Sobre colaboração e Jornalismo

OhmyNews sempre foi considerado uma das mais bem-sucedidas propostas participativas envolvendo o Jornalismo. Desde 2000, a publicação digital tinha o objetivo de que todo e qualquer conteúdo publicado no ambiente virtual – que possuía edições em sul-coreano, japonês e inglês – seja produzido por um interagente, chamado de “cidadão-repórter”.

Em virtude dos problemas financeiros – situação que não fora isolada ao site -, o OMNI buscou renovação. Paulatinamente, mudou seu formato e, hoje, é um importante centralizador de informações sobre colaboração no Jornalismo Digital.

Em uma de suas postagens, a seção lista pesquisas acadêmicas, oferecendo ao leitor temas que já foram abordados no exterior. Vale a leitura.

Foto: vidalia11

“Jornalismo Empreendedor” na Universidade de Nova York

Há algumas semanas, publiquei em meu perfil no Twitter um post do Lost Remote sobre conselhos aos jornalistas que aspiram ao empreendedorismo no setor. Em tempos de supervalorização e banalização de dados – discussão que foi amplamente valorizada nos últimos dias com o discurso de Tim Berners Lee, pesquisadores de mídia esquecem um ponto crucial no segmento: a falta de modelo de negócios no Jornalismo.

Sem esse ingrediente, não há como desenvolver receitas de sucesso. Para tentar mudar esse cenário, a Universidade da cidade de Nova York (City University of New York – CUNY) busca se reinventar – e tem uma proposta sedutora para tal.

Hoje, a instituição vai apresentar o Mestrado em “Jornalismo Empreendedor“.  O curso faz parte do novo plano de estudos do local e terá uma transmissão em streaming para quem quiser acompanhar de longe. Acredito que o evento vai começar por volta das 21h/22h (de Brasília).

O programa já disponível na rede conta com apresentações sobre novos modelos de negócios para notícias no Jornalismo Digital, com a possibilidade do pesquisador criar seu próprio formato – entenda-se aqui a chance de desenvolver startups de Jornalismo. É a mais uma tentativa de unir esferas acadêmica e de mercado.

Acredito que o desenvolvimento de empresas de pequena dimensão focadas, principalmente, em inovação vai crescer nos próximos anos. Fugir do lugar-comum é a regra – e, há alguns anos, aumenta o interesse de indústrias tradicionais na criação de parcerias com este mercado.

O recente exemplo – e que mostra há mercado no exterior aberto a novas idéias – é o projeto de Steven Johnson. Há quatro anos, o escritor desenvolve Outside.in, baseado em geolocalização e que permite reunir informações hiperlocais – apenas dos Estados Unidos, por enquanto -, do que está acontecendo ao seu redor. É o ingrediente inteligente que falta ao Jornalismo. No último mês de 2009, Johnson ganhou apoio de investidores. E, entre eles, está a CNN. É a mídia clássica tentando se reinventar.

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“Twitter é uma moda passageira”

Nicholas Negroponte é o pai do Media Lab, o badalado e requisitado laboratório de multimídia do Massachusetts Institute of Technology (MIT). Um dos personagens de maior prestígio – e respeito – no mundo acadêmico, o arquiteto de 67 anos tem uma definição clara e bem interessante entre átomos e bits. Diz o pesquisador: “o bit é o menor elemento atômico do DNA da informação”.

Na última semana, Negroponte concedeu uma entrevista ao diário espanhol El País. E, de certa maneira, fiquei surpreso com a falta de repercussão sobre a conversa. Poucos comentaram o conteúdo. Na ocasião, ele falou sobre comunicação, tecnologia, cultura digital e, claro, plataformas sociais.

Negroponte foi polêmico e, de forma positiva, explicou a amplificação da gritaria virtual em rede. “Qualquer ato público passa a ser relevante”. A frase veio em boa hora, momento em que a sociedade questiona o ato criminoso de uma estudante por propagar ofensas ao povo nordestino em rede. Falta bom senso – de todos os lados, celebridades ou anônimos – aos viciados nos 140 caracteres do passarinho azul.

