Obama virou escudo do Facebook

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    Nesta quarta-feira, o presidente americano Barack Obama fará uma visita especial à sede do Facebook, em Palo Alto, na Califórnia, nos Estados Unidos. O evento, que marca mais uma vez o encontro entre o fundador da rede Mark Zuckerberg e o líder do país, terá transmissão em tempo real pela própria gigante das redes sociais, é claro. Na ocasião, parte da imprensa vaticinou que o encontro fora definido para demarcar o terreno virtual de maior popularidade no planeta para a reeleição do democrata. Engano. Por trás deste cenário, há uma amizade mais intensa – com um interesse, digamos, velado.

    A movimentação de executivos da maior rede social do planeta com a Casa Branca já existe há algum tempo. Em 2008, o partido democrata contratou Chris Hughes, cofundador do Facebook, para coordenar parte da campanha on-line de Obama. Formado em História e Literatura pela Universidade de Harvard, Hughes foi o responsável pela criação do MyBarackObama.com, rede social considerada decisiva para a popularização do político na internet. Pouco tempo depois, o empreendedor estampou a capa da publicação americana Fast Company: “Conheça o garoto que fez Obama presidente”.

    O próprio site de Obama para a reeleição presidencial é recheado de recursos do Facebook – botões de compartilhamento conhecidos no país como Curtir e a possibilidade impulsiva de fazer parte do projeto Obama na rede social. Já são mais de 19 milhões de pessoas que ‘curtiram’ a página oficial do presidente no Facebook. As cores são, no mínimo, parecidas às do Facebook: impera o azul e branco

    O Facebook, por sua vez, não fica para trás. A empresa mantém uma postura agressiva para manter um corpo de funcionários, digamos, eclético. Em sete anos de vida, compôs uma estrutura com profissionais de outras grandes empresas, como o Google, mas há algum tempo, angaria funcionários da Casa Branca. Todos, sem exceção, são influentes e têm ótimos contatos com líderes políticos. São eles:

    • Sheryl Sandberg: ex-chefe de equipe do secretário de Tesouro do governo de Bill Clinton. Hoje é chefe de operações do Facebook e considerada a pessoa mais próxima ao fundador Mark Zuckerberg.

    • Ted Ullyot: advogado e ex-coordenador de gabinete do procurador-geral do governo George W. Bush. Atualmente é conselheiro-geral do Facebook.

    • Marne Levine: ex-assessora do grupo econômico do governo Obama. Hoje ocupa o cargo de vice-presidente de diretrizes públicas globais do Facebook.

    O mais novo candidato a fazer parte da equipe de Mark Zuckerberg é Robert Gibbs, assessor de longa data de Obama que deixou o posto de secretário de imprensa em fevereiro. A ideia é incorporá-lo ao departamento de comunicação da rede social, segundo informa o The New York Times. No entanto, o vínculo entre Gibbs e Obama não cessou: o profissional pode se tornar o assessor externo do político para a campanha de reeleição para 2012.

    Não faltam argumentos para explicar a criação de laços fortes entre duas potências. A empresa de Mark Zuckerberg já foi acusada diversas vezes por órgãos governamentais por violação de privacidade. Ter profissionais com trânsito na Casa Branca poderia aliviar a vida de Mark Zuckerberg na tentativa de afrouxar regras e, assim, ampliar a exposição de dados de adeptos do site – uma mina de ouro para ações publicitárias nas páginas internas da rede, uma vez que é possível mapear hábitos e preferências de mais de 600 milhões de pessoas.

    Recentemente, a rede social se posicionou claramente contra os planos definidos pela União Européia sobre um regulamento que obrigue redes sociais e sites a excluírem completamente dados armazenados de usuários.

    Portanto, a Casa Branca pode virar o escudo de Zuckerberg – e vice-versa.

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