jun 10

A saída dos fundadores da Last.fm e o fim de uma identidade musical no serviço

Tag: redesocialRafael Sbarai @

O assunto saiu aqui, ali e foi bem comentado na tarde desta quarta-feira no Twitter. Felix Miller, Martin Stiksel e Richard Jones anunciaram – via blog – que estão deixando de controlar a Last.fm depois de longos e interessantes sete anos de dedicação e mudanças no sentido de ouvir músicas na web.

O trio que guiou e vendeu um produto de internet por 208 milhões de dólares há dois anos deixa a empresa no final de 2009 para se concentrar em novos projetos especiais. Provavelmente start-ups. A declaração é feita dias depois do segundo aniversário do acordo CBS-Last.fm.

O serviço, conhecido como uma das rádios online mais populares de todo mundo, será controlado pela CBS. A política, estrutura e novos caminhos serão ditados – de forma oficial – por uma das redes de TV e rádio mais importantes na história da comunicação norte-americana.

A CBS viu com grandes olhos o nicho construído por Last.fm. Em meio a volatilidade e instabilidade da popularização de ambientes de músicas, investiu e pagou nada mais que 400 milhões de reais por um bom produto na web.

A negociação – na época – foi tão alardeada que Last.fm tornou-se um dos maiores símbolos do que já consideraram de Web 2.0 (péssimo termo que acaba de ingressar no dicionário inglês, por sinal).

Por mais que seja alarmante e impactante a decisão, já era esperado tal anúncio. Não é de hoje o descontentamento de Miller, Stiksel e Jones. A imposição e redirecionamento criado após a venda gerou dúvidas entre seus fundadores. Tá na cara que a relação não era das melhores.

A questão, agora, é que Last.fm torna-se, cada vez mais, uma bola de neve de problemas.

No início do ano, a brasileira Graziela – única que dava suporte em português sobre o sistema – estava numa lista de cortes da empresa. Começou aí a derrocada. Dias depois houve o anúncio da restrição e cobrança por música ouvida, o que gerou grande indignação de usuários fiéis do sistema.

Há dois meses, o TechCrunch revelou que a CBS queria transferir informações dos usuarios de Last.fm para a RIAA (Recording Industry Association of America), entidade que defende com unhas e dentes o direito das gravadoras. Estas, por sua vez, estão apaixonadas agora por outro: Spotify.

Não há dados a respeito disso, mas ficou claro que houve uma migração para um ambiente de princípio inovador – um mix de  iTunes, Last.fm e Pandora – e aberto ao Brasil com um asterisco de restrição. Música não é um produto de cunho exclusivo na web.

Cada hora alguém está com a bola. Ontem, estava com Last.fm e Blip.fm. Hoje, a pelota está nos pés do Spotify.

Foto: Last.fm.

5 Responses to “A saída dos fundadores da Last.fm e o fim de uma identidade musical no serviço”

  1. Diego Camara says:

    E lá vamos nós, como sempre quem se dá mal são os usuários que tem que ficar pulando de galho em galho e perdendo seus dados.

    E lá irão no futuro minhas mais de 10 mil músicas do scrobble…

  2. Rafael Sbarai says:

    @Diego Camara,
    tem toda a razão.

    O usuário no quesito musical é o nômade virtual.
    Abraço

  3. Como o Facebook alcançou a popularidade do MySpace nos EUA e a corrida por registros de nomes | De Repente says:

    [...] caminho da saída dos fundadores da Last.fm, que falei na semana passada, não é novidade neste mercado. Em abril deste ano, Tom Anderson – [...]

  4. E o Kazaa voltou menos rebelde e mais Napster | De Repente says:

    [...] Brilliant Digital Entertainment, que detém os direitos do serviço musical e faz uma política do mais do mesmo quando se trata de músicas na web: serviço de assinatura que oferece música e toques de celular [...]

  5. A tipografia usada em logos de redes sociais e plataformas de conteúdo | De Repente says:

    [...] plataformas de conteúdo. O ambiente virtual faz uma lista de algumas plataformas, como o Twitter, Last.fm, Hulu e [...]

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