
A rádio pública norte-americana NPR é mais uma empresa jornalística a produzir uma espécie de cartilha de uso de redes sociais a seus jornalistas. Há alguns dias, a emissora destacou em seu blog – com uma certa flexibilidade – a decisão de elaborar um guia “aberto” de comportamento de seus funcionários em plataformas populares, como Facebook e Twitter.
NPR junta-se a Washington Post, ESPN, Bloomberg e AP, no exterior, e Globo e Folha de São Paulo, no Brasil, no quesito de publicações que produzem manuais às redes sociais.
Sem características rigorosas semelhantes a do jornal Washington Post, mas com um critério e princípios de conselhos, NPR deixa explícito sua intenção de ter jornalistas distribuídos em rede, mas zelando pela isenção e imparcialidade durante a participação em ambientes virtuais sociais.
As plataformas digitais tornaram-se uma nova forma de obter-se uma conexão com seus ouvintes. Vamos manter esta postura, mas sem causar danos a credibilidade a NPR.
Logo, antes de ser pessoa comum inserida a uma plataforma social, o jornalista da prestigiosa rádio pública dos Estados Unidos é um funcionário que usa e produz práticas em redes sociais para usar seu ouvinte: aproximação com um asterisco de auto-interesse de Adam Smith.
A explicação pela criação do guia é até engraçada: NPR cita e ressalta a questão envolvendo a diferença entre “vida pública e vida privada”, já que em ambientes virtuais como o Twitter, a informação circula-se rapidamente, exemplificando na Teoria do Ripple Effect, quando uma pedra é jogada na água e produz uma onda por tal movimento.
Questões religiosas e políticas, maiores preocupações de publicações, não podem ser propagadas em redes. Logo, uma pessoa que acompanha um jornalista por suas produções profissionais tem a intenção em acompanhar as leituras, os gostos, anseios, críticas do jornalista nas redes sociais.
Ela só é ouvinte da NPR quando acessar o site ou mesmo sintonizar a emissora em rádio. Simplesmente uma mão única que não gera distribuição de informação e dá um caráter mais centralizado e totalitário. Ao invés de ganhar novos adeptos e possiveis fiéis ouvintes, você padroniza quem o ouve.
Características que estão descartadas no perfil de William Bonner, por exemplo. É difícil medir se o índice de audiência do Jornal Nacional cresceu com a aparição do jornalista no Twitter, mas percebe-se que ele se descobriu na ferramenta: consegue atrair quem o não conhecia simplesmente por dividir sua tarefa ou pedir sugestões aos seus mais de 100 mil seguidores: princípio de humanização bem-feito que produz um grande retorno e provoca uma conversa em duas mãos.



