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Minhas impressões sobre o Nokia Camp 2009

Quem me conhece ou acompanha o blog há algum tempo percebe que dificilmente falo aqui sobre um gadget, aparato tecnológico – seja celular ou computador – com um critério mais específico ou um tom de review crítico. Não tenho essa arte. Minha intenção sempre foi retirar destes suportes mecanismos para promover ou tentar entender o modo de comportamento do ser humano, que se modela a partir do desenvolvimento vertiginoso da tecnologia.
E foi com essa premissa que participei da segunda edição do Nokia Camp, realizado neste sábado, em São Paulo. O evento, que contou com apresentações das 10h às 18h no Espaço Wynn, na Berrini, reuniu formadores de opinião, blogueiros, jornalistas e muitos entusiastas por gadgets. Na parte da manhã, houve uma desconferência com um público restrito de pessoas, sendo que às 14h o evento foi aberto para jornalistas e afins.
A maioria dos blogs presentes, provavelmente, vai enaltecer sobre o N900, aparelho que foi apresentado Pekka Somerto, vice-presidente global de Marketing digital da empresa. No meu caso, propago as conversas que tive com Somerto e Edmar Bulla, gerente de Marketing Digital da Nokia no Brasil.
Sempre questionei – de forma veemente – o número de aquisições “sociais” que a Nokia proporcionou nos últimos meses. Em setembro, por exemplo, foi a vez da Dopplr, rede social voltada a viajantes. Desde 2006, a empresa finlandesa busca comprar plataformas de nicho para fortalecer sua estratégia de convergência do móvel com o que é social. Praticamente um Murdoch dos celulares.

E foi neste tom meu primeiro bate-papo com Somerto, VP global da marca. O finlandês, com uma frase de efeito, me rebateu rapidamente: bateu na tecla de ubiquidade, princípio que a Nokia já tenta introduzir ao mercado e, pelo jeito, está à frente de todos os seus concorrentes.
A Nokia busca permitir que as pessoas sejam o que são em qualquer lugar e da forma que buscam ser.
A ubiquidade, porém, necessita de flexibildade, dois dos princípios que mais valorizo ao Facebook, por exemplo. E no quesito elástico, sinceramente acredito que a Nokia esteja devendo, mesmo que tenha um cárater interessante de social localtion e não de social networking. Com a palavra, Edmar Bulla.
A Nokia desenvolve produções de interesses pessoais. A partir de uma estratégia OVI (centralizada), vamos buscar sim situações de social location. Este é o norte da empresa.
No N97, aparelho carro-chefe da marca até o momento, você acaba sendo um refém de aplicativos pré-instalados, por exemplo. A Nokia, ao invés de pensar de forma distribuída, prefere a centralização e define o que é pertinente ou não ao usuário.

Todo e qualquer aplicativo desenvolvido por terceiros passa por um processo de homologação da Nokia. A empresa que define a pertinência do serviço e não o usuário. A decisão, infelizmente, vem de cima pra baixo. Mesmo assim, possuem no Brasil um evento com mais cara de Hack Day. Chama-se Concurso Nacional de Desenvolvimento de aplicativos para aparelhos Nokia.
Sobre a aquisição de diversas redes sociais específicas de nicho, Bulla explicou que todas essas plataformas já estão em uso no exterior, mas no Brasil nenhum dos produtos ainda está em funcionamento.
Outra grande supresa pessoal ao mexer no N97 foi a visualização de widgets da AP e Bloomberg, duas das empresas jornalísticas mais sisudas no momento. Há alguns meses, ambas produziram cartilhas totalitárias de restrições às redes sociais por seus jornalistas. Ou seja, começam a andar na contramão.
No mais, foi bom reencontrar pessoas que respeito bastante, como Wagner Fontoura, Rafa Rigues, Henrique Martin e Pedro Burgos. O Henrique, por sinal, até me ensinou o conceito de mídia anti-social. De quebra, lembrei que ele começa a viver o Culto da velocidade, tema do livro de Carl Honoré que foi lançado há pouco tempo.
Caso queira acompanhar mais sobre o evento, busque a hashtag #nokicamp09.
Foto: Meu celular (1ª) e Silvio Tanaka (2ª e 3ª).
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outubro 25th, 2009 at
Bem legal a crítica do seu blog.
A nokia é uma grande empresa e deve pensar sim em distribuição de mídia.
Eles falaram algo sobre Linux?
Parabéns.
outubro 26th, 2009 at
@Lu,
A Nokia é uma empresa bacana e desde as aquisições de nichos sociais começo a olhar com mais atenção seus serviços.
Sobre o Linux, pelo que fiquei sabendo o N900 (novo aparelho deles) roda o sistema operacional.
obrigado.
outubro 26th, 2009 at
Ai, eu gostei deste n97. quero muito pra mim.