No entanto, o que me chamou atenção foi o olhar crítico sobre o Twitter. Para Negroponte, o microblog é “moda passageira”. “Não creio que ele vá durar muito tempo”, afirma. “É um local em que se perde muito tempo”. O Twitter de amanhã, segundo o pesquisador, é o Facebook.  “Ele me parece mais útil”, finaliza. Nota: Negroponte tem um perfil na rede. No entanto, não usa o serviço diariamente.

No mais, vale a pena conferir a entrevista em vídeo “A mente é o meio mais poderoso“.

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Foto: Billhr.

Curso de ‘Mídia Social’ na FAAP

Semanas atrás, durante um encontro para o anúncio do logo da Copa do Mundo de 2014, no Brasil, encontrei Eric Messa, professor do curso de Comunicação e Marketing da FAAP. Não tivemos muito tempo para conversar, mas ele havia adiantado uma novidade – a criação de um projeto acadêmico de Mídia Social. Agora é oficial.

A Pós-Graduação da Fundação Armando Alvares Penteado (FAAP) abrigará, em outubro, um curso de extensão – sob a coordenação de Messa – sobre tendências e estratégias em ‘mídia social’. O objetivo do projeto é “identificar formatos e modelos de comunicação emergentes, além de analisar cases inovadores referentes ao uso das mídias sociais.”

O corpo docente será formado praticamente por profissionais de comunicação, o que não descarta a idéia de apresentar linhas de pensamento de outras esferas. Assuntos envolvendo sociologia e tecnologia estão intrinsecamente relacionados ao tema. É só lembrar a sugestão propagada aqui, no blog. Um artigo sobre a motivação que envolve adeptos da Wikipédia foi produzido pela Universidade de Nova York, que não tem relação alguma com comunicação.

As inscrições já estão abertas e tem carga horária de 120 horas, com aulas às segundas e quartas-feiras, além de um sábado por mês. Para participar, não é exigido o diploma de graduação, uma vez que é um programa de extensão. No entanto, o candidato passa por uma análise curricular. Mais informações podem ser encontradas no site da FAAP.

Produzir conteúdo na web: motivações, incentivos e estímulos

Compartilho com os leitores do blog meu segundo artigo publicado em um ‘ambiente acadêmico’ (o primeiro está disponível na ABCiber)’. Nesta oportunidade, abro a discussão envolvendo a motivação do “cidadão-repórter” ao produzir um conteúdo na web na Comtempo, revista do programa de Mestrado da Fundação Cásper Líbero.

Por conta da fraco referencial teórico presente no Jornalismo sobre o tema, busco estabelecer uma conexão nas áreas de sociologia, comunicação e software, com o objetivo de gerar um diálogo com Adam Smith, Yochai Benkler, Alain Caillé, Marcel Mauss e Peter Kollock – autores que têm boas perspectiva sobre estímulo e recompensa.

Deixo também uma sugestão de leitura da Universidade de Nova York sobre o combustível que move pessoas a produzir verbetes na Wikipedia.

Foto: Mr. T.

Quando misturam ‘netweaver’ com ‘editor de mídia social’

cnn-facebook

Redes sociais e ferramentas de publicação de conteúdo provocaram mudanças na estrutura do pensamento da produção jornalística. A influência das novas tecnologias, ligado ao número de adeptos à rede mundial de computadores, provoca a busca de um novo cargo específico para gerenciar o nome da marca ou veículo na web.

Há uma necessidade, então, de um articulador de redes, que promove uma conexão entre pessoas e, não entre computadores. Nos últimos meses, as principais publicações online em todo o mundo anunciaram, sob um critério publicitário, a criação de cargos para gerenciar e monitorar todo e qualquer conteúdo publicado em plataformas sociais.

Trata-se de mais uma estratégia para agregar blogs, aplicativos, redes sociais, ao próprio meio jornalístico. Segundo FRANCO (2008, p.5), trata-se de uma pessoa que busca articular e animar plataformas sociais, o que o considera como netweaver.

