Quem me acompanha no blog já percebeu o lado cético e de reflexão que tenho desempenhado para unir aqui características da cultura digital, comportamento do ser humano, tecnologia e jornalismo. Há algumas semanas, fiz isso no “resumo” no Nokia Camp, falando sobre a necessidade de ubiquidade social móvel da empresa.
Neste final de semana, não foi diferente. Retiro apenas um excerto do que considerei como positivo no Intercon 2009, realizado neste sábado, no Hotel Renaissance.
Pela primeira vez, fui ao evento como convidado e tive a possibilidade de sortear um convite no blog – que acabou garantindo a presença de Carlos Eduardo Jorge por lá. Minha intenção no Intercon, a priori, era tentar extrair conhecimento de alguns personagens que já conheço, mas sai de lá surpreso.
Encontrei no ambiente Negócios Digitais e Novas Mìdias, organizado por Manoel Lemos, um espírito de valorização do cruzamento de dados com a explanação de Tiago Peixoto sobre o fornecimento de dados públicos em formatos reutilizáveis. No caso, eu acredito e muito em um modelo jornalístico que possa ter o caráter de prestação de contas.
Há uma necessidade intensa, hoje, de agregar num único ambiente virtual uma espécie de apresentação de valores locais, federais ou globais que não são compreendidos por todos e deixá-los em um formato visual atraente e que provoque importância em cada cidadão.
Trata-se de extrair informações que estão nos porões do governo aos holofotes midiáticos.
E isso pode ser realizado a partir da mineração de dados ou coleta de conteúdos: Data Mining. Tiago citou inúmeros casos de como é possível realizar o que define-se por Economia dos Dados Abertos: transparência e dar qualidade a um valor até então considerado inutilizável.
Foi o que o New York Times fez, por exemplo, no Homicides Map: registrar homicídios hiperlocais e recorrer a dados oficiais do departamento da polícia da cidade para executar um belo trabalho jornalístico visual, enaltecendo o uso do geotaggeamento e a produção de mashups com mapas.

Tiago destacou projetos bem bacanas e que já havia discutido pessoalmente com interessados na área, como o Recovery, do governo de Obama. Falou-se novamente no Fixmystreet, serviço que já destaquei no blog lá em 2007 e que foi “ressucitado” no Efeito Obama.
Mas o que mais me chamou atenção foi conhecer mais sobre o DataMasher, serviço que ganhou recentemente o Apps for America. DataMasher foi criado por Joe Pringle e permite que retire dados do Data.gov e crie relações entre eles. Dá para produzir, por exemplo, uma ligação entre o indíce de pessoas com diabetes e os estados que consomem mais fastfood.

É uma das primeiras ferramentas que encerram o complicado princípio de raspagem de informações para ter a possibilidade de cruzar dados e apresentá-los da melhor maneira possível ao cidadão. Resumindo, é produzir e tomar do Estado a obrigação que nunca foi apresentada.
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