a concorrência de grandes embarcações em alto mar, a quantidade pescada pela comunidade não é suficiente para vender em Cananéia. O combustível gasto no barco não compensa o lucro da pescaria. Uma solução seria estocar os peixes em freezer e geladeiras para então, com um volume adequado, partir para Cananéia (mais de 2 horas de viagem em um barco rápido). Com a pescaria fraca e sem geladeiras só resta salgar os peixes e torcer por dias melhores.

Sem geladeira a alternativa é salgar o peixe.

A falta de estrutura também prejudica o turismo. A eletricidade na comunidade não é o suficiente para suprir o conforto de todos. Imagine chegar de uma caminhada de horas e não conseguir uma cervejinha gelada? Ou não poder tomar um banho quente? E não conseguir usar o telefone se os dias foram nublados? São coisas muito simples, mas muito importantes para turistas que querem relaxar. Como declarou a Dona Rosália, uma das lideres do Pontal.

As placas solares instaladas há 10 anos não dão conta nem de uma geladeira. Por isso, como solução piloto, foi instalado um cata-vento de energia eólica (500W) na escola da comunidade. O cata-vento instalado pela ONG – IEI e pela Eletrovento é capaz de suprir toda a parte de iluminação da escola, uma televisão de 20, um aparelho de DVD e uma geladeira para ser compartilhada pelos moradores do Pontal do Leste. Nos regimes de chuva a energia eólica aparece também como um complemento adequado para as placas solares.

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Uma escola equipada significa melhores condições de ensino. Como a Professora  Miriam nos falou só o fato de ter uma merenda não enlatada já é motivo de alegria. Além disso, ela pode agora reforçar suas aulas com vídeos educativos e recreativos.

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As condições energéticas em Pontal ainda não são as adequadas, um cata-vento não é o suficiente, mas com o nosso vídeo e com o sucesso desse projeto piloto pretendemos ajudar a comunidade a chegar lá.

A questão educacional desse projeto é tão relevante que merece um post dedicado. Entrarei em mais detalhes quando falar de Cambriú, outra comunidade da Ilha do Cardoso que vamos visitar quando nossas baterias estiverem recarregadas. Até lá vamos trabalhando no documentário para mostrar como idéias simples, sustentáveis e de baixo custo podem melhorar a qualidade de vida de muitas outras comunidades ao redor do Brasil.

Fotos de Gabi Barreto.


mai 26 2009

O lançamento do Kumo e as “estrelas digitais” no D7 All Things Digital

Tag: tendencias,twitterRafael Sbarai @

Começa hoje, nos Estados Unidos, uma das conferências mais sérias e interessantes para acompanhar assuntos envolvendo tendências, mídias sociais e o futuro da tecnologia aliada a comunicação e a flexibilização de ferramentas de conteúdo.

D7 All Things Digital, evento promovido anualmente pelo Wall Street Journal, impõe seu respeito e é digna de grande atenção simplesmente pelo alarde e presença de pessoas que se encontra nela. Esta edição – que acontece de 26 a 31 de maio na cidade de Carlsbad (EUA) – contará, por exemplo, com o lançamento oficial do Kumo, novo mecanismo de busca da Microsoft.

Kumo é testado internamente há alguns meses e chega – segundo o que dizem – para concorrer com o Google, hoje responsável por 64% das pesquisas na web. Guardado há sete chaves, o serviço não tem as mesmas características do Wolfram Alpha e já há boatos sobre o seu ingresso como uma forma de extinguir o Live Search.

Entre conferencistas que participarão desta edição, destaco a presença de John Lilly, presidente da Mozilla, Steve Ballmer, presidente-executivo da Microsoft, além da aguardada aparição de Biz Stone e Evan Williams, fundadores do Twitter.

O que mais me chama atenção, até o momento, é a mudança de foco do All Things Digital para questão Mídia Digital: teremos até uma discussão envolvendo a aproximação entre [ex]consumidores de conteúdo e produtores e detentores da informação: como este segmento pode se unir e promover uma convergência.

Nas duas últimas edições, por exemplo, houve muito barulho. Em 2008, a discussão entrou na questão da abertura de  API´s e uma possível venda do Facebook a Microsoft, o que acabou acontecendo, mas de forma mínima. Há dois anos, tivemos o histórico encontro entre Steve Jobs e Bill Gates, carros-chefe na época de Apple e Microsoft, respectivamente.