“Quem quer articular e animar redes sociais devem resistir às quatro tentações seguintes: de fazer redes de instituições (em vez de redes de pessoas), de ficar fazendo reunião para discutir e decidir o que os outros devem fazer  (em vez de, simplesmente, fazer), de tratar os outros como “massa” a ser mobilizada (em vez de amigos pessoais a serem conquistados) e, por último, de querer monopolizar a liderança.” (FRANCO, p. 5, 2009).

Netweaver é um conceito da cibernética constituído no início da década de 80, durante um desenvolvimento na área que necessitava de uma observação considerada neutra, mediando debates, exigindo discussões e troca de experiências, com o objetivo estratégico de organização e mapeamento do que se considera mensurável. Segundo CISCO (2003), a prática do netweaving em ambientes virtuais foi cunhada pelo consultor estratégico Bob Littell  e tem como grande valor a reciprocidade.

A responsabilidade de gerenciar redes é grande, agradável, e o papel do que se considera como ‘animador da rede’ é a chave do seu sucesso. Agora, cabe a teoria e ao ambiente acadêmico saber o que é melhor para uma função que dão cada vez mais importância.

Foto: Joe Turner.

Este post faz parte de excertos produzidos durante o Mestrado sobre Jornalismo e Comunicação Digital.

[parte] da bibliografia
FRANCO, Augusto. Para fazer netweaving, 2008. Disponível em < http://escoladeredes.ning.com/profiles/blogs/para-fazer-netweaving> Acessado em 15 out. 2009.
JENCKS, C. What is Post-Modernism?, Academy Editions, 1986.
LIETSALA, Katri; SIRKKUNEN, Esa. Social Media: Introduction to the tools and processes of participation economy, 2006. Disponível em <http://tampub.uta.fi/tup/978-951-44-7320-3.pdf>. Acessado em 19 out. 2009.
SCHROCK, Andrew. Examining social media usage: Technology clusters and social network site membership. First Monday, Volume 14, 2009. Disponível em <http://firstmonday.org/htbin/cgiwrap/bin/ojs/index.php/fm/article/view/2242/2066>. Acessado em 19 out. 2009.

A importância do Data Mining no Jornalismo on-line

data-mining

A capacidade e facilidade em reunir e armazenar informações em um banco de dados, assim como sua utilização, cresce a cada dia e na mesma proporção que as novas tecnologias desenvolvidas e propagadas para facilitar o trabalho do consumidor. Com a popularização da rede mundial de computadores, quase todo e qualquer conteúdo produzido passa a ser colocado em um espaço considerado até então infinito, reflexo e atualização também de produtos comunicacionais palpáveis, como revistas, jornais e principalmente livros.

Todos, quase sem exceção, estão migrando aos discos rígidos de computadores pessoais ou permanecendo em nuvens. Logo, a atividade em reunir a maior quantidade de informações e disponibilizar de forma organizada, simples e objetiva, começa a se tornar uma tarefa obrigatória ao mundo da comunicação, mas concomitantemente árdua e repleta de ruídos.

Este processo, uma espécie de “garimpagem informacional”, tem nome. Knowledge Discovery in Databases (Descoberta de Conhecimento em Bases de Dados) refere-se ao método minucioso de descobrir e conhecer em dados fases ou tarefas de um sistema. Segundo Frawley, Piatetsky-Shapiro e Matheus (1992, p. 2), trata-se de um campo específico “não-trivial de identificação de novos padrões válidos, potencialmente útil e compreensível em conjunto de dados”.

Conhecida como um processo de mineração de dados, a etapa do Data Mining (KOCH, 1991) baseia-se em uma análise de conjuntos de dados que tem como princípio a descoberta de padrões que possam representar, a posteriori, informações úteis. As ferramentas tecnológicas de Data Mining identificam as possibilidades de correlações existentes nas fontes de dados. Segundo Han e Miller (2001, p. 9), o conceito busca uma “descrição compacta de dados” e, por se tratar de um processo interativo, as pessoas envolvidas durante sua construção deve obrigatoriamente possuir um canal de comunicação que viabilize troca de informações para que, em seu produto final, o consumidor – no caso jornalístico, o leitor – utilize o conteúdo extraído do Data Mining para auxiliá-lo no processo de obter conhecimento.

