Com Instagram, Facebook agrega inteligência para o ‘mundo móvel’

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    Nesta segunda-feira, o Facebook deu mais um passo que mostra que o serviço quer ser mais do que uma rede social. Por 1 bilhão de dólares, o serviço de Mark Zuckerberg arrematou o Instagram, aplicativo para as plataformas móveis iOS e Android que personaliza fotos. Já fiz um longo comentário em meu blog no site de VEJA, que revela dois objetivos que não merecem ser desprezados: a empresa agrega uma inteligência móvel imprescindível na batalha virtual contra o Google, além de incentivar engajamento à rede social, uma vez que os usuários do Instagram são fiéis ao serviço. A negociação, contudo, também levanta questões no mínimo auspiciosas.

    Criado em outubro de 2010 e disponível hoje em nove idiomas, inclusive em português, o Instagram conta com uma base de mais de 30 milhões de usuários cadastrados – cifra que deve subir rapidamente, graças ao recente lançamento da versão do programa para dispositivos com o sistema operacional Android, do Google. Seu habitat, portanto, é o mercado móvel, segmento que o Facebook valoriza cada vez mais – afinal, preveem dez entre dez estudos, é para lá que migram a internet e os usuários: só em 2011, a rede social foi acessada a partir de dispositivos móveis por mais de 430 milhões de usuários (51,1% da base de cadastrados). A aquisição, portanto, é um investimento na fidelização da clientela.

    Por outro lado, ao comprar o Instagram por uma cifra considerada elevada, Mark Zuckerberg dá excessivo valor ao mercado dos aplicativos – já se comenta novamente em uma nova bolha virtual. O argumento, no caso, é claudicante: cada funcionário do Instagram vale, hoje, 76 milhões de dólares – a empresa conta atualmente com apenas 13 profissionais. Soma-se a isso a ausência de um modelo de negócio que faça do produto rentável.

    Sem entrar no mérito da negociação, o Facebook consegue, mais uma vez, aliar uma valiosa ferramenta a seu espaço virtual – e muita audiência, é claro. Vai oferecer, assim, uma espécie de bônus a anunciantes e a futuros investidores, interessados na abertura de capital da companhia, que se aproxima. Os investidores vão exigir crescimento constante: o Facebook mostra que está de olho nisso. A próxima tática pode ser lançada nos próximos meses: há uma certa expectativa para o incremento de seu mecanismo de busca – um recurso ignorado pela rede – e até um smartphone.

    Foto: Korean Doll.

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      • Thiago de Assis

        Eu compartilho de sua análise.
        1 Bilhão me parece um valor muito elevado por uma empresa com estas características.  Logo, não me parece que foi uma compra de capital intelectual e base de usuários. Penso que isso foi mais uma compra defensiva, ou seja evitar que o Google adquirisse a empresa.

        • http://derepente.com.br Rafael Sbarai

          Thiago,

          Se levarmos em conta a aquisição do YouTube e do Geocities – valores considerados altíssimos – é uma questão discutível saber o preço real do Instagram.

          Agora resta saber qual é o futuro das empresas adquiridas pelo Facebook. Uma que me chama atenção e pouca gente comenta é o FriendFeed: queria saber a inteligência que a empresa trouxe à rede social.

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