O americano Biz Stone surpreendeu o acanhado mundo dos 140 caracteres ao revelar que deixará o Twitter, produto que ajudou a criar em março de 2006. O novo desafio do executivo – se é possível considerar como novo – será à frente da Obvious Corporation, incubadora de projetos de tecnologia. A saída do Stone, no entanto, dá sinais de que o microblog passa por extremas dificuldades – a falta de estratégias em monetizá-lo. A web e seus viajantes, porém, ganham nova chance de consumir um novo popular produto virtual.
A saída de Stone não pode ser considerada uma surpresa. Trata-se de um movimento natural. Há menos de dois meses, Evan Williams – outro fundador da rede de mensagens – havia se desligado da startup para novos projetos. Ambos permanecerão como conselheiros da empresa, mas irão retornar à Obvious Corporation, lançada em 2000, e conhecida por ser, talvez, o principal motor de criação e existência do Twitter.
Ao lado de Jason Goldman, outro profissional do alto-escalão que deixou o Twitter, Biz e Evan irão trabalhar na mesma perspectiva de Mark Zuckerberg: permitir que a internet conecte, cada vez mais, pessoas. A tarefa não é das mais fáceis: é só visualizar a missão do Google com seu novo projeto, o Google+. A missão é, no mínimo, claudicante.
Evan é um visionário tecnológico: além do Twitter, criou o Blogger, a plataforma de blogs do Google. Biz, por sua vez, tem espírito de líder e sabe trazer ingredientes de sucesso em produtos populares da web em seu próprio trabalho.
No entanto, o fim do ciclo diário de Stone e Williams no Twitter escancara a maior fraqueza da rede – a monetização de seu produto. A missão nada trivial de fazê-la um negócio rentável será destinada apenas a Jack Dorsey, único cofundador a permanecer à frente do negócio, e Dick Costolo, considerado pelo próprio Williams como o responsável a encontrar a trilha monetária.
O Twitter perdeu as próprias asas – e, pelo jeito, está sem rumo.
