Para diversificar um pouco nosso conteúdo fazemos eventualmente entrevistas com colegas da área de tecnologia na internet. Dando continuidade a essa iniciativa, conversei Tayra Vasconcelos, analista de Redes Sociais na Playtwo Advertainment e editora-assistente e responsável pela área de publicidade no blog Judão. Especialista em o que se considera Mídias Sociais, Tayra vem com projetos focados em campanhas, na internet, de lançamento de filmes. #
Atualmente ela é responsável pela divulgação na internet da produção britânica “Juízo Final” e há alguns meses trabalhamos juntos na campanha de divulgação de “Apenas o Fim”: eu, a Julia Ramil (produtora do filme) e o pessoal da Morena Filmes organizamos a campanha, pensada exclusivamente para a internet e convidamos a Tayra para administrar o nosso twitter (com resultados muito legais, por sinal!). #

Da esquerda pra direita: Marina Santa Helena (Chiqueiro Chique), Joana Dambros (Sim Viral), Tayra Vasconcelos (Cena Brasilis/Judão), Gabriela Bianco (Casa da Gabi) e André Ceciliato (Pérolas com Cuspe) – todos da Dudinka Social Media – envolvidos no WCG 2008, no qual aconteceu um campeonato de Pro Evolution Soccer só entre blogueiros
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Para facilitar a leitura, dividi a entrevista em dois posts; o próximo estará no ar semana que vem. Mas deixo avisado: vale a pena conferir a entrevista do começo ao fim: a Tayra tem insights muito interessantes sobre o nosso entendimento de Mídias Sociais e sobre os trabalhos que vêm sendo feitos no meio. Com muita simpatia e autoridade ela nos dá uma aula e deixa claro porque já é uma das referências hoje no Brasil nesse tipo de trabalho. #
1- Pra começar: Tayra, como podemos definir o que é uma Mídia Social? #
Vamos lá. “Mídia Social” é algo totalmente distinto da “Mídia Tradicional” e acabou se formando baseado no sonho de todo publicitário, desde o começo do século XX, que é que seu produto ganhe o público através do boca-a-boca. Baseadas em muitas pesquisas, foi notando-se que as pessoas dão muito mais importância para o amigo, o vizinho, o primo que comprou uma TV bacana e falou bem do produto do que a propaganda na TV estrelada pela Xuxa ou pela Ivete Sangalo. #
Aí começou-se a pensar numa maneira mais eficaz e barata de levar o produto ao seu público e decidiram começar a investir na Mídia Social. Esse tipo de mídia se volta para as diversas plataformas de rede social existentes e, de acordo com o produto, como pode se abordar a ação nessas diversas redes. No Brasil, ainda a rede social mais popular é, de longe, o Orkut, e a imensa maioria dos trabalhos com Mídia Social passa por ele. Usa-se também blogs, Twitter, MySpace, Flickr, Facebook etc. Tudo vai depender muito do que se encaixa na proposta da ação. #
2- Quem é o profissional que atua hoje em dia nas redes sociais? Qual o perfil dele? Existe um futuro promissor, ou estamos falando de uma onda que eventualmente vai ser substituída por outra e assim por diante? #
A Mídia Social, no Brasil, ainda está muito voltada para o universo da blogosfera. Por isso, na maioria dos casos, as pessoas que trabalham nessa área, são blogueiros de influência, e de um tempo pra cá, esse leque também tem se aberto para pessoas com influência no Twitter. Então, basicamente, os profissionais de Mídia Social hoje são blogueiros e twitteiros, que acabaram transformando um hobby virtual em profissão. Conheço gente que trabalha na área com formação em publicidade, mas há também jornalistas, pessoas sem nenhum tipo de formação acadêmica e também gente com formação nas áreas mais bizarras como Biologia, Gastronomia, Arquitetura etc. #
O profissional dessa área tem que gostar das novidades desse universo, estar sempre interado e um passo a frente em relação ao que está acontecendo na internet. Tem que ter um bom trato com público, pois seu trabalho é, basicamente, se relacionar com os outros – seja através de blog, Orkut, Twitter etc. #
Quanto ao futuro da área, eu, particularmente, acho que essa é uma área muito nova, e exatamente por ser nova, existe ainda muita experimentação. Tem coisas funcionando, tem coisas dando muito errado. Em 2008 houve um boom de surgimento de agências dessa área, assim como também, as agências de mídia tradicional foram atrás ou de montar uma área de mídia social dentro delas ou então de terceirizar esse trabalho com agências especializadas nisso. #
E justamente por ser uma área nova, e os profissionais que trabalham com isso não terem uma formação muito especializada, tem muita gente batendo cabeça e fazendo coisas completamente equivocadas. Porém, tem também uma galera que tá acertando a mão e fazendo um monte de ação bacana. Há algumas posturas nessa área como os publieditoriais e as twittadas patrocinadas, que eu, particularmente, não acredito e não vejo futuro, mas é um caminho mais “fácil” e muitos tem seguido por aí, mesmo que isso não se reverta em resultado real para o cliente: é mais fácil mostrar um impacto da ação que através de números, que muitas vezes, não são efetivamente reais. #
Até por conta dessas políticas equivocadas, ou por falta de conhecimento na área, muitas agências acabaram se desencantando com a Mídia Social e em 2009 já dá pra ver uma queda nesse mercado, em relação a 2008. Mas eu ainda acredito muito que essa seja uma área que pode crescer muito. #

No WCG Rafael Zottezzo (Blog MMO) e Thiago Borbolla (Não tão gamer/Judão) – a importância do relacionamento entre blogueiros na metáfora de uma partida de games
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3 – Quais são os perfis de utilização dessas ferramentas digitais (twitter, orkut etc) como forma de divulgar um produto? O que pensar e esperar de resultados na hora de atacar as mídias sociais? Ainda é possível inovar nas formas de utilizá-las? #
Então, dependendo da ação, do produto e outros fatores, você vai pensar qual é a plataforma que vai ser utilizada. Ano passado, a agência onde eu trabalhava fez uma ação de lançamento de um celular onde o ponto forte do produto era a câmera fotográfica. Portanto, fizemos uma ação totalmente voltada para o Flickr, onde as pessoas poderiam divulgar as fotos tiradas com o novo celular. Outro exemplo que trabalhamos ano passado, foi o Planeta Terra Festival e aí focamos em blogs voltados para música, um Twitter onde divulgávamos as bandas que tocariam, o set-list das mesmas e, pela primeira vez nessa área, fizemos uso do Blip.fm, uma vez que era uma ação totalmente voltada para música e que cabia como uma luva fazer uso dessa plataforma – foi um verdadeiro sucesso. #
Tudo vai depender do produto e da ação. E cada uma dessas plataformas, tem um perfil de usuário bem definido, então precisamos ver o que casa com a sua proposta antes de bolar sua estratégia. #A maneira de mensurar resultados é muito controversa. Não existe consenso. Ainda foca-se muito em audiência de blogs, quantidade de followers no Twitter, número de membros de uma comunidade do Orkut e por aí vai – parte-se desses números base. Depois que a ação começa, medimos desde a quantidade de comentários que um post deve, o número de pessoas que retwittou uma postagem, a quantidade de respostas num tópico do Orkut etc. #
E eu acho que é sempre possível inovar, sempre. Desde o uso de plataformas distintas até a maneira de abordar a ação numa plataforma já muito utilizada. Tudo vai ficar a cargo de seu enfoque e da sua perspicácia diante da ação. #
Continua… #
A entrevista continua semana que vem! Conversaremos sobre impessoalidade na hora de usar ferramentas focadas no indíviduo pra divulgar um produto e a Tayra vai nos fazer um painel de iniciativa legais no Brasil e dar dicas para que tem interesse em usar as mídias sociais de maneira consicente e efetiva na hora de montar uma campanha ou até mesmo uma ação mais pontual. #
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