Nos últimos anos, o conceito de Data Mining começa a ser explorado com maior intensidade no Jornalismo. Desde o início do século XXI e o desenvolvimento vertiginoso da tecnologia e o acesso à rede mundial de computadores, o processo de mineração de dados precisa de uma “inteligência artificial para lidar com as modificações semânticas das palavras, por exemplo” (LIMA JR, p. 9, 2004), com a simples intenção em tornar um sistema eficiente de relacionamento de informação e, principalmente, conhecimento.

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Um reflexo destas características é a criação do projeto de Jornalismo Colaborativo  do jornal norte-americano Washington Post. Em junho de 2007, a publicação lançou o LondounExtra.com, espaço destinado às contribuições de leitores, mas com uma participação de profissionais do próprio WP. O projeto, de caráter hiperlocal, é dedicado aos mais de 280 mil habitantes do condado de Londoun, próximo à capital dos Estados Unidos, Washington, e conta com uma integração e transparência de escolas, igreja e comércio local para a distribuição de dados locais na web, promovendo e agregando em um único ambiente virtual um banco de dados rico para a população e autoridades públicas.

Este post faz parte de excertos produzidos durante o Mestrado sobre Jornalismo e Comunicação Digital.

[parte] da bibliografia
AMITAY E., HAR’EL N., SIVAN R., SOFFER A., Web-a-where: Geotagging Web Content. In Proceedings of the 27th SIGIR, pages 273–280, 2004.
FAYYAD, Usama M.; PIATETSKY-SHAPIRO, Gregory; SMYTH, Padhraic. From Data Mining to Knowledge Discovery: An overview. In: ADVANCES in knowledge discovery and data mining. FAYYAD et al. G. Cambridge-Mass:AAAI/MIT Press. 1996. p. 1-27. Disponível em <https://www.aaai.org/ojs/index.php/aimagazine/article/viewFile/1011/929>. Acessado em 12 out. 2009.
LIMA JR, Walter Teixeira. Jornalismo Inteligente (JI) na era do Data Mining. In CD Anais do II. Encontro Nacional de Pesquisadores dem Jornalismo, Salvador, SBPjor, 2004.
LINDELL, Yehuda. Privacy Preserving Data Mining. Department of Computer Science
Weizmann Institute of Science, Israel, 2006. Disponível em <http://www.pinkas.net/PAPERS/id3-final.pdf>. Acessado em 29 nov. 2009.
MILLER, Harvey; HAN, Jiawei. Geographic Data Mining and Knowledge Discovery: an overview. Taylor and Francis, London, 2001. Universidade de Utah. Disponível em <http://www.geog.utah.edu/~hmiller/papers/Handbook_GIS.pdf>. Acessado em 12 out. 2009.
NAONE, Erica. Mining Social Networks for Clues, MIT. Disponível em <http://www.technologyreview.com/computing/23101/?nlid=2235&a=f>. Acessado em 29 nov. 2009.

AMITAY E., HAR’EL N., SIVAN R., SOFFER A., Web-a-where: Geotagging Web

Content. In Proceedings of the 27th SIGIR, pages 273–280, 2004.

CASTELLS, Manuel. A sociedade em rede. Vol. 1. 4ªed. São Paulo: Paz e Terra, 2000.

DWYER, C. Digital Relationships in the ‘MySpace’ Generation: Results From a Qualitative Study. Proceedings of the 40th Hawaii International Conference on System Sciences (HICSS), Hawaii, 2007

FAYYAD, Usama M.; PIATETSKY-SHAPIRO, Gregory; SMYTH, Padhraic. From Data

Mining to Knowledge Discovery: An overview. In: ADVANCES in knowledge discovery

and data mining. FAYYAD et al. G. Cambridge-Mass:AAAI/MIT Press. 1996. p. 1-27. Disponível em <https://www.aaai.org/ojs/index.php/aimagazine/article/viewFile/1011/929>. Acessado em 12 out. 2009.

