A nossa geração sofre com a taxação de ser muito pouco engajada politicamente.
Espero descobrir que estou redondamente enganado e desinformado, mas essa afirmação não está muito longe da verdade. Nos últimos dez anos vimos escândalos catastróficos envolvendo desde o político mais pé rapado até o alto escalão da presidência (e os nomes legais das investigações da Polícia Federal). Máfias espalhadas pelo Brasil inteiro, deitando e rolando sobre o dinheiro público enquanto nossas repeitabilíssimas excelências rogam pela “moralidade da casa“.

Política
Quantas vezes já não ouvimos isso nos últimos anos? Agora, quantas vezes ouvimos: “político é preso após condenação na justiça“?
A opinião pública parece já não se abalar com as rotineiras denúncias de corrupção. E existe uma inversão de valores e troca de poderes: se o nome de um político aparece no jornal: sim, é corrupto (e merece ser preso) – mas é mais um, semana passada foi outro e na semana que vem aparece um novo. Ou seja, a mídia denuncia e de maneira automática e implícita condena, mas ninguém é efetivamente punido.
No Brasil, ser culpado ou não, para um político, já não faz a menor diferença. Presume-se que por ser político se é corrupto, e que isso é um pacto implícito entre a população e seus governantes. Quem é honesto, é no mínimo tachado; quem é corrupto, é visto como culpado, mas não perde nada com isso.
No entanto, nessa última sexta recebi um(a) hashtag no Twitter que me deixou pensativo. #forasarney é uma das iniciativas do protesto “Fora Sarney” pedindo a renúncia do Presidente do Senado – José Sarney – devido às denúncias de corrupção e uso indevido da verba pública por meio dos “atos secretos” do senado. Talvez essa visão geral de que o engajamento político deva ser sinônimo de protestos em praça pública com pedras de uma lado e balas de borracha de outro esteja um tanto quanto desatualizada. O pequeno movimento no twitter (a rede social atinge apenas 0,2% da população brasileira) juntou assinaturas e mobilizou os usuários da comunidade a pelo menos “aderir à causa” de forma virtual.
A iniciativa é simbólica, sem dúvidas, e não indica que os retwitteiros estão realmente a par do que acontece no senado. Mas o movimento mostra que mesmo em tempos de abstenção política do brasileiro existe pelo menos a vontade de promover a denúncia e a reflexão. Vontade essa oriunda de setores da sociedade que não necessariamente a imprensa tradicional.

Engajamento
O Twitter só é uma ferramenta política promissora enquanto a vontade por um país decente e digno existir em sua população. Espero que não necessitemos de um Mahmoud Ahmadinejad brasileiro para virar exemplo de articulação e engajamento mundo afora.
Fotos em CC do Flickr.




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