mai 22
O dia em que o Google quase comprou jornais
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A cutucada de Eric Schmidt: “jornais precisam ser mais inovadores”
Veio como uma avalanche a série de e-mails que recebi nesta quinta-feira a respeito do interesse do Google na aquisição de alguns jornais em todo o mundo. O fato, propagado no Twitter, foi rapidamente discutido e negado poucas horas depois por Eric Schmidt, CEO do Google.
Especulou-se ontem que a crise financeira que assola o mundo aumentaria o interesse do Google no mercado. Precisamente em busca de compras no setor noticioso.
O primeiro nome citado, é claro, foi o do New York Times. Boatos - não confirmados posteriormente – apostavam na compra de 20% de uma das maiores referências informativas de todo o mundo. Logo, NYT ficaria nas mãos de Google e Carlos Slim, mexicano ultramilionário.
E em pouco tempo, houve a réplica do site de buscas, com um discurso simples, duro e objetivo na hora de revelar sua opinião a respeito dos periódicos. “No momento, jornais são muito caros e estão com grandes dívidas”, avalia Schimdt.
O balde de água fria jogado pelo carro-chefe do Google mostra, ao mesmo tempo, duas percepções: como a imprensa adora lançar boatos a respeito de alguma aquisição envolvendo a marca (vide o caso Twitter) e como o ambiente começa a criar novas patas para alcançar um novo caminho. Agora, o informativo.

A alta-cúpula do Google vê na informação uma nova lacuna para garantir eventualmente monopólios, característica bem peculiar na rede mundial de computadores, além de ser um pensamento ‘quase’ schumpeteriano (o monopólio cria a inovação) (a inovação pode gerar monopólio).
E é neste sentido que vejo dedos e pitacos de um grande funcionário em específico na empresa: Hal Varian, um dos maiores nomes envolvendo o tema Economia da Informação. Desde 2002 na empresa, Varian é um dos autores do célebre livro A Economia da Informação, ao lado de Carl Shapiro.
O economista sabe muito bem fazer o meio campo acadêmico/profissional. Parte de um conhecimento prévio e fundamentado apenas para aplicar isso em seu cotidiano. Não à toa, o Google já produz há algum tempo serviços extremamente ligados ao jornalismo.
O último destes trabalhos é o GoogleNewsTimeline, que mostra uma linha do tempo sobre temas em específico. É só distribuir e produzir palavras-chave que o aplicativo te dá um histórico. O detalhe desta criação é que qualquer meio de comunicação noticioso online poderia produzir isso.
Mas quem o fez foi bem um nicho de buscas. Vai bem na linha de raciocínio de Schimdt. “Os jornais precisam ser mais inovadores”. O que não acontece realmente. Logo, descarto qualquer argumento que o Google não pretenda cruzar a linha entre tecnologia e conteúdo. Isso já foi feito faz tempo e poucos perceberam.
Foto: World Economic Forum.









maio 22nd, 2009 at
Rafael,
Só um esclarecimento. No trecho onde você cita o pensamento Schumpeteriano, dizendo que o monopólio cria a inovação.
Para deixar mais claro ao leitor. Schumpeter diz que não é o monopólio que cria inovação, e sim a busca pelo poder de monopólio. Ou seja, é a busca incessante do empresário por liderar um setor que faz ele inovar.
Bom, é isso.
Té! E Parabéns pelo Blog!
maio 22nd, 2009 at
@Diogo,
Sim. Você tem toda a razão. Por isso que coloquei um “quase” ali. Parto da premissa que Schumpeter dizia: “quanto mais tivermos o domínio de corporações, menos inovação teremos”.
Um trecho que já li há um certo tempo exemplifica bem o princípio que você destacou muito bem aqui.
“[O que importa é a] competição pelo novo produto, pela nova tecnologia, por uma nova fonte de abastecimento, por um novo tipo de organização… uma competição que afete não apenas as margens de lucro e a produtividade das firmas existentes, mas também suas fundações e suas vidas.”
Queria apenas chegar no fim das coisas. Um exemplo do Google. Sua busca incessante em construir a maior busca do mundo o fez inovar e, posteriormente, construir um monopólio na web. Para exemplificar, a inovação faz de um produtor buscar sempre a liderança, podendo chegar a um monopólio.
Mas pensando bem, a frase “a inovação pode gerar monopólio” é a mais pertinente, acho. Fica com mais sentido do que é schumpeteriano.
Obrigado pela sugestão e elogios.
Abraço!
maio 22nd, 2009 at
Diogo, obrigado por esclarecer, eu realmente não fazia ideia. Rafael, obrigado por complementar.
Eu vejo que o Google tem tanto poder, que mesmo a menor especulação pode ganhar grandes proporções na mídia.
maio 22nd, 2009 at
@Sylvio,
=), Obrigado.
julho 24th, 2009 at
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