JENSEN, D.; NEVILLE, J. Data mining in networks. Papers of the Symposium on Dynamic Social Network Modeling and Analysis. National Academy of Sciences. November 7-9, 2002. Washington, DC: National Academy Press.

JENCKS, C. What is Post-Modernism?, Academy Editions, 1986.

KOCH, Tom. Journalism for the 21st Century. Online information, electronic databases and the news. New York: Praeger, 1991.

LIMA JR, Walter Teixeira. Jornalismo Inteligente (JI) na era do Data Mining. In CD Anais do II. Encontro Nacional de Pesquisadores dem Jornalismo, Salvador, SBPjor, 2004.

LINDELL, Yehuda. Privacy Preserving Data Mining. Department of Computer Science

Weizmann Institute of Science, Israel, 2006. Disponível em <http://www.pinkas.net/PAPERS/id3-final.pdf>. Acessado em 29 nov. 2009.

MILLER, Harvey; HAN, Jiawei. Geographic Data Mining and Knowledge Discovery: an overview. Taylor and Francis, London, 2001. Universidade de Utah. Disponível em <http://www.geog.utah.edu/~hmiller/papers/Handbook_GIS.pdf>. Acessado em 12 out. 2009.

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O´REILLY, Tim. What is Web 2.0, 2006. Disponível em <http://www.oreillynet.com/pub/a/oreilly/tim/news/2005/09/30/what-is-web-20.html>.

ROSADOS, Helen Beatriz Frota. O jornal e seu Banco de Dados: uma simbiose obrigatória. Ind: DoIS (Documents in Information Sciente), Issue 1, Volume 26, Ano 1997.

SALAVERRÍA, Ramon. Redacción periodística en internet. Pamplona; EUNSA, 2005.

SBARAI, Rafael. A definição da participação do cidadão nos modelos colaborativos jornalísticos na web, São Paulo, 2009.

SEN, Arun; JACOB, Varghese S. Industrial-strength data warehousing. Communications of the ACM, v. 41 n. 9: 28-31. Sept, 1998.

SMITH, Anthony. Goodbye Gutenberg: The newspaper revolution of the 1980s. New York:

Oxford University Press, 1980.

TUROW, Joseph. Americans and Online Privacy: The system is broken. University of Pennsylvania, 2003. Disponível em <http://www.asc.upenn.edu/usr/jturow/internet-privacy-report/36-page-turow-version-9.pdf>. Acesso em 23 nov. 2009.

WAUTERS, Robin. The Death Of “Web 2.0”. TechCrunch, fev. 2009. Disponível em <http://www.techcrunch.com/2009/02/14/the-death-of-web-20/>. Acesso em 08 out. 2009.

A mineração de dados em redes sociais

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A privacidade na web tornou-se hoje um alvo em movimento. A popularização desenfreada de plataformas sociais e sites de relacionamento provocam um teste individual ao ser humano. São 300 milhões de pessoas cadastradas no Facebook, 45 milhões de adeptos da rede de micromensagens Twitter  e 42 milhões de pessoas inseridas ao Orkut . Destes, poucos têm conhecimento que, informando apenas um nome, a data de nascimento, revelam muito mais do que imaginam.

A facilidade em cruzar dados pessoais e utilizá-los, a posteriori, sob outro formato e fora de um contexto de uma rede social começa a provocar discussões sobre a redefinição da privacidade. A natureza dinâmica e a possibilidade de conteúdos heterogêneos disponibilizados na web mostram, paulatinamente, a importância que a mineração de dados terá para a compreensão de conteúdo.

Com o processo que se conhece por Data Mining, é possível identificar todas as possibilidades de correlações existentes nas fontes de dados em ambientes virtuais. Por meio de técnicas para exploração de dados, é possível desenvolver aplicações e funções que venham a extrair, em banco de dados, informações críticas e de grande valor. No caso de plataformas sociais, o principal produto armazenado é a informação pessoal de cada pessoa cadastrada. E é neste momento que entra em discussão a questão da privacidade, que começa a ser redefinida e questionada.