Desta vez, pelo jeito, irão com certeza tocar no assunto da compra do Twitter. O que me conforta é a postura crítica e extremamente pertinente do ambiente virtual que dá nome ao evento. All Things Digital nunca fez tanta festa pela ferramenta social de 138 caracteres e esta postura pode ser novamente representada.


mai 25 2009

Dia do Orgulho Nerd

Tag: culturawebNikolas Maciel @

Só faltou uma Parada Nerd na Avenida Paulista…

Um dia bastante interessante é este, hoje. É comemorado o Dia do Orgulho Nerd, como já foi mencionado, e o Dia da Toalha – em homenagem ao escritor Douglas Adams, da célebre trilogia “Guia dos Mochileiros da Galáxia” ou “À Boleia pela Galáxia” em português de Portugal (sic) – que por si também é um dia um tanto quanto nerd, dado o público em geral desses livros (muito legais por sinal).

Em data tão festiva e comentada cabe a pergunta: NERD – quem é essa criatura das sombras que se infiltra cada vez mais na sociedade?

Basicamente... nerd!
Era digital? (Trocadilhos infames são bem-vindos!)

O nerd é aquele cara de óculos, cheio de espinhas, gordinho-e-peludo e/ou branquelo-e-magricelo (favor aplicar análise combinatória entre todas essas características, quando possível), meio tiozão (mesmo na época do colégio), que não pega ninguém e fica o dia inteiro com seus pares jogando RPG e comentando Star Wars.

Será?

Talvez, na essência seja isso mesmo, e as pessoas de fato podem ser tão facilmente tachadas, rotuladas. O mundo realmente se divide entre os caras do time de futebol americano, as cheerleaders/patricinhas, os skatistas e os nerds (esqueci alguém?).

E realmente todos nós vivemos num High School nos EUA.

O Fantástico fez uma matéria ontem que apontava bem pra esse sentido. Nerds = velhos esquisitos!

Homo nerds
Podemos observar aqui dois exemplares de
Homo nerds em seu habitat natural…

Não gostei! Eu, particularmente, acredito que as pessoas (e disso eu excluo os adolescentes americanos, claro) sejam um pouco mais complexas que isso. Todos nós temos um pouco de nerds: os quadrinhos estão em voga e mesmo que não os leiamos assiduamente, consumimos seus filmes semanalmente; os filmes independentes estão na sua era dourada; e, por mais louco que isso pareça, a literatura nunca esteve tão popular entre os jovens (quem imaginaria legiões de garotinhas lendo seus Harry Potters – que pode ser considerado um bom nerd, por sinal – e Twilight?).

Pois é! Um ótimo dia para uma revelação bombástica: você também é um nerd! Nosso mundo – e por isso, me refiro às tendências de consumo – é regido por uma lógica muito eficiente ($) que não deixa ninguém de fora (por mais que você tenha espinhas no rosto e não tenha um par para o Prom Night): tendências marginais às de mainstream são logo apropriadas e viram hypes.

Nerd, você é!
Nerd, certamente você é, se essa referência, você entendeu!

Os nerds aclamam que dominarão o mundo. E de certa forma já conseguiram, assim como os roqueiros, os punks, os japoneses, os vídeo games, enfim. É bom aproveitar a onda, pois logo ela passa, as pessoas envelhecem, seus filhos nascem e arranjam algum outro grupo pra tachar e dar continuidade ao ciclo da vida que exige necessariamente grupos de populares e excluídos durantes os anos escolares. Afinal de contas tudo se resume a isso: quem pega a menina bonita hoje versus quem andam de helicóptero amanhã.

Talvez, e não mais que talvez, num futuro distante e apocalíptico seja super cool ter sido emo durante a adolescência. Mas até aí estaremos velhos, e não ligaremos pra o que é legal ou não.

Assim espero!

Fotos em CC do Flickr


mai 25 2009

Just hear it, mais um aplicativo musical da ‘cultura do acessar’

Tag: tendenciasRafael Sbarai @

Em meio às discussões envolvendo o futuro do Blip.fm – um Twitter de músicas de nicho fiel que está prestes a fechar – recebi uma dica do Marmota nos comentários a respeito de um serviço ainda pouco divulgado no Brasil: o Just hear it.

O aplicativo nada mais é que um player para ouvir músicas online, permitindo a criação de playlists para organizar seus gostos pessoais, deixando bem claro que tudo que faz no ambiente é de forma legal, garantindo os famosos e discutíveis direitos autorais.

