A caixa de comentários: uma faca de dois gumes

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    Na mídia, o ano de 2010 pode ser marcado por duas frações: a agitação – e excitação – de publicações com o Tumblr e uma possível revalorização das caixas de comentários destinadas às páginas de blogs e sites. Virou lugar-comum ler discussões a respeito dos assuntos.

    Na última semana, a possibilidade de ler o conteúdo do interagente em publicações on-line ganhou novos capítulos. A equipe que coordena a versão digital do Portland Press Herald interrompeu o espaço por um dia. O motivo: excesso de palavras agressivas e ofensivas, rotina para quem acompanha o movimento. Realmente a trollagem se expandiu. O serviço retornou pouco tempo depois, com novo formato – e novas possibilidades de produção de conteúdo. Buscando combater o anonimato, a publicação fundada em 1862 adotou o Intense Debate, plugin de comentários que permite a produção de conteúdo usando perfis de plataformas populares como Facebook e Twitter. Era uma tentativa do fim do disfarce digital.

    Em outras ocasiões já comentei, no blog, estratégias de mídia com o recurso. Já houve até quem decidiu criar uma taxa para comentários produzidos no site. Nessa mesma linha, o Poynter postou a linha do tempo e a evolução de pensamento de sites de notícias com um espaço que sempre foi desvalorizado pela publicação – principalmente aqui, no Brasil. Assim como a web, é uma faca de dois gumes.

    Entre as opções, compartilho com os leitores o modelo da NPR, que terceirizou o trabalho para liberar seus profissionais a produzir o melhor conteúdo. O jornalista perde a oportunidade de acompanhar de perto a opinião e avaliação do leitor sobre uma reportagem publicada. O argumento da empresa mostra a importância do espaço, mas não colou. Diz o funcionário Andy Carvin: “a medida busca deixar nosso profissionais mais concentrados e focados no trabalho”. É o eufemismo da desvalorização.

    Foto: Animation Concept.

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