Hulu quer se reinventar na web e começa a bater na mesma tecla que empresas de mídia. Mesmo com um princípio liberal que agrada empresas cinematográficas (Gregos) e pessoas viciadas em seriados (Troianos), um dos produtos de maior sucesso da News Corp. pode começar a cobrar por conteúdo online. #
Pelo menos é que Jonathan Miller, novo diretor de mídia digital do grupo, revelou. “Sim, não vejo problema algum. Isso deve acontecer um dia”, especulou Miller sobre a restrição do serviço que reproduz – de forma gratuita – filmes, seriados famosos de TV, além de clipes musicais. #
Sinceramente não confiei muito no argumento do sujeito. Pode até acontecer, mas não acredito no pagamento em todos os produtos de Hulu, por exemplo. #
Fiquei muito com a sensação de um velho ditado dito muitas vezes pelo ex-jogador Romário. “Tem gente que mal entrou no avião e já está querendo ficar na janelinha”. Miller é um ex-AOL e está na News Corp. desde março. #
Até o momento, o modelo de publicidade de Hulu é lucrativo. Apesar de ser um “case” de nicho, já que atende apenas ao público norte-americano, o espaço tem números relevantes e já ganhou muito mais que o Youtube, por exemplo. #
Cerca de 12 milhões de dólares se converteram em lucro líquido desde o seu nascimento, em 2007. Enquanto isso, o canal visual do Google segue em prejuízos. Mais de um milhão de dólares por dia. #
Hulu, então, começa a ingressar na política e discurso “mais do mesmo” de serviços informacionais da web. (Victor Keegan, do Guardian, alertou sobre o fechamento e pagamento por conteúdos na internet ontem mesmo). #
Desta vez, não considero como um tiro no pé, como havia dito com serviços musicais, como a Last.fm. O produto que Hulu oferece é bom, funciona, só ganha elogios a cada dia e é um ambiente virtual de nicho extremamente fiel. #
A necessidade de buscar eventuais novas rendas só confirma uma tendência que venho acompanhando: o dinheiro de publicidade na web não é suficiente. #
Está mais do que claro que a News Corp. quer complementar e, consequentemente, gerar mais receitas. Hulu começa a sentir que a publicidade por si só não sustenta o serviço, um dos que mais elogio hoje na web, ao lado de Spotify. #
Outra coisa que começa a preocupar a News Corp. é o progresso do serviço. Hulu atingiu um ponto de amadurecimento e, certamente, começa a sentir reflexos que o Twitter só vai perceber daqui alguns meses: a desaceleração do crescimento do produto. O próprio TechCrunch revelou ontem uma queda deste ritmo, mesmo salientando de sua força hiperlocal. #
Hulu é uma “criança mimada, precoce e dotada de grande inteligência” que deve se acostumar com a nova realidade frente a seu futuro. Entre os meses de abril de 2008 e 2009, por exemplo, cresceu cinco vezes mais. De 63 mi para 373 milhões de vídeos assistidos. A questão, agora, é saber encarar que está “chegando aos 18″, época da estabilidade. #
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