A tecnologia tornou-se um ingrediente básico no cotidiano das pessoas. A busca por recursos para facilitar o ser humano é intensa e incessante. É só olhar ao redor e perceber a quantidade de mecanismos ou aparatos tecnológicos contribuíram para o desenvolvimento humano. #
Em 2012, a história não será diferente. Não teremos uma panaceia digital, mas um amadurecimento de modelos de negócio e da própria percepção dos usuários de internet que, aos poucos, se adequam às tendências que envolvem tecnologia e o ato de comunicar-se. Abaixo, três assuntos com boas condições de holofotes no ano: #
HTML5 e conteúdo pago
Usuários de internet surfaram, por longos anos, na onda da gratuidade: músicas e filmes foram baixados sem custo algum – o que é ótimo, uma vez que a propagação de conteúdo permite distribuir ainda mais a informação. Na ocasião, a banda britânica Radiohead foi, talvez, o grupo que mais se adaptou à internet para se manter vivo. #
Mesmo com a cultura do grátis em ebulição, há quem gaste do próprio bolso para consumir mídia – em 2010, o iTunes alcançou a marca de 10 bilhões de músicas baixadas mediante um pagamento. No Jornalismo, a história não é diferente: uma nuvem de dúvidas paira no ar sobre o melhor modelo a ser apresentado na web. Em 2012, contudo, o cenário pode mudar: há chances da convivência em plena harmonia entre o pago e o gratuito #
A estratégia realizada com sucesso da versão digital do The New York Times pode impor novas reflexões, sendo que – em alguns casos – a receita de assinantes pode crescer com a onipresença da gratuidade do conteúdo. Para tanto, o ano será marcado por um novo amadurecimento do Jornalismo Digital e seus profissionais, com um casamento cada vez estável com a tecnologia, reforçado pelo pajem HTML5, que permite acessar sites em diversos dispositivos, sem a necessidade de baixar e instalar aplicativos. #
Redes Sociais
Em 2012, o Facebook vai querer ser mais do que uma rede social: estima-se que a empresa planeje sua primeira oferta pública de ações na bolsa. Caso isso ocorra, a rede social pode atingir um valor de mercado nada desprezível – 100 bilhões de dólares, o maior IPO (sigla de oferta pública inicial de ações, em inglês) já realizado por uma companhia de tecnologia. #
A abertura de capital pode representar a consolidação de uma brincadeira que deixou os muros universitários de Harvard para abraçar o mundo. Para tanto, não seria nenhuma novidade se Mark Zuckerberg, seu criador e CEO, apresentasse uma série de recursos e funcionalidades que detenham maior atenção do usuário de internet. Entre tantas opções, estão a criação de um editor de foto que permite mudar o filtro das imagens – similar ao Instagram –, a valorização do recurso de geolocalização, um smartphone ou até um navegador. #
Para uma empresa que já detém o maior acervo de histórias entre seres humanos na internet, acrescentar a localização geográfica é um incremento importante, mas dar a chance a seus usuários de fazer isso a partir de um celular próprio é um passo ainda mais lógico. Especula-se que Mark Zuckerberg elabore um dispositivo móvel que apresente, por exemplo, uma agenda de contatos do telefone a partir da rede de amigos do Facebook ou permita aos cadastrados fazer ligações gratuitas usando o Skype, principal serviço de telefonia via internet no mundo e parceiro do Facebook desde julho. #
Essas apostas mostram que a rede social, sobretudo, é uma empresa de internet, assim como o Google, há algum tempo, não é mais o “gigante de buscas”. E a comprovação dessa tese se resume a um único nome: Google+. #
Criada em junho, a mais nova rede social da empresa será o produto que receberá maior atenção entre todos os projetos em desenvolvimento em 2012. Apesar de funcionários da companhia garantirem que a criação do projeto não implica menor empenho para garantir o futuro do Orkut, as evidências apontam em outra direção: há chances da plataforma ser descontinuada em 2012 e ter uma morte virtual natural. #
Com mais de 30 milhões de usuários únicos em novembro, metade da audiência obtida pelo Google+ no mesmo período, segundo a empresa de métricas Comscore, o Orkut já não é, há algum tempo, um produto que possui apelo mundial: é um terreno virtual habitado maciçamente por brasileiros. Para tanto, a empresa quer, agora, migrar essa fatia para seu mais novo projeto – e a primeira estratégia já foi lançada: em outubro, – e sem alarde –, o Google apresentou a primeira ação para levar usuários da mais antiga para sua mais nova rede: o recurso para migrar fotos do Orkut para o Google+. Por essas ações, caberá a nova rede a inglória missão de rivalizar com o Facebook. #
Mobilidade
No Brasil, a internet enfrentou obstáculos para ganhar maior popularidade. Uma das barreiras – a possibilidade de acessá-la apenas a partir de um computador e linha telefônica – foi derrubada há algum tempo, quando operadoras de telefonia ofereceram serviços que permitem acessar o mundo virtual a partir de dispositivos móveis, como tablets e smartphones. Agora, em 2012, o limite entre os mundos real e virtual será extenuado – com uma receita trivial. Com o interesse cada vez maior de gigantes do setor no país, como Amazon e Apple, é possível dizer que tablets, como iPad, smartphones e leitores digitais, como o Kindle, serão a porta de entrada de muitos brasileiros para o mundo digital. #
Fotos: Karen Horton e Smemon.
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