Nesta semana, a rede de blogs Gawker – conhecida pela originalidade e teimosia em acreditar que a publicidade, por si só, sustenta o negócio – apresentou aos seus leitores a nova interface de seus sites, com um novo espaço dedicado às “manchetes multimídia”. #
As notáveis modificações, já disponíveis aos leitores, eram esperadas. Nos últimos meses, o fundador Nick Denton já concedia entrevistas a publicações nos Estados Unidos vaticinando: “nossos blogs, no futuro, serão revistas on-line“. #
De fato. A estrutura de blogs da rede ganhou novo desenho, promovendo a história da “relevância de conteúdo” – tacada certeira em tempos de ansiedade de informação. Com Twitter e tantas outras plataformas sociais, publicar não é sinônimo apenas de noticiar um fato: dar contexto, analisar e mastigar a informação ao usuário é uma das tarefas que devem ser abraçadas. Eu mesmo, no blog, mudei a percepção de postagem: prefiro reunir leituras do dia e produzir um post, digamos, mais extenso – e com o maior número de informações possíveis. #
Denton explica que a reformulação serve para valorizar o conteúdo. Não é só isso. Com o novo layout, o Gawker vai à linha da MSNBC: dobrar o número de pageviews com uma interface dedicada a tablets. Os populares elementos fixos que, há algum tempo, ganharam popularidade no topo da página (a The Economist - imagem abaixo – é um bom exemplo), se concentram agora na parte lateral à direita do site. Gawker, assim, dá sobrevida às barras laterais. #
Outra estratégia evidente na rede de blogs é a supervalorização ao Facebook (uma de suas principais fontes de tráfego) e um descrédito aos botões de compartilhamento de conteúdo de outras plataformas. Denton até ironizou quem usa de tal artifício para atrair leitores. #
Contudo, mudanças também trazem situações, no mínimo, incômodas. As lentidões no processo de apresentar toda a estrutura do blog e a vasta extensão de anúncios prejudicam a leitura. #
Apesar das muitas críticas propagadas até então, Gawker fugiu do lugar-comum, reuniu atributos de outros meios e tentou diminuir o déficit de atenção do leitor. De fato, mudou para melhor. #
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