jun 30
#política e #engajamento no Brasil: pois ainda temos muito o que aprender com o Irã
A nossa geração sofre com a taxação de ser muito pouco engajada politicamente.
Espero descobrir que estou redondamente enganado e desinformado, mas essa afirmação não está muito longe da verdade. Nos últimos dez anos vimos escândalos catastróficos envolvendo desde o político mais pé rapado até o alto escalão da presidência (e os nomes legais das investigações da Polícia Federal). Máfias espalhadas pelo Brasil inteiro, deitando e rolando sobre o dinheiro público enquanto nossas repeitabilíssimas excelências rogam pela “moralidade da casa“.

Política
Quantas vezes já não ouvimos isso nos últimos anos? Agora, quantas vezes ouvimos: “político é preso após condenação na justiça“?
A opinião pública parece já não se abalar com as rotineiras denúncias de corrupção. E existe uma inversão de valores e troca de poderes: se o nome de um político aparece no jornal: sim, é corrupto (e merece ser preso) – mas é mais um, semana passada foi outro e na semana que vem aparece um novo. Ou seja, a mídia denuncia e de maneira automática e implícita condena, mas ninguém é efetivamente punido.
No Brasil, ser culpado ou não, para um político, já não faz a menor diferença. Presume-se que por ser político se é corrupto, e que isso é um pacto implícito entre a população e seus governantes. Quem é honesto, é no mínimo tachado; quem é corrupto, é visto como culpado, mas não perde nada com isso.
No entanto, nessa última sexta recebi um(a) hashtag no Twitter que me deixou pensativo. #forasarney é uma das iniciativas do protesto “Fora Sarney” pedindo a renúncia do Presidente do Senado – José Sarney – devido às denúncias de corrupção e uso indevido da verba pública por meio dos “atos secretos” do senado. Talvez essa visão geral de que o engajamento político deva ser sinônimo de protestos em praça pública com pedras de uma lado e balas de borracha de outro esteja um tanto quanto desatualizada. O pequeno movimento no twitter (a rede social atinge apenas 0,2% da população brasileira) juntou assinaturas e mobilizou os usuários da comunidade a pelo menos “aderir à causa” de forma virtual.
A iniciativa é simbólica, sem dúvidas, e não indica que os retwitteiros estão realmente a par do que acontece no senado. Mas o movimento mostra que mesmo em tempos de abstenção política do brasileiro existe pelo menos a vontade de promover a denúncia e a reflexão. Vontade essa oriunda de setores da sociedade que não necessariamente a imprensa tradicional.

Engajamento
O Twitter só é uma ferramenta política promissora enquanto a vontade por um país decente e digno existir em sua população. Espero que não necessitemos de um Mahmoud Ahmadinejad brasileiro para virar exemplo de articulação e engajamento mundo afora.
Fotos em CC do Flickr.









