Finalmente, Arthur Sulzberger Jr., publisher do The New York Times, apresentou um dos planos mais aguardados por conglomerados de mídia no ano. Nesta quinta-feira, o executivo revelou ao mundo os planos de cobrança para a leitura da versão on-line de uma das publicações mais tradicionais dos Estados Unidos. Na ocasião, a diversidade e o leque de oportunidades para consumi-lo criam expectativas pela aparição de novos casos. Contudo, sua estratégia tem grandes chances de impedir uma adesão maior de assinantes. #
Desde ontem, o público canadense que lê New York Times já entrou na falsa era do Paywall. No próximo dia 28, Estados Unidos – e o resto do mundo, incluindo Brasil – entram no circuito de cobranças, dividido em três modelos: 15 dólares por mês (com acesso a versão web do nytimes e aplicativo para celular), 20 dólares por mês (com acesso a versão web do nytimes e aplicativo para iPad) e 35 dólares por mês (com acesso a versão web do nytimes e aplicativos para iPad e celular). Caso o usuário não faça a adesão aos planos apresentados, terá a oportunidade de ler gratuitamente 20 artigos por mês. #
Para atrair leitores sobre sua decisão, o jornalão adotou uma estratégia agressiva: disponibilizou nota oficial no site – ressaltando que, para manter produzir um jornalismo de qualidade, é necessário custeá-lo -, distribuiu conteúdo em seus perfis nas redes sociais e contratou o Promoted Tweet, plataforma de publicidade do Twitter. #
A revelação veio como um foguete. Especialistas, analistas e pesquisadores de mídia relataram suas impressões a respeito do assunto. E, por ora, parece que versão digital da publicação acertou o pé. #
O extenso projeto às suas adjacências já demonstrava o cuidado do New York Times. Sua intenção, na ocasião, é evidente: garantir e atender uma extensa faixa de consumidores de informação em todo o mundo – entenda-se aqui leitores fieis que irão pagar pelo conteúdo, usuários que caem no site por meio de sistemas de buscas, leitores esporádicos e, principalmente, usuários de redes sociais que absorvem informação em grande escala. #
A tacada da publicação segue o caminho oposto ao do rival Wall Street Journal e quase todas as publicações do executivo Rupert Murdoch. A idéia do Nytimes é valorizar o tráfego proveniente de mecanismos de buscas e plataforma de redes sociais para que estes, um dia, se convençam a assinar uma das três propostas anunciadas. #
Quem acessar conteúdos do site por meio de sistemas de busca, blogs e redes como Twitter e Facebook continuará com acesso gratuito e sem limite de leitura – o que permite manter o modelo jornalístico digital de pensar menos centralizado e mais distribuído. No entanto, um asterisco em torno da regra ainda não fora ressaltado. Apenas o Google terá, digamos, uma pequena restrição. Qualquer leitor que chegar ao New York Times por meio da gigante de buscas, terá acesso a, no máximo, cinco artigos diários. Bing, seu maior rival, está livre desta condição. #
Contudo, as inúmeras possibilidades apresentadas pela cobrança do conteúdo ofuscam a necessidade em assiná-lo – no caso, falta motivação. Fica a sensação que parte dos consumidores digitais de informação tem a capacidade de lê-lo gratuitamente, sem uma assinatura. São vários os caminhos que o usuário pode alcançar para manter sua leitura gratuita em dia. #
Por ora, o New York Times não convenceu o leitor a gastar parte de sua renda em informação. #
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