Just hear it está em fase de testes, o que mostra que ainda está engatinhando na web. Sua complicada interface é em Flash, provocando alguns ruídos com navegadores como o Firefox, travando-o logo no início de sua página, além de realizar um péssimo compartilhamento com o Youtube, gerando músicas através dele.

O ponto alto é a ausência de um registro para permanecer ouvindo músicas. Ou seja, a flexibilidade de ir e vir no ambiente de música ajuda na velocidade de atrair cada vez mais novos adeptos. Isso, é claro, por ser um novo serviço. Se houver uma popularização e eventuais uploads de músicas, é quase-certo que terá um registro para tal.

Apesar de ainda não tê-lo testado em sua conta privada, Just hear it faz mais do mesmo com um serviço que pouco me atrai. Não sou adepto de sites com interfaces escuras: me incomoda a ausência de uma leitura de descanso. No quesito simplicidade, continuo preferindo o Vattoz, por exemplo.

O comentário do André e o aparecimento de serviços musicais com uma grande preocupação envolvendo direitos autorais só reafirmam uma cultura do acessar que falo no blog já há algum tempo. Aos poucos, o “ter” perde valor. É preferível acessar e gerar mobilidade no conteúdo.

A política do Ouço, mas não tenho a música ou Vejo, mas não tenho o Seriado/Filme é o novo princípio do que é pertinente hoje na web. Espírito que já é visto em sites como Hulu e Spotify que, aos poucos, se mostram como grandes forças nestes segmentos.

Ambos conseguem atrair Gregos e Troianos disponibilizando conteúdos originais, além de firmar parcerias com grandes gravadoras e estúdios de televisão. É como o Hulu e o Spotify estivessem em 2012 e Last.fm, Pandora e Blip.fm, em 2009.


mai 22 2009

O dia em que o Google quase comprou jornais

Tag: google,midiaRafael Sbarai @


A cutucada de Eric Schmidt: “jornais precisam ser mais inovadores”

Veio como uma avalanche a série de e-mails que recebi nesta quinta-feira a respeito do interesse do Google na aquisição de alguns jornais em todo o mundo. O fato, propagado no Twitter, foi rapidamente discutido e negado poucas horas depois por Eric Schmidt, CEO do Google.

Especulou-se ontem que a crise financeira que assola o mundo aumentaria o interesse do Google no mercado. Precisamente em busca de compras no setor noticioso.

O primeiro nome citado, é claro, foi o do New York Times. Boatos -  não confirmados posteriormente – apostavam na compra de 20% de uma das maiores referências informativas de todo o mundo. Logo, NYT ficaria nas mãos de Google e Carlos Slim, mexicano ultramilionário.

E em pouco tempo, houve a réplica do site de buscas, com um discurso simples, duro e objetivo na hora de revelar sua opinião a respeito dos periódicos. “No momento, jornais são muito caros e estão com grandes dívidas”, avalia Schimdt.

O balde de água fria jogado pelo carro-chefe do Google mostra, ao mesmo tempo, duas percepções: como a imprensa adora lançar boatos a respeito de alguma aquisição envolvendo a marca (vide o caso Twitter) e como o ambiente começa a criar novas patas para alcançar um novo caminho. Agora, o informativo.

A alta-cúpula do Google vê na informação uma nova lacuna para garantir eventualmente monopólios, característica bem peculiar na rede mundial de computadores, além de ser um pensamento ‘quase’ schumpeteriano (o monopólio cria a inovação) (a inovação pode gerar monopólio).

E é neste sentido que vejo dedos e pitacos de um grande funcionário em específico na empresa: Hal Varian, um dos maiores nomes envolvendo o tema Economia da Informação. Desde 2002 na empresa, Varian é um dos autores do célebre livro A Economia da Informação, ao lado de Carl Shapiro.

O economista sabe muito bem fazer o meio campo acadêmico/profissional. Parte de um conhecimento prévio e fundamentado apenas para aplicar isso em seu cotidiano. Não à toa, o Google já produz há algum tempo serviços extremamente ligados ao jornalismo.

O último destes trabalhos é o GoogleNewsTimeline, que mostra uma linha do tempo sobre temas em específico. É só distribuir e produzir palavras-chave que o aplicativo te dá um histórico. O detalhe desta criação é que qualquer meio de comunicação noticioso online poderia produzir isso.

Mas quem o fez foi bem um nicho de buscas. Vai bem na linha de raciocínio de Schimdt. “Os jornais precisam ser mais inovadores”. O que não acontece realmente. Logo, descarto qualquer argumento que o Google não pretenda cruzar a linha entre tecnologia e conteúdo. Isso já foi feito faz tempo e poucos perceberam.

