Quem me conhece ou acompanha o blog há algum tempo percebe que dificilmente falo aqui sobre um gadget, aparato tecnológico – seja celular ou computador – com um critério mais específico ou um tom de review crítico. Não tenho essa arte. Minha intenção sempre foi retirar destes suportes mecanismos para promover ou tentar entender o modo de comportamento do ser humano, que se modela a partir do desenvolvimento vertiginoso da tecnologia. #
E foi com essa premissa que participei da segunda edição do Nokia Camp, realizado neste sábado, em São Paulo. O evento, que contou com apresentações das 10h às 18h no Espaço Wynn, na Berrini, reuniu formadores de opinião, blogueiros, jornalistas e muitos entusiastas por gadgets. Na parte da manhã, houve uma desconferência com um público restrito de pessoas, sendo que às 14h o evento foi aberto para jornalistas e afins. #
A maioria dos blogs presentes, provavelmente, vai enaltecer sobre o N900, aparelho que foi apresentado Pekka Somerto, vice-presidente global de Marketing digital da empresa. No meu caso, propago as conversas que tive com Somerto e Edmar Bulla, gerente de Marketing Digital da Nokia no Brasil. #
Sempre questionei – de forma veemente – o número de aquisições “sociais” que a Nokia proporcionou nos últimos meses. Em setembro, por exemplo, foi a vez da Dopplr, rede social voltada a viajantes. Desde 2006, a empresa finlandesa busca comprar plataformas de nicho para fortalecer sua estratégia de convergência do móvel com o que é social. Praticamente um Murdoch dos celulares. #
E foi neste tom meu primeiro bate-papo com Somerto, VP global da marca. O finlandês, com uma frase de efeito, me rebateu rapidamente: bateu na tecla de ubiquidade, princípio que a Nokia já tenta introduzir ao mercado e, pelo jeito, está à frente de todos os seus concorrentes. #
A Nokia busca permitir que as pessoas sejam o que são em qualquer lugar e da forma que buscam ser. #A ubiquidade, porém, necessita de flexibildade, dois dos princípios que mais valorizo ao Facebook, por exemplo. E no quesito elástico, sinceramente acredito que a Nokia esteja devendo, mesmo que tenha um cárater interessante de social localtion e não de social networking. Com a palavra, Edmar Bulla. #
A Nokia desenvolve produções de interesses pessoais. A partir de uma estratégia OVI (centralizada), vamos buscar sim situações de social location. Este é o norte da empresa. #No N97, aparelho carro-chefe da marca até o momento, você acaba sendo um refém de aplicativos pré-instalados, por exemplo. A Nokia, ao invés de pensar de forma distribuída, prefere a centralização e define o que é pertinente ou não ao usuário. #
Todo e qualquer aplicativo desenvolvido por terceiros passa por um processo de homologação da Nokia. A empresa que define a pertinência do serviço e não o usuário. A decisão, infelizmente, vem de cima pra baixo. Mesmo assim, possuem no Brasil um evento com mais cara de Hack Day. Chama-se Concurso Nacional de Desenvolvimento de aplicativos para aparelhos Nokia. #
Sobre a aquisição de diversas redes sociais específicas de nicho, Bulla explicou que todas essas plataformas já estão em uso no exterior, mas no Brasil nenhum dos produtos ainda está em funcionamento. #
Outra grande supresa pessoal ao mexer no N97 foi a visualização de widgets da AP e Bloomberg, duas das empresas jornalísticas mais sisudas no momento. Há alguns meses, ambas produziram cartilhas totalitárias de restrições às redes sociais por seus jornalistas. Ou seja, começam a andar na contramão. #
No mais, foi bom reencontrar pessoas que respeito bastante, como Wagner Fontoura, Rafa Rigues, Henrique Martin e Pedro Burgos. O Henrique, por sinal, até me ensinou o conceito de mídia anti-social. De quebra, lembrei que ele começa a viver o Culto da velocidade, tema do livro de Carl Honoré que foi lançado há pouco tempo. #
Caso queira acompanhar mais sobre o evento, busque a hashtag #nokicamp09. #
Foto: Meu celular (1ª) e Silvio Tanaka (2ª e 3ª). #
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