set 07 2009
Mídia Social – por Tayra Vasconcelos – Parte 2/2
Eis a segunda parte da conversa que tive com Tayra Vasconcelos, jornalista especializada em Midias Sociais, que vem realizando trabalhos expressivos com marcas e campanhas de lançamentos de filmes.
Na semana passada ela nos fez uma explanação sobre Mídias Sociais e discutimos temas relacionados a utilização dessas plataformas em campanhas e ações de divulgação de produtos. A Tayra está se especializando no trabalho com filmes, campo ainda muito pouco explorado.

A internet é feita de pessoas, não de instituições
Tayra comenta, nesta oportunidade, discursos e exemplos de campanha, como a do filme “Apenas o Fim”, além de relembrar fiascos como a ação promovida pela equipe da cantora Marisa Monte, no fim do ano passado.
4 – Como é possível criar a identidade de um produto e conversar com seus espectadores de uma forma impessoal em ambientes voltados justamente a relações interpessoais? Como esse trabalho é feito com filmes? Quais são os cases que mais chamaram a sua atenção no Brasil e mundo afora?
Na verdade, a grande sacada dessa área é que nada é impessoal. A ideia é justamente essa, é ficar próximo de seu público, criar a empatia, ter gente como você falando bem de um produto e não alguém mitificado como um galã de novela ou cinema ou mesmo um popstar da música. Quando é alguém igual você, fica muito mais fácil de acreditar naquilo e essa é a principal vantagem desse tipo de mídia.
Há pouco mais de um ano, muitas distribuidoras viram esse potencial e começaram a organizar cabines e pré-estreias com blogueiros, para que os mesmos pudessem escrever sobre os filmes. Mas por enquanto, a maioria não passa desse tipo de iniciativa. Modéstia totalmente a parte, eu, como trabalho nessa área, e como desde criança sempre fui apaixonada por cinema, estou muito feliz de unir essas duas coisas. E esse ano, basicamente, os trabalhos que fiz, foram voltados para cinema.
Atualmente estou fazendo esse trabalho com o Green Nation Fest – um festival de cinema ecológico, que acontecerá dentro do Festival do Rio – e também o lançamento do filme “Juízo Final“. Nos dois casos estamos fazendo uso maciço do Twitter, ambos com perfis oficiais, e tem rolado muita interação. Os dois também contam com perfis oficiais no Orkut e participações constantes em comunidades relacionadas a cada um deles. No caso do “Juízo Final” também ficamos mais próximos de blogueiros e twitteiros, organizando uma pré-estreia exclusiva especial para esse pessoal, onde todos puderam tirar fotos e filmar cenas do filme, dentro da própria sessão, podendo twittar e blogar na hora, com imagens exclusivas do longa.
Mas um case que foi muito comentado, e que, por um acaso, fui eu que toquei (hehehe), ao lado de mais um pessoal, foi o do filme nacional “Apenas o Fim“. Esse filme, desde o começo foi um exemplo de trabalho de formiguinha, de guerrilha mesmo. Com todo mundo, elenco, direção, produção etc., trabalhando por paixão, com falta de verba total, sem nenhum tipo de lucro, mas nem por isso, deixando de lado a qualidade. O filme, no fim das contas se revelou um enorme sucesso de crítica e público e no ano passado abocanhou os prêmios do Júri Popular no Festival do Rio e na Mostra de São Paulo. Depois disso, o filme foi lançado em junho deste ano, e a falta de verba continuava a ser um problema, e a saída que vimos para isso era fazer uso desse tipo de mídia. A divulgação do filme contou quase que excluivamente com a utilização de plataformas na internet. Logo no começo da campanha assumi o Twitter, interagindo diretamente com o público, respondendo as dúvidas dos mesmos. Divulgando as sessões e salas onde o filme estava sendo exibido. O Twitter também contava com promoções que oferecia camisetas, ingressos e pôsteres do filme, que eram sorteados ou então dados como prêmios de Concurso Cultural. Mais pro final acabei assumindo também o Orkut.
Mas o ponto forte foi mesmo o Twitter, que o pessoal comentou muito, foi divulgado em jornais, blogs etc., todos comentando o uso dessa plataforma. O perfil tinha quase 2 mil seguidores e até hoje comenta-se muito essa iniciativa. E eu fico muito feliz por ter feito parte disso. Eu torço para que outros filmes entendam o quanto isso pode aproximá-los de seus espectadores e o quanto isso pode reverter positivamente, e com um custo baixíssimo em termos de publicidade.Mas, como já te disse antes, por ser uma área nova, as pessoas ainda tem um certo receio de pisar em terreno desconhecido.
5 – Alguma dica para empresários e profissionais que gostariam de potencializar suas marcas no mundo digital?
Acho que essa é uma tendência da publicidade e a maioria das marcas vai acabar percebendo o potencial desse tipo de divulgação para o seu produto. Mas é importante que não tentem fazer isso achando que é uma coisa super simples, que pode ser feito por qualquer um, porque há muita agência achando que é super fácil e fazendo verdadeiras bombas no assunto.
Um clássico foi no final do ano passado, vídeos gravados pela Marisa Monte para divulgar sua entrada nessa área, com perfil no YouTube, Orkut etc. e num deles ela dizia algo como “Oi, eu leio esse blog sempre e acho super bacana (…)” e aí mandaram e-mail para vários blogueiros, com o link do mesmo, para que eles colocassem em seus blogs, com a ideia de viralizar a entrada da Marisa Monte nesse mundo virtual. Só que era tão tosco e genérico que virou uma grande piada, e só bloguezinho de miguxas, com 15 acessos, que só as próprias amigas lêem acabaram colocando o vídeo no ar. Porque era um acinte à inteligência do seu leitor ter aquilo ilustrando seu blog, uma vez que era óbvio que a Marisa Monte nunca nem passou perto daquele blog, tampouco sabe quem tá linkando o mesmo, só queria divulgação. O triste é que há muitos casos similares.
Outro erro muito comum é no Orkut, é sabido que essa plataforma é um verdadeiro fenômeno aqui no Brasil, e uma ação bem feita ali pode resultar brilhantemente. Munidos dessa informação, o povo chega no Orkut pra divulgar algo e acaba transformando aquela publicidade em spam, e faz de uma maneira tão tosca, que ninguém se interessa em ler. É preciso ter muito cuidado com o que se faz, quando se lida tão de perto com o público. Porque uma coisa mal feita pode te queimar para sempre.
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