
Cinco meses depois de processos de experimentação – a famosa fase em Beta – a Fox confirmou, por meio de seu presidente, o início oficial do MundoFox, site que agrega e transmite de graça seriados e programas do grupo em alta definição e em streaming.
Segundo anúncio de Hernán Lopez, carro-chefe da empresa, capítulos completos de séries populares da TV, como Simpsons, 24 horas e Prison Break, estão no acervo. Para assistir, não há a necessidade de um cadastro.
A diferença do início do projeto – em fevereiro – para o atual cenário é a disponibilidade de um número maior de conteúdo. Mais capítulos, mais séries, mais desenhos. De 200 para 800 horas de programação na web. O suporte, mais uma vez, é monopolista. Provém do BrigthCove, o queridinho das mídias online.
O projeto, um dos mais interessantes visualizados em território brasileiro, é tão interessante que MundoFox já é considerado o Hulu da América Latina.
Desde o início do ano, a mídia especializada em tecnologia do exterior só rasga elogios ao Hulu, ambiente de seriados e filmes gratuitos completos restrito apenas aos Estados Unidos que tornou-se em março o 3º canal de vídeo mais acessado no país.
O princípio de Hulu é o mesmo do MundoFox: oferecer conteúdo de uma mídia tradicional na internet. Sem burocracia, sem intervalos comerciais extensos (publicidade inteligente e facultativa) e no momento que desejar. E com bons lucros. Hulu, por exemplo, faturou 12 milhões de dólares no ano passado, segundo a Folha. Muito mais que o Youtube, que nada em dívidas.
Durante a apresentação de MundoFox, Lopez garantiu que o ambiente é mantido único e exclusivamente por publicidade, embora não espalhe conteúdos comerciais que prejudiquem na hora da navegação. Para atrair fiéis telespectadores, usa uma arma poderosa e bem velha: a exclusividade.
Aos poucos, MundoFox vai usar do artifício do webisodes, episódios e seriados feitos especialmente para a veiculação na internet. A idéia não é nova e é ótima: a TV complementa a internet e vice-versa.
Toda essa movimentação e estrutura criada pela Fox mostra cada vez mais o rompimento de um paradigma dito por muitos na internet: a Velha Mídia sabe criar bons produtos web. Não sou ufano como Ali Kamel, diretor-executivo da Globo que disse no último dia 16: “a grande riqueza da internet, em termos de conteúdo, é produzida pelas chamadas mídias tradicionais”. Mas é necessário ser justo.
A questão, hoje, é saber se movimentar e não reinventar a roda. Tornar-se um político de boa vizinhança. E agradar, é claro, Gregos e Troianos.




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