Blogs especializados em mídia e publicações do exterior, como o Telegraph, destacaram recentemente um estudo produzido por dois acadêmicos na Universidade de South Califórnia, nos Estados Unidos. Na ocasião, a pesquisa aponta que a população mundial transmitiu 1,9 zetabytes de dados por meio de tecnologias de comunicação – entenda-se aqui o equivalente ao consumo de 174 jornais por dia para cada habitante do planeta. #
Para chegar a essa quimera, os pesquisadores calcularam a capacidade mundial de armazenamento, processamento e comunicação de informações a partir da análise de tecnologias, digamos, analógicas e disponíveis desde o ano de meu nascimento – 1986. Portanto, os números e a própria evolução da tecnologia – desde o telefone ao GPS – comprovaria o crescimento vertiginoso de dados pomposos. É inevitável. #
No entanto, faltou reflexão. Recentemente, Nicholas Carr publicou o polêmico livro The Shallows – What the Internet is Doing to Our Brains (traduzindo, ao pé da letra: No Raso -O que a Internet Está Fazendo com os Nossos Cérebros) mostrando um alarmismo coerente: a rede, por si só, estaria nos deixando com um conhecimento superficial. Uma das frases mais interessantes escritas no livro sintetiza a estratégia do gigante Google: “o negócio deles é vender distração”. #
O próprio Carr relata, na obra, a dificuldade em escrever o livro com a disponibilidade de tantas plataformas tecnológicas e, consequentemente, tantas possibilidades de dispersão. A solução, no caso, foi se desconectar. E deu certo. #
Dos 174 jornais consumidos por dia por cada habitante, o que é possível absorver? De fato, sofremos de overload information. Não houve queda na leitura de um ser humano. Pelo contrário: lê-se muito, porém de forma fragmentada. #
Em 1967, em um festival da MPB, Caetano Veloso indagou: “quem lê tanta noticia?” Talvez a humanidade – ou parte dela que, paulatinamente, tenta ter o conhecimento por todos os lados. Contudo, cresce uma geração que existe apenas à superfície. #
Resta ao grupo, agora, separar o joio do trigo. #
Foto: World of Good. #
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