set 07 2009

Mídia Social – por Tayra Vasconcelos – Parte 2/2

Tag: cinema, entrevista, videoNikolas Maciel @

Eis a segunda parte da conversa que tive com Tayra Vasconcelos, jornalista especializada em Midias Sociais, que vem realizando trabalhos expressivos com marcas e campanhas de lançamentos de filmes.

Na semana passada ela nos fez uma explanação sobre Mídias Sociais e discutimos temas relacionados a utilização dessas plataformas em campanhas e ações de divulgação de produtos. A Tayra está se especializando no trabalho com filmes, campo ainda muito pouco explorado.

marisa monte le meu blog
A internet é feita de pessoas, não de instituições

Tayra comenta, nesta oportunidade, discursos e exemplos de campanha, como a do filme “Apenas o Fim”, além de relembrar fiascos como a ação promovida pela equipe da cantora Marisa Monte, no fim do ano passado.

4 – Como é possível criar a identidade de um produto e conversar com seus espectadores de uma forma impessoal em ambientes voltados justamente a relações interpessoais? Como esse trabalho é feito com filmes? Quais são os cases que mais chamaram a sua atenção no Brasil e mundo afora?

Na verdade, a grande sacada dessa área é que nada é impessoal. A ideia é justamente essa, é ficar próximo de seu público, criar a empatia, ter gente como você falando bem de um produto e não alguém mitificado como um galã de novela ou cinema ou mesmo um popstar da música. Quando é alguém igual você, fica muito mais fácil de acreditar naquilo e essa é a principal vantagem desse tipo de mídia.

Há pouco mais de um ano, muitas distribuidoras viram esse potencial e começaram a organizar cabines e pré-estreias com blogueiros, para que os mesmos pudessem escrever sobre os filmes. Mas por enquanto, a maioria não passa desse tipo de iniciativa. Modéstia totalmente a parte, eu, como trabalho nessa área, e como desde criança sempre fui apaixonada por cinema, estou muito feliz de unir essas duas coisas. E esse ano, basicamente, os trabalhos que fiz, foram voltados para cinema.

Atualmente estou fazendo esse trabalho com o Green Nation Fest – um festival de cinema ecológico, que acontecerá dentro do Festival do Rio – e também o lançamento do filme “Juízo Final“. Nos dois casos estamos fazendo uso maciço do Twitter, ambos com perfis oficiais, e tem rolado muita interação. Os dois também contam com perfis oficiais no Orkut e participações constantes em comunidades relacionadas a cada um deles. No caso do “Juízo Final” também ficamos mais próximos de blogueiros e twitteiros, organizando uma pré-estreia exclusiva especial para esse pessoal, onde todos puderam tirar fotos e filmar cenas do filme, dentro da própria sessão, podendo twittar e blogar na hora, com imagens exclusivas do longa.

Mas um case que foi muito comentado, e que, por um acaso, fui eu que toquei (hehehe), ao lado de mais um pessoal, foi o do filme nacional “Apenas o Fim“. Esse filme, desde o começo foi um exemplo de trabalho de formiguinha, de guerrilha mesmo. Com todo mundo, elenco, direção, produção etc., trabalhando por paixão, com falta de verba total, sem nenhum tipo de lucro, mas nem por isso, deixando de lado a qualidade. O filme, no fim das contas se revelou um enorme sucesso de crítica e público e no ano passado abocanhou os prêmios do Júri Popular no Festival do Rio e na Mostra de São Paulo. Depois disso, o filme foi lançado em junho deste ano, e a falta de verba continuava a ser um problema, e a saída que vimos para isso era fazer uso desse tipo de mídia. A divulgação do filme contou quase que excluivamente com a utilização de plataformas na internet. Logo no começo da campanha assumi o Twitter, interagindo diretamente com o público, respondendo as dúvidas dos mesmos. Divulgando as sessões e salas onde o filme estava sendo exibido. O Twitter também contava com promoções que oferecia camisetas, ingressos e pôsteres do filme, que eram sorteados ou então dados como prêmios de Concurso Cultural. Mais pro final acabei assumindo também o Orkut.