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Segundo Turow (2003, p.3), 57% dos adultos norte-americanos conectados a rede mundial de computadores acreditam – de forma equivocada – que um site com políticas de privacidade não compartilhe informações pessoais com outras empresas ou sites da web .

Para Dwyer (2007), plataformas sociais participativas de cunho social não possuem definições corretas sobre o termo de privacidade de cada ambiente virtual. “Redes sociais permitem interações de todos os tipos e não promove uma retenção de mineração de dados.” E, ao fazer parte de um ambiente social de grande interação, uma pessoa expõe vida pessoal, profissional, gostos e preferências, fontes de conteúdo preciosas e úteis para a prática de crimes ou pesquisas de consumo.

Este post faz parte de excertos produzidos durante o Mestrado sobre Jornalismo e Comunicação Digital.

Foto: Cheekodyna e Nattu.

O princípio coletivo do coworking

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Paulatinamente, a comunicação e a iniciativa de adquirir conhecimento tornam-se, a cada dia, instrumento essencial na relação da sociedade e na construção da evolução do trabalho. O avanço da informatização e o crescimento vertiginoso do acesso à rede mundial de computadores – aliado às conexões sem fio – provocam rompimentos dos limites do tempo, do espaço e até produz novos valores culturais.

O trabalho, agora, tem condições de ser remoto e a flexibilização gera o aparecimento de equipes descentralizadas e multidisciplinares, sem hierarquia definida. Nos Estados Unidos, por exemplo, segundo informações do escritório federal de estatística do país, entre 2000 e 2005 foram registradas mais de quatro milhões de empresas compostas por apenas uma pessoa .

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O coworking não é um termo presente na produção acadêmica. Apesar de sua aproximação da nomenclatura cowork (colega de trabalho, em inglês), sua definição foi produzida pelo engenheiro do Google, Bred Neuberg  em 2005, e refere-se a um local físico alternativo e, com uma estrutura de escritório, permite a produção e realização de trabalho de pessoas autônomas com ou sem vínculos empregatícios.

O conceito espalhou-se por 16 cidades de quatro continentes e hoje agrega cerca de três mil membros  No Brasil, o modelo possui duas residências oficiais, ambas em São Paulo: o The Hub, localizando na região central da capital paulista e o Pto de Contato, no bairro de Pinheiros. Nos Estados Unidos, são 158 espaços distribuídos.

coworking-pessoas-coletivo

Coworking é uma nova manifestação do trabalho e tem o princípio de acabar com o trabalho isolado independente em residências pessoais. A partir de planos diários ou tarifas mensais, o local torna-se um escritório coletivo aberto, em único espaço, com a possibilidade de compartilhamento de organização, idéias e, principalmente, conhecimento. São oferecidos e divididos serviços como conexão à internet, mesas, computadores, café e a possibilidade de agregar um espaço de trabalho com outros profissionais, sem a necessidade de desempenhar trabalhos semelhantes à mesma área.

Este post faz parte de excertos produzidos durante o Mestrado sobre Jornalismo e Comunicação Digital.

[Parte] da Bibliografia

BERNERS-LEE, Tim. The World Wide Web: Past, Present and Future, 1996. Disponível em: <http://www.w3.org/People/Berners-Lee/1996/ppf.html>.
GORZ A . O Imaterial. Conhecimento, Valor e Capital São Paulo: Annablume Editora; 2005.
HOBSBAWN, Eric J. A Era das Revoluções. Rio de Janeiro, Paz e Terra, 1979.
JENCKS, Charles. Post Modernism: the new classicism in art and architecture. London, Academy, 1987.
MARX, Karl. O Capital – Capítulo VI, São Paulo, 1978, p. 78.
NEUBERG, Brad. Resume, 2009. Disponível em <http://codinginparadise.org/about/bio.html>. Acesso em 27 jun. 2009.
WAUTERS, Robin. The Death Of “Web 2.0”. TechCrunch, fev. 2009. Disponível em <http://www.techcrunch.com/2009/02/14/the-death-of-web-20/>. Acesso em 05 abr. 2009.

Fotos: Mikamai e Liberatr.net.

