Em um post publicado em janeiro 2010, suspeitei que teríamos uma web menos anônima – aberta aos olhos de eventuais ações publicitárias e recheadas de identificações que proporcionariam cruzamento de dados a partir das preciosas informações postadas em redes sociais, como Facebook, Twitter e Google+. Na última semana, a Universidade de Stanford alimentou a discussão ao publicar um relatório que apresenta a mesma tendência: usuários de internet estão “menos anônimos” – e isso é preocupante. #
Segundo o estudo, 61% dos 185 sites de grande popularidade analisados pelo Laboratório de Segurança Computacional da Universidade de Stanford compartilha nomes de usuários e outros dados pessoais com parceiros. Entre os maiores receptadores dessas informações, estão Facebook e Google, os principais sites de consumo de conteúdo – e tempo – na web. A conclusão, aqui, é evidente: o consumidor está menos anônimo quando navega na rede. Pior: às vezes, sem seu próprio consentimento. Dados disponíveis em plataformas sociais como nome, profissão, cidade, lista de amigos e álbum de fotos são minas de ouros nas mãos de empresas, uma vez que esses conteúdos podem alimentar ações publicitárias dirigidas a perfis de potenciais consumidores. #
O Facebook, talvez, seja a companhia de web mais próxima a essa fonte de riqueza. Em 2007, o fundador e CEO da empresa Mark Zuckerberg já havia usado a primeira estratégia de que informação pessoal, de fato, é produto. Na época, a rede apresentou o Facebook Beacon, recurso já desativado que apresentava propagandas direcionadas a usuários. O serviço foi acusado de violação de privacidade. Semanas após o lançamento, seu fundador apresentou um pedido de desculpas aos usuários. #
Nas últimas semanas, a mais nova tacada do empreendedor parece resgatar o princípio do Beacon – talvez até seja sua versão “adulta”. A Timeline (Linha do Tempo, em português) desenvolvida na rede proporciona criação e ampliação de laços sociais entre pessoas, com um valor emocional incomensurável. De fato, o Facebook não seria apenas mais uma rede social. Proporcionalmente, no entanto, cresce a chance uma publicidade indireta pode ser adicionada ao conteúdo. Informações pessoais – de propriedade de cada cidadão – tornam-se propriedade do Facebook. Zuckerberg é sagaz: acredita que a experiência de valor construída na Linha do Tempo obriga pessoas comuns a compartilhar ainda mais. O disfarce digital, neste caso, cai para segundo plano. #
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