
Fiz? Fim! #
FizTV, o canal independente, criado pelo grupo Abril em 2007, cuja iniciativa era promover um vínculo entre o conteúdo da internet e um canal de TV, chega tristemente a seu fim! Já tinha comentado aqui que o canal tinha uma ótima premissa: a de dar uma plataforma a realizadores independentes no Brasil para que seus vídeos estivessem em um site 100% brasileiro e ainda pagar pelo conteúdo que fosse eventualmente escolhido e/ou votado para passar em seu canal de TV a cabo (afinal de contas vídeo é algo que ainda é caro de ser feito apesar de a tecnologia viabilizar cada vez mais a qualidade do produto). #
Em nota no próprio blog, a Abril se pronunciou dizendo que encerrará a partir de 30 de junho de 2009 as atividades dos Canais Abril, o que inclui o FizTV e o Ideal (um outro canal de perfil mais empresarial/institucional) em função prioritariamente da “… dificuldade em romper uma barreira praticamente intransponível que existe no Brasil para a distribuição de canais pagos”. Traduzindo superficialmente: não foi possível entrar em acordo com a Globo para que o FizTV entrasse na programação da NET (empresa do Grupo Globosat). #

No meio do jogo de interesses quem fica sem opção é o espectador… só no Brasil mesmo #
A crise, claro, agravou a questão: a instabilidade financeira que o mercado das comunicações vem passando evita investimentos e trava iniciativas mais inovadoras. #
O pior de tudo é que o FizTV tinha tudo pra dar certo, repito: uma plataforma que incentiva a produção independente (e até mesmo amadora – o que tem tudo a ver com o clima de colaboração que reina sobre as comunicações) promovendo uma forte relação entre a interatividade da internet e a tradicional estrutura da Televisão com o compromisso acertado de pagar pelo conteúdo disponibilizado pelo usuário. Sensacional! #
Porém, na prática viu-se que a realidade é um pouco mais complicada: para tornar uma iniciativa como essa financeiramente viável era necessário torná-la mais interessante aos anunciantes -> para isso a audiência teria de ser expressiva -> para isso o conteúdo deveria ser interessante -> para atrair conteúdo de maior qualidade a janela deveria ter maior visibilidade (e ônus cada vez mais atraente) -> para uma estrutura mais aprimorada eram necessários contínuos investimentos -> dinheiro? Anunciantes! #
Até aí, o FizTV estava no caminho certo e rumo às estrelas, e talvez esse tenha sido o motivo de seu fim: inserido na lógica da TV tradicional o canal foi fortemente barrado pelos interesses da Globo e por alguns lobbys políticos que realmente só se materializam no Brasil. #
O ciclo no qual qualquer plataforma de comunicação de massa se insere acabou tornando o FizTV inviável: o crossover entre internet e TV se demonstra somente possível com a predominância dos interesses dos grupos da mídia mais tradicional, que apesar de perderem força econômica a cada ano, ainda contam com um forte respaldo político. #
E o que é preocupante: até agora o modelo de colaboração, que na mídia escrita mais tradicional vem dando passos sólidos e sustentáveis, no audiovisual ainda não achou uma rota certa de sucesso (antes que venha à cabeça: o Youtube representa um prejuízo de 1,6 milhões de doláres diários ao Google). #

The End #
Será que vai ser impossível unir uma plataforma bem estruturada, conteúdo audiovisual de qualidade disponibilizado pelo próprio usuário com uma contrapartida interessante para os envolvidos num modelo de negócios sustentável e lucrativo? #
O FizTV poderia ter sido a resposta para essa pergunta: preparado para um usuário-espectador (com o perdão da nova regra gramatical) mais participativo, conectado com o produtor independente que busca portas para seu trabalho e com uma proposta financeira eticamente correta (atribuir um valor monetário ao conteúdo produzido pelo usuário). E ele acabou. #
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