junho 30th, 2009 at
Infelizmente o único engajamento que existe entre os brasileiros é o engajamento esportivo! Temos como comprovação a rashtag do último domingo (28/06) em resposta às provocações do ator americano Ashton Kutcher em face da derrota da seleção brasileira diante da americana.
Dá até para entender essa mentalidade brasileira, já que foram muitos anos de manipulação dos governantes, através da mídia corrupta e oportunista que temos, utilizando esse esporte como os cesares romanos usavam o circo e o pão. Mas aqui só temos o circo; o pão falta a todos!
Nosso povo é um povo passivo, idiotizado e culturalmente de moral corrupta. Não pedem condenação aos políticos corruptos porquê veem isso como normal e até fariam a mesma coisa se na condição deles estivessem.
Infelizmente não há mais solução para isso!
Lex Aleksandre
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junho 30th, 2009 at
@Lex Aleksandre
Acho bastante problemático fazer generalizações desse tipo. Isso implica numa suposta perversidade desse povo que incapaz de alimentar-se ainda negligencia o comando de seu país.
Apesar de não ser um grande fã da cinematografia da década de 60, existe um filme clássico cubano chamado “Memórias do subdesenvolvimento” que retrata de uma forma muito interessante a realidade política dos países de 3o mundo: ‘não temos memória’. Essa frase pra mim é uma síntese da relação do brasileiro com seu processo político, ainda hoje, 40 anos depois.
O problema é que esquecemos! Todos nós! Não só o ‘povo pobre e burro’. E para isso, desculpe-me mas existe solução sim!
Enfim, essa é uma discussão que vai muito, mas muito longe!
Só sugiro cuidado ao dizer que ‘nosso povo é um povo passivo, idiotizado e culturalmente de moral corrupta’. Com isso, você também está incluso.
junho 30th, 2009 at
A princípio, pode até parecer que o #chupa foi uma “iniciativa tola e efêmera”, mas fiquei impressionada em como movimentou as coisas… O #forasarney, por mais que muitos o façam sem estar a par de tudo o que acontece, também já mostra que, ao menos, se está falando sobre. Concordo com o Nikolas: “Mas o movimento mostra que mesmo em tempos de abstenção política do brasileiro existe pelo menos a vontade de promover a denúncia e a reflexão.”
junho 30th, 2009 at
[...] Falta engajamento no Brasil? O Nikolas pensa que sim – eu e você concordamos – e acredita que poderiamos aprender um pouco com o Irã. [...]
junho 30th, 2009 at
@Erika Neves
Muita gente escreveu sobre isso hoje, achei muito interessante! É um tema complexo… política sempre é! Mas precisamos discutí-la. E na internet temos um bom canal para isso.
Falta interesse no entanto…
junho 30th, 2009 at
Sim, complexo sempre é – aliás, nossa realidade anda por demais complexa. E é justamente por isso que também achei bem interessante que pelo menos política comece a ser debatida de alguma forma. Chega de falar apenas: “ah, político é tudo igual mesmo”… cada vez as coisas vão piorando… Mas é bom que as pessoas comecem a se movimentar e se unir – ainda que virtualmente; é um primeiro passo.
julho 2nd, 2009 at
Essa falta de envolvimento político da nossa geração é resultante de falhas no processo democrático. Ao reeleger pessoas comprovadamente corruptas, a maioria da população demonstra que, no mínimo, é politicamente ignorante e quem defende a honestidade acaba se sentindo impotente e desestimulado a se envolver concretamente. Aí entram as novas mídias, como um canal de defesa da justiça sem demandar um comprometimento de tempo das pessoas. Não que eu acredite que existe um processo melhor que a democracia, mas há uma interação negativa entre a política e interesses econômicos particulares que se retroalimenta.
julho 6th, 2009 at
@ Erika
O assunto é complexo, sim. Mas na minha opiniao nossa realidade ultimamente tem sido esvaziada de complexidade, na minha opinião. As pessoas se reduziram a tags de busca no google e o conhecimento a tópicos de informação na Wikipedia.
Pelo fato de as coisas serem tão planas, tão superficiais, talvez se dê o motivo das pessoas não quererem se dar ao trabalho de discutir a realidade politica de nosso país.
Quando disuctimos é pautado em tópicos soltos de notícias de jornal.
Infelizmente, me incluo nessa crítica.
julho 6th, 2009 at
@ Laura
Acho que outro problema complicado é transformar política numa questão muito maniqueísta. Existem, de fato, muitas ‘forças atuantes’ que determinam muitas decisões no sistema politico de um país. O que é importante – e pra isso que eles servem – é que os representantes eleitos tenham prioridades definidas para tomas suas decisões e defendam os interesses primeiramente do bem popular.
Empresas com ‘agenda’ existem em qualquer país do mundo… seus interesses, no entanto deveriam ser ponderados de acordo com o bem comum… mas aí entra a corrupção mais uma vez… e nós ficamos sem representantes e pagando impostos para encher os bolsos de indivíduos cujas ações, feitas num âmbito desde minimo até gigantesco têm respercursão sempre catastrófica para o bem do pais.