
Admito que fico impressionado a cada dia com a transparência que a BBC tem com o seu leitor digital. Acompanho há algum tempo o The Editors, blog do editor da rede que posta frequentemente conteúdos com um belo caráter de prestação de serviço. Nesta semana, um em especial me chamou a atenção.
Steve Harmann, um dos curadores do canal, confirmou uma mudança estratégica da empresa na web: menos refinamento nos títulos de notícias e maior valorização de palavras-chave em chamadas para tornar-se cada vez mais vísivel aos motores de buscas disponibilizados em rede.
Sai o beletrismo e o objetivo em atrair o internauta com palavras fora do lugar-comum do noticiário, e entra o simples, prático e objetivo para fortalecer ainda mais uma grande parcela de tráfego do ambiente virtual: a boa e velha tática do SEO. A atitude, que não é inovadora, chama atenção por uma única questão.
A BBC já tomou a vacina para não contrair a doença que infectou Murdoch e seus 38 jornais há algum tempo. Mesmo que o magnata midiático tenha um acordo prévio com o Bing, buscador da Microsoft, como noticiou o Financial Times nesta semana, ele ainda não pensa de forma mais distribuída e menos centralizada. Pelo contrário.
Meus últimos posts sobre Jornalismo e site de buscas evidenciam o conflito envolvendo apropriação de conteúdo jornalístico por meio de agregadores espalhados pela rede. Só que estudos já mostram que não é nada bom dizer adeus a Google.
Enquanto isso, a BBC mostra que sabe se adequar ao formato no qual produz informação. Não reinventa a roda, não promove mudanças radicais e busca fortalecer ainda mais laços com quem contribui para uma maior distribuição de informação.
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