Mas o ponto forte foi mesmo o Twitter, que o pessoal comentou muito, foi divulgado em jornais, blogs etc., todos comentando o uso dessa plataforma. O perfil tinha quase 2 mil seguidores e até hoje comenta-se muito essa iniciativa. E eu fico muito feliz por ter feito parte disso. Eu torço para que outros filmes entendam o quanto isso pode aproximá-los de seus espectadores e o quanto isso pode reverter positivamente, e com um custo baixíssimo em termos de publicidade.Mas, como já te disse antes, por ser uma área nova, as pessoas ainda tem um certo receio de pisar em terreno desconhecido.

5 – Alguma dica para empresários e profissionais que gostariam de potencializar suas marcas no mundo digital?

Acho que essa é uma tendência da publicidade e a maioria das marcas vai acabar percebendo o potencial desse tipo de divulgação para o seu produto. Mas é importante que não tentem fazer isso achando que é uma coisa super simples, que pode ser feito por qualquer um, porque há muita agência achando que é super fácil e fazendo verdadeiras bombas no assunto.

Um clássico foi no final do ano passado, vídeos gravados pela Marisa Monte para divulgar sua entrada nessa área, com perfil no YouTube, Orkut etc. e num deles ela dizia algo como “Oi, eu leio esse blog sempre e acho super bacana (…)” e aí mandaram e-mail para vários blogueiros, com o link do mesmo, para que eles colocassem em seus blogs, com a ideia de viralizar a entrada da Marisa Monte nesse mundo virtual. Só que era tão tosco e genérico que virou uma grande piada, e só bloguezinho de miguxas, com 15 acessos, que só as próprias amigas lêem acabaram colocando o vídeo no ar. Porque era um acinte à inteligência do seu leitor ter aquilo ilustrando seu blog, uma vez que era óbvio que a Marisa Monte nunca nem passou perto daquele blog, tampouco sabe quem tá linkando o mesmo, só queria divulgação. O triste é que há muitos casos similares.

Outro erro muito comum é no Orkut, é sabido que essa plataforma é um verdadeiro fenômeno aqui no Brasil, e uma ação bem feita ali pode resultar brilhantemente. Munidos dessa informação, o povo chega no Orkut pra divulgar algo e acaba transformando aquela publicidade em spam, e faz de uma maneira tão tosca, que ninguém se interessa em ler. É preciso ter muito cuidado com o que se faz, quando se lida tão de perto com o público. Porque uma coisa mal feita pode te queimar para sempre.

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ago 31 2009

Mídia Social, por Tayra Vasconcelos – Parte 1/2

Tag: cinema, culturaweb, entrevista, midia, redesocialNikolas Maciel @

Para diversificar um pouco nosso conteúdo fazemos eventualmente entrevistas com colegas da área de tecnologia na internet. Dando continuidade a essa iniciativa, conversei Tayra Vasconcelos, analista de Redes Sociais na Playtwo Advertainment e editora-assistente e responsável pela área de publicidade no blog Judão. Especialista em o que se considera Mídias Sociais, Tayra vem com projetos focados em campanhas, na internet, de lançamento de filmes.

Atualmente ela é responsável pela divulgação na internet da produção britânica  “Juízo Final” e há alguns meses trabalhamos juntos na campanha de divulgação de “Apenas o Fim”: eu, a Julia Ramil (produtora do filme) e o pessoal da Morena Filmes organizamos a campanha, pensada exclusivamente para a internet e convidamos a Tayra para administrar o nosso twitter (com resultados muito legais, por sinal!).

tayra 01
Da esquerda pra direita:
Marina Santa Helena (Chiqueiro Chique), Joana Dambros (Sim Viral), Tayra Vasconcelos (Cena Brasilis/Judão), Gabriela Bianco (Casa da Gabi) e André Ceciliato (Pérolas com Cuspe) – todos da Dudinka Social Media – envolvidos no WCG 2008, no qual aconteceu um campeonato de Pro Evolution Soccer só entre blogueiros

Para facilitar a leitura, dividi a entrevista em dois posts; o próximo estará no ar semana que vem. Mas deixo avisado: vale a pena conferir a entrevista do começo ao fim: a Tayra tem insights muito interessantes sobre o nosso entendimento de Mídias Sociais e sobre os trabalhos que vêm sendo feitos no meio. Com muita simpatia e autoridade ela nos dá uma aula e deixa claro porque já é uma das referências hoje no Brasil nesse tipo de trabalho.