Foto: World Economic Forum.


mai 21 2009

A versão chinesa do The Guardian

Tag: culturawebRafael Sbarai @

The Guardian supreendeu e agora pode ser lido em mandarim. Um dos maiores impressos do Reino Unido revelou seu “novo modelo de negócio” e, em parceria com uma comunidade, terá artigos traduzidos para um dos públicos da web mais interessantes no momento: os chineses.

A proposta está em caráter experimental. Parte dos artigos visualizados na web começaram a ser traduzidos pelo Yeeyan, um ambiente chinês de tradução colaborativa. O resultado de todo este esforço compartilhado já está no ar. Chama-se Guardian-Yeeyan.

The Guardian vê com bons olhos um ingresso – por mais que seja tímido – ao mercado asiático, mesmo apesar da restrição imposta pelo governo chinês em março de 2008 em seu site e ao Youtube. O motivo do bloqueio era a produção de conteúdos sobre os protestos em Lhasa, capital da região autônoma do Tibete.

Na época, a publicação foi uma das primeiras a publicar fotos de protestos, o que provocou uma certa turbulência local, já que estavávamos na iminência da disputa dos Jogos Olímpicos de Pequim. Mesmo assim, Guardian foi um “vendedor insistente e quer mostrar que seu peixe é o de melhor qualidade”.

E é nesta premissa que sustento o bom negócio produzido. Acredito que o veículo britânico tenha dado uma tacada certeira no quesito de construção de novos nichos. Ainda pouco visada pelo Ocidente, a China pode se transformar rapidamente na “galinha dos ovos de ouro da web”. Principalmente de ambientes noticiosos desesperados, como o New York Times.

Toda essa situação é apenas reflexo dos dados divulgados recentemente. Em janeiro deste ano, o país já registrava 298 milhões de pessoas conectadas a rede, o que já lhe credenciava como a nação com o maior número de internautas em todo o mundo, superando até os Estados Unidos.


mai 20 2009

A síndrome da ‘contra pro’ e o projeto de serviços pagos no Twitter

Tag: redesocial,tendencias,twitterRafael Sbarai @


Biz Stone não quer publicidade: o alvo do Twitter são as contas corporativas

A síndrome da ‘contra pro’ está chegando ao Twitter. Em entrevista a Reuters nesta terça-feira, Biz Stone – cofundador da ferramenta – revelou o interesse do serviço na criação de perfis profissionais pagos (contas pro ou premium) para empresas a partir de dezembro deste ano.

A priori, Biz Stone matou qualquer possibilidade de inserir publicidade no Twitter, já que não sustenta o aplicativo. O objetivo é estudar ainda mais quem está dentro da ferramenta social para saber se há necessidade e, eventualmente, retorno, para dar uma vida financeira segura e confortável.

Acredito que até o final do ano nós teremos algo por aí.

É óbvio que a chefia do serviço não pensa em lucros exorbitantes. O princípio é mostrar e dar como respostas a fenômenos participativos, como o Youtube, que é possível sim ter uma plataforma interessante com um negócio sustentável.

Acredito que o discurso de Stone seja válido e até se confirme mesmo no final deste ano. Há pouco tempo, o Twitter tratou de contratar de última hora um gerente de produto para centralizar toda essa nova questão.

A adição paga por serviços corporativos só deve simplificar o retorno de uma cultura que ronda diversos produtos da web: “a cultura do algo a mais”, alternativa frente a crise financeira para garantir sobrevivência. Em outubro passado, falei sobre a possibilidade do Twitter criar algo parecido. Agora, parece que o negócio é concreto.

E é na característica de oferecer coisas novas que a ferramenta busca atrair empresas. O Twitter não é bobo. Não lançará apenas uma “conta pro ou conta premium” corporativa.

Espero que sugira o pagamento por um serviço que trará recursos exclusivos, como por exemplo a visualização e retorno do tráfego detalhado de links que você distribui, como as pessoas chegaram até seu perfil, bem parecido com o que o Migre.me faz hoje, só um pouco mais sofisticado.

É bem o caminho que o Flickr e o Vimeo fazem hoje, com seus perfis pagos. O Flickr já possui o lance de conta “pro” há algum tempo. O Vimeo já tem há uns sete meses o Vimeo Plus. É um nicho restrito. Pode ter certeza. Mas, com o tempo, torna-se um cliente fiel.

Foto: Victoriano.


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