Em 2011, a web não só encurtou ainda mais distâncias, aproximou cidadãos e permitiu que as pessoas se comunicassem em qualquer instante – e de qualquer lugar. Foi além. O ambiente virtual se tornou um multiplicador de interações, compras, vendas e lucros, mas também um local no qual o anonimato não é mais um monarca. Confira a seguir os três temas que movimentaram a web em 2011: #
Conteúdo pago
Há algum tempo, o mundo do Jornalismo está de olho nas novas tentativas de cobrança por acesso a um conteúdo de publicações na web. O paywall – muro de pagamento, no jargão inglês –, foi testado em março na versão digital do The New York Times. Para tanto, a empresa introduziu seu modelo, dividido em três seções: 15 dólares por mês (com acesso a versão web e aplicativo para celular), 20 dólares por mês (com acesso a versão web e aplicativo para iPad) e 35 dólares por mês (com acesso a versão web do e aplicativos para iPad e celular). Caso o usuário não faça a adesão aos planos apresentados, terá a oportunidade de ler gratuitamente 20 artigos por mês. Conteúdos acessados a partir de mecanismos de buscas e redes sociais estariam fora do pacote. #
Desde que aplicou a estratégia, o The New York Times amealhou mais de 300.000 assinantes digitais que, somados, se juntam aos mais de 800.000 assinantes do impresso que têm acesso ao conteúdo on-line. Toda a movimentação da publicação americana foi observada com lupa pela maioria dos concorrentes – e deve ser aplicada com mais intensidade em outros cantos do mundo em 2012. #
Privacidade
O ano também pode ser marcado por vivermos em uma web menos anônima – aberta aos olhos inspirados de publicitários, sedentos pela segmentação proposta por serviços virtuais. Desde a popularização mais enérgica de plataformas de redes sociais, como Facebook e Twitter, o consumidor está menos anônimo quando navega na rede – às vezes, isso se dá sem seu próprio consentimento. Dados disponíveis como nome, profissão, cidade, lista de amigos e álbum de fotos são minas de ouros nas mãos de empresas, uma vez que esses conteúdos podem alimentar ações publicitárias dirigidas a perfis de potenciais consumidores. #
O Facebook, talvez, seja a companhia de web mais próxima a essa fonte de riqueza. Em 2007, o fundador e CEO da empresa Mark Zuckerberg já havia usado a primeira estratégia de que informação pessoal, de fato, é produto. Na época, a rede apresentou o Facebook Beacon, recurso já desativado que apresentava propagandas direcionadas a usuários. O serviço foi acusado de violação de privacidade. Semanas após o lançamento, seu fundador apresentou um pedido de desculpas aos usuários. #
Em setembro, Zuckerberg apresentou ao mundo o novo formato do Facebook, que parece resgatar o princípio do Beacon – talvez até seja sua versão “adulta”. A Timeline (Linha do Tempo, em português) proporciona criação e ampliação de laços sociais entre pessoas, com um valor emocional incomensurável. A experiência de valor construída no recurso, no entanto, sugere o compartilhamento em maior escala. O disfarce digital, neste caso, cai para segundo plano. #
Google+
Em junho, o Google decidiu se aventurar no campo de batalha do inimigo ao revelar ao mundo a criação do Google+, rede social que almeja reunir ações realizadas por usuários em serviços da gigante de buscas, como YouTube, Gmail e Google Reader. Apesar de ser um infante no campo das relações sociais – há uma lista de fracassos no setor –, o objetivo da companhia é enfrentar aquele que se tornou seu principal rival: o Facebook. Atraindo adeptos a seus serviços, o Google sabe que sua rede social pode definir o rumo da empresa. Uma vez popular, o Google+ pode reunir um tipo de informação valiosíssima: hábitos e preferências de usuários compartilhados na rede. É uma mina de ouro para ações publicitárias nas páginas internas do site. Apesar de ser o produto que recebe maior atenção entre todos os projetos em desenvolvimento pela gigante de buscas, o Google+ ainda não decolou – um de seus maiores defeitos é a ausência de pessoas do sexo feminino: o monarca das redes sociais é, por ora, Mark Zuckerberg. #
Fotos: Orb_cz e Bruno Candeias.
#