O fenômeno da Glocalização nas Redes Sociais

2009 também é um ano de mudanças para o De Repente. Aos poucos, o blog servirá de espaço para pensamentos acadêmicos e excertos da produção pessoal de artigos durante o mestrado.

Começo com um tema novo, polêmico e interessante: o fenômeno da Glocalização nas Redes Sociais. Trago aqui apenas um trecho, o mais interessante para ser agregado.


48% das redes sociais do mundo produzem sucessos locais; Brasil não segue a “regra”

Globalização é um termo popular no atual status quo. Começou a ser empregado desde a década de 1980, em substituição a conceitos como internacionalização e transnacionalização e foi caracterizado, aos poucos, em dois sentidos: um positivo, de descrição do processo de integração da economia do mundo e um normativo, de prescrição de uma estratégia baseada na rápida integração da economia mundial.

Hoje, os espaços da Globalização foram ampliados em ambientes formados por redes. Estes, por sua vez, são globais e transportaram o universal ao local, unindo pontos distantes numa mesma lógica produtiva. Agora, há uma mudança de postura do indivíduo no mundo: o ser humano passou a pensar globalmente e agir localmente. Logo, de Globalização, tem-se o fenômeno da Glocalization (Glocalização), neologismo pré-formulado, discutido e pouco conceituado no campo acadêmico (WELLMAN, 2003: 3).

Glocalização é um termo mais preciso com as reformulações vistas após o advento da internet, somados ao desenvolvimento da tecnologia e o crescimento vertiginoso de novos internautas. Esta transição de nomes deve-se ao desenvolvimento “mútuo entre comunicação e tecnologia” (WELLMAN, 2003:3).

É uma mistura de Globalização com características locais. Nada é só local ou global. Glocalização refere-se a transições importantes na vida cotidiana, tanto no caráter da organização social quanto na estruturação dos sistemas globais. A Glocalização é localizar o global, mas jamais “deslocalizar” o que temos de original.


Google Trends de janeiro mostra uma crescente do Facebook

E é o que acontece em um recente estudo divulgado por Oxyweb, blog de relevância social no Reino Unido. Em 24 de outubro de 2008, o ambiente virtual revelou um mapeamento mundial das redes sociais. A diversidade, a falta de um “padrão” e a reafirmação da Glocalização, da hiperlocalidade, são três das principais características da pesquisa.

Ao todo, 25 redes sociais foram representadas. Facebook e MySpace, ambientes virtuais de origem norte-americana, predominaram. A primeira esteve presente em 13 países, enquanto MySpace aparece em quatro nações. No Brasil, o Orkut mais uma vez foi lembrado.

Mas, o mais interessante mesmo do estudo é o processo de Glocalização: ambientes virtuais de relacionamento, como Tuenti (Espanha), Cloob (Irã), Irc Galleria (Finlândia), Iwiw (Hungria), Lide (República Checa), Nazsa Kiaza (Polônia), Wretch (Taiwan), Hyves (Holanda), CyWorld (Coréia do Sul), Xianonei (China) e Skyrock (França), só reafirmam o laço regional entre os internautas.

Todas as onze redes sociais explicitadas são produções originárias de seus países. Em um dado estatístico, os valores correspondem que 48% dos ambientes virtuais aqui destacados provém de seus territórios. São doze redes sociais (soma-se e MySpace aos Estados Unidos) que mantém uma característica de proximidade ao que lhe é realidade na internet.

A população das nações destacadas necessita e busca compartilhar experiências, idéias, vivências e interesses com objetos comuns. A identificação dos brasileiros com o Orkut, por exemplo, é proporcional ao laço e identidade cultural destes indivíduos dos onze países com produções locais.

[Parte da] Bibliografia:
WELLMAN, Barry. Little Boxes, Glocalization, and Networked Individualism. Toronto, 2001. http://www.chass.utoronto.ca/~wellman/publications/littleboxes/littlebox.PDF. Acessado em 03/11/2008.
BOYD, Dana. G/localization: When Global Information and Local Interaction Collide. O’Reilly Emerging Technology Conference, San Diego, CA. 2006.