1- Pra começar: Tayra, como podemos definir o que é uma Mídia Social?

Vamos lá. “Mídia Social” é algo totalmente distinto da “Mídia Tradicional” e acabou se formando baseado no sonho de todo publicitário, desde o começo do século XX, que é que seu produto ganhe o público através do boca-a-boca. Baseadas em muitas pesquisas, foi notando-se que as pessoas dão muito mais importância para o amigo, o vizinho, o primo que comprou uma TV bacana e falou bem do produto do que a propaganda na TV estrelada pela Xuxa ou pela Ivete Sangalo.

Aí começou-se a pensar numa maneira mais eficaz e barata de levar o produto ao seu público e decidiram começar a investir na Mídia Social. Esse tipo de mídia se volta para as diversas plataformas de rede social existentes e, de acordo com o produto, como pode se abordar a ação nessas diversas redes. No Brasil, ainda a rede social mais popular é, de longe, o Orkut, e a imensa maioria dos trabalhos com Mídia Social passa por ele. Usa-se também blogs, Twitter, MySpace, Flickr, Facebook etc. Tudo vai depender muito do que se encaixa na proposta da ação.

2- Quem é o profissional que atua hoje em dia nas redes sociais? Qual o perfil dele? Existe um futuro promissor, ou estamos falando de uma onda que eventualmente vai ser substituída por outra e assim por diante?

A Mídia Social, no Brasil, ainda está muito voltada para o universo da blogosfera. Por isso, na maioria dos casos, as pessoas que trabalham nessa área, são blogueiros de influência, e de um tempo pra cá, esse leque também tem se aberto para pessoas com influência no Twitter. Então, basicamente, os profissionais de Mídia Social hoje são blogueiros e twitteiros, que acabaram transformando um hobby virtual em profissão. Conheço gente que trabalha na área com formação em publicidade, mas há também jornalistas, pessoas sem nenhum tipo de formação acadêmica e também gente com formação nas áreas mais bizarras como Biologia, Gastronomia, Arquitetura etc.

O profissional dessa área tem que gostar das novidades desse universo, estar sempre interado e um passo a frente em relação ao que está acontecendo na internet. Tem que ter um bom trato com público, pois seu trabalho é, basicamente, se relacionar com os outros – seja através de blog, Orkut, Twitter etc.

Quanto ao futuro da área, eu, particularmente, acho que essa é uma área muito nova, e exatamente por ser nova, existe ainda muita experimentação. Tem coisas funcionando, tem coisas dando muito errado. Em 2008 houve um boom de surgimento de agências dessa área, assim como também, as agências de mídia tradicional foram atrás ou de montar uma área de mídia social dentro delas ou então de terceirizar esse trabalho com agências especializadas nisso.

E justamente por ser uma área nova, e os profissionais que trabalham com isso não terem uma formação muito especializada, tem muita gente batendo cabeça e fazendo coisas completamente equivocadas. Porém, tem também uma galera que tá acertando a mão e fazendo um monte de ação bacana. Há algumas posturas nessa área como os publieditoriais e as twittadas patrocinadas, que eu, particularmente, não acredito e não vejo futuro, mas é um caminho mais “fácil” e muitos tem seguido por aí, mesmo que isso não se reverta em resultado real para o cliente: é mais fácil mostrar um impacto da ação que através de números, que muitas vezes, não são efetivamente reais.

Até por conta dessas políticas equivocadas, ou por falta de conhecimento na área, muitas agências acabaram se desencantando com a Mídia Social e em 2009 já dá pra ver uma queda nesse mercado, em relação a 2008. Mas eu ainda acredito muito que essa seja uma área que pode crescer muito.

tayra 03
No WCG Rafael Zottezzo (Blog MMO) e Thiago Borbolla (Não tão gamer/Judão) – a importância do relacionamento entre blogueiros na metáfora de uma partida de games

3 – Quais são os perfis de utilização dessas ferramentas digitais (twitter, orkut etc) como forma de divulgar um produto? O que pensar e esperar de resultados na hora de atacar as mídias sociais? Ainda é possível inovar nas formas de utilizá-las?

Então, dependendo da ação, do produto e outros fatores, você vai pensar qual é a plataforma que vai ser utilizada. Ano passado, a agência onde eu trabalhava fez uma ação de lançamento de um celular onde o ponto forte do produto era a câmera fotográfica. Portanto, fizemos uma ação totalmente voltada para o Flickr, onde as pessoas poderiam divulgar as fotos tiradas com o novo celular. Outro exemplo que trabalhamos ano passado, foi o Planeta Terra Festival e aí focamos em blogs voltados para música, um Twitter onde divulgávamos as bandas que tocariam, o set-list das mesmas e, pela primeira vez nessa área, fizemos uso do Blip.fm, uma vez que era uma ação totalmente voltada para música e que cabia como uma luva fazer uso dessa plataforma – foi um verdadeiro sucesso.

Tudo vai depender do produto e da ação. E cada uma dessas plataformas, tem um perfil de usuário bem definido, então precisamos ver o que casa com a sua proposta antes de bolar sua estratégia.

A maneira de mensurar resultados é muito controversa. Não existe consenso. Ainda foca-se muito em audiência de blogs, quantidade de followers no Twitter, número de membros de uma comunidade do Orkut e por aí vai – parte-se desses números base. Depois que a ação começa, medimos desde a quantidade de comentários que um post deve, o número de pessoas que retwittou uma postagem, a quantidade de respostas num tópico do Orkut etc.

E eu acho que é sempre possível inovar, sempre. Desde o uso de plataformas distintas até a maneira de abordar a ação numa plataforma já muito utilizada. Tudo vai ficar a cargo de seu enfoque e da sua perspicácia diante da ação.

Continua…

A entrevista continua semana que vem! Conversaremos sobre impessoalidade na hora de usar ferramentas focadas no indíviduo pra divulgar um produto e a Tayra vai nos fazer um painel de iniciativa legais no Brasil e dar dicas para que tem interesse em usar as mídias sociais de maneira consicente e efetiva na hora de montar uma campanha ou até mesmo uma ação mais pontual.

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jul 21 2009

Vídeos em 3D no Youtube?!

Tag: cinema, culturaweb, curiosidade, tendencias, videoNikolas Maciel @

“3D ou não ser? Eis a questão!”

Se forçamos um pouco a barra o trocadilho funciona. Pelo menos rima, vai …  Não? Não, ok!

Bom, talvez não tenha sido das minha mais geniais sacadas, mas fica muito difícil bater a sacada original, do semi-anônimo funcionário do Google “Pete”, que em seu “projeto dos 20% do tempo livre” está desenvolvendo uma funcionalidade no Youtube que permite o upload e a visualização de vídeos em 3D.

Ou seja, isso mesmo: em pouco tempo o Youtube terá capacidade de armazenar e tocar vídeos em 3D, que não sejam necessariamente hits infantis como “Pequenos Espiões 3D”.


O embed ainda não funciona direito, mas o original parece estar no caminho certo.

A estereoscopia (tecnologia do cinema em três dimensões) tem uma trajetória tortuosa na história do entretenimento. Teve um grande boom nos anos 50, mas logo foi abandonada pelo interesse do público e dos produtores de hollywood. Muitos anos se passaram e o 3D  foi durante muito tempo sinônimo de atração na Disney. Mas, para encurtar o drama, o 3D vive, hoje, um momento de notável ascenção: muitos filmes estão sendo feitos nessa tecnologia, games já são esperados, diversas pesquisas são desenvolidas na área e alguns produtos com capacidade de captação e projeção em 3D começam a surgir no mercado para o consumidor em geral.

Com essa inicitiva do Youtube, e se o 3D cair nas graças da web, a tecnologia tem tudo para deslanchar e ocupar um lugar significativo no mercado da produção audiovisual e na rotina dos produtores independentes de conteúdo (em outras palavras, todo mundo que posta um vídeo original na internet). Com isso, o vídeo entra em um nova fase de sua história. Imaginem as possibilidades: produções que passem desde a publicidade tradicional até filmes de ação e suspense e porque não filmes eróticos (mercado indubitavelmente lucrativo)? Tudo com uma experiência de visualização tridimensional. No mínimo empolgante só de pensar!

Preparem suas câmeras (duas delas) e os óculos coloridos que você não devolveu quando foi assistir Beowulf. O 3D está vindