Um Washington Post mais centralizador e menos distribuído

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O Washington Post entrou na fila das publicações que produzem cartilhas em redes sociais e divulgou, nesta segunda-feira, uma lista para controlar o uso de ferramentas sociais participativas por seus jornalistas. Com um caráter centralizador rígido, WP é mais um que começa a se perder ao não querer distribuir informação. #

O veículo enviou no início desta semana uma espécie de instruções aos seus profissionais pedindo para não comentar na rede processos internos, negócios ou novos produtos com a preocupação que as mensagens produzidas por seus jornalistas não sejam “mal interpretadas” e disseminadas rapidamente em nichos sociais. #

Washington Post é mais um exemplo de como uma empresa de comunicação insiste em andar na contramão e, ao invés de distribuir conteúdo e produzir um efeito de uma pedra jogada na água – o Ripple Effect – centraliza sua informação em apenas um único espaço: seu “site oficial de notícias”. Eis um trecho do que mostra na cartilha: #

Quando as redes sociais são utilizadas para trabalhar de modo pessoal, devemos recordar que jornalistas do Washington Post são sempre jornalistas do Washington Post. #

Este tipo de argumento é um grande tiro no pé. Uma pessoa que acompanha um jornalista por suas produções profissionais  quer acompanhar as leituras, os gostos, anseios, críticas do jornalista nas redes sociais…  Ela só é leitora do WP quando acessar o site ou lê o impresso. Simplesmente uma mão única. #

A espécie de cartilha propagada cabe às plataformas sociais de grande participação do público, deste Twitter a MySpace, Linkedin e Facebook. Portanto, uma única direção de distribuição – e de forma autoritária – em vários caminhos. #

Tá na cara que a publicação zela por algo que tornar-se-á (se já não tornou) comum entre palestrantes e consultores de mídia: reputação, julgamento de valor, avaliação e, consequentemente, confiança. Logo, renunciam por práticas de humanização para manter o conservadorismo corporativo. #

Washington Post, soma-se então, aos casos de ESPN, Bloomberg e AP, no exterior, além de Globo e Folha de São Paulo aqui no Brasil. Todos, sem exceção, estão na mesma linha de restrição de conteúdo e fim de distribuição informacional. Nestes exemplos, o leitor ainda terá que ir até o veículo. A publicação, ao invés de ser apenas um nó a mais na rede, ainda pensa em ser o centralizador. #

Foto: Krossbow #

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  • Nandinha

    Mas se eles andam na contramão, quem anda hoje pra frente na comunicação?

    Legal sua crítica.

  • http://derepente.com.br Rafael Sbarai

    @Nandinha,

    Muitas startups andam pra frente. Na verdade, correm.

    Segmentando esta virtude ao grupo de comunicação, vejo com bons olhos as movimentações que acontecem no New York Times, por exemplo. Desde a criação de novas narrativas jornalistas às suas movimentações em rede.

    Gosto também do trabalho que a US Weekly faz em plataformas sociais. Vale a pena dar uma olhada.

    Obrigado!

  • http://www.uarevaa.com Rafael Rodrigues

    Bacana o texto. Mas o que o WP fez não é nenhuma surpresa e é uma reação bem comum de empresas que se deparam com algo que não podem controlar. O problema dos veículos de comunicação (americanos, pelo menos, mas os meios brasileiros não são muito diferentes) é que eles não querem informar, e sim CONTROLAR informação. Com esse pensamento, é comum que se apavorem com uma forma de divulgação de notícias cujo resultado seja imprevisível. E, se é imprevisível, não dá pra controlar, e se não dá pra controlar, tem que ser parado. E então tentam essas táticas do arco da velha que, a rigor, são apenas paliativas, mas não há muito mais que isso que eles pudessem fazer pra tentar resolver o “problema”.

    Particularmente, acredito que estamos passando por um momento interessante nos meios de comunicação, em que vai ficar cada vez mais difícil controlar informação. Por um lado, isso é muito bom, mas como tudo na vida, terá seus pontos negativos. Mas é a evolução da comunicação, e se tem uma coisa que eu aprendi nos meus anos de vida é qeu você pode impedir qualquer coisa, menos a criatividade humana (e por extensão a evolução da tecnologia)

  • http://oimperador.wordpress.com Júlio

    O que todo mundo esquece é que, antes de tudo, os jornais citados são empresas. O cara falar de como ser jornalista, ok. Agora o cara ficar antecipando furos, aquisições e afins, não dá. Seria burrice aceitar isso. E é burrice esperar que as empresas liberem seus profissionais para esse tipo de informação.

    Eu não entendo esse tipo de crítica. Porque um manual é uma sugestão ao profissional e pratica comum nos veículos de imprensa.

  • http://derepente.com.br Rafael Sbarai

    @Rafael,

    a questão que entra neste debate é controlar a informação gerada por jornalistas em plataformas sociais.

    Saber distribuir informação na rede é algo bem positivo em questão de tráfego. 8% do tráfego do Daily Telegraph provém de redes extremamente participativas – http://www.guardian.co.uk/media/pda/2009/sep/18/oxford-social-media-convention-2009-journalism-blogs.

    É o fim do centralizar e o início do meio noticioso ser apenas mais um nó =).

  • http://derepente.com.br Rafael Sbarai

    @Julio,

    O que você diz é questão de bom senso. O próprio Luciano Huck, apresentador da Rede Globo, disse isso a mim durante uma entrevista em VEJA – http://derepente.com.br/2009/09/25/quando-as-celebridades-nao-sabem-lidar-diretamente-com-o-publico-na-web/

    Está implícita a questão de antecipar furos, fazer críticas alheias sem respeito… Enfim, isso já está no manual de cada um que ingressa às plataformas sociais.

    Só que, em algumas empresas de comunicação, esta cartilha acaba com a premissa de distribuir conteúdo de um ambiente informacional em vários outros espaços. A disseminação de conteúdo fica apenas ao acessar o site x ou y. Não chega até você. Você acaba chegando a ele. +)

    Abraço!

  • http://dialetica.org/marmota andre marmota

    Rafa, viu isso aqui? http://mashable.com/2009/09/28/nba-social-media-policy Além da questão envolvendo controle da informação, essa preocupação também pode ser interpretada a partir de argumentos de mercado, não? Abraços!

  • http://derepente.com.br Rafael Sbarai

    @Andre Marmota,

    Fala André!

    Não tinha visto este link, mas você tem toda razão. Pra mim é um mix do que você mesmo diz.

    Abraço!