A cada leitura, me impressiono com a lucidez de Nicholas Carr – é um pesquisador de inteligência viva e penetrante. Formado em Literatura, com passagens no Dartmouth College e na Universidade Harvard, Carr já editou a Harvard Business Review e foi um dos colunistas do The Guardian. Hoje, mantém um blog, o “Rough Type” e, há algum tempo, excluiu perfis pessoais em plataformas alardeadas e ultrapopulares, como Facebook e Twitter. Em 2010, o pesquisador de 51 anos cutucou a internet com uma das melhores obras que já li sobre o tema. Em The Shallows – What the Internet is Doing to Our Brains (traduzindo, ao pé da letra: No Raso -O que a Internet Está Fazendo com os Nossos Cérebros), o norte-americano é alarmista, mas coerente: “a praticidade para encontrar novas coisas na rede e, ao mesmo tempo, se distrair com elas estaria nos tornando, digamos, burros.” #
De fato. Toda comunicação que é integrada às evoluções tecnológicas provocam mudanças no comportamento do ser humano. Perceba, hoje, como crianças e jovens são mais dispersas e polivalentes. Falta de atenção é o maior modelo de negócio virtual. Diz o pesquisador, sobre o Google: “o negócio da Google é vender distração”. Cético – e correto. #
Como ainda não há uma versão em português da obra, sugiro a leitura da resenha da jornalista Gabriela Zago na revista Verso e Reverso. Trata-se de uma produção curta, mas que mostra a magia real do livro de Carr. #
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