Desde ontem, os milhares de usuários do Google Reader, popular leitor de notícias da gigante de buscas, receberam a nova estrutura e funcionamento do produto. Na teoria, a empresa apresentou um novo visual (imagem acima) e eliminou o recurso de amizades, que permitia visualizar quais conteúdos eram compartilhados na rede de amigos. Na prática, o Google diz que estuda construir uma experiência melhor aos seus usuários. Seu discurso, no entanto, é um simples eufemismo para centralizar atenção de seus usuários e forçá-los a usar o mais novo projeto social, o Google+. #
Com um visual mais prático, o Google começa a dar passos para garantir padronização a todos os seus serviços – a grande maioria já possui o projeto gráfico iniciado pelo serviço de email Gmail em julho. Na ocasião, a principal novidade da nova versão do Reader é a mudança nos mecanismos para compartilhar leituras na web: antes, o usuário do Reader compartilhava com amigos do próprio serviço os conteúdos disponíveis na rede; agora, caso queira dividir conteúdos, terá que usar obrigatoriamente o Google+. Caso o usuário não fique satisfeito com as reformulações, há a possibilidade de exportar todos os dados no serviço para, se possível, usar outra ferramenta. #
A decisão da empresa irritou parte dos adeptos ao serviço, que usou fóruns de discussão, blogs e até um abaixo-assinado para reativar a versão antiga. O próprio Google já sabia do descontentamento. “Entendemos que alguns de vocês podem não gostar das mudanças. Aposentar os recursos de compartilhamento interno foi uma decisão que tomamos após muita discussão, mas, no final, isso nos ajudará a nos concentrar em algumas poucas áreas e a construir uma experiência melhor”, escreveu o engenheiro do Google, Alan Green. #
O discurso da gigante de buscas é a retórica para forçar usuários migrarem suas leituras ao serviço que pode mostrar, ainda mais, a força do Google na vida das pessoas. As constantes mudanças em seus produtos apontam para uma única direção, o Google+, produto ao qual o Google dedica, cada vez mais, atenção. A integração entre o mais novo projeto social da companhia e o Reader permitirá ainda mais expor compartilhamento de informação – o real objetivo mascarado do Google. A empresa está ciente de que a nova batalha é, agora, contra o Facebook, rede social que detém recomendações, gostos ou opiniões de mais de 800 milhões de pessoas. Para o Google, essa poderosa fatia de conteúdo poderá alimentar ainda mais seu mecanismo de busca, hoje munido por uma série de artifícios tecnológicos – e fazê-lo ainda mais gigante. A corrida em busca do ouro – o conteúdo do usuário – começou acirradíssima. Falta saber quem vai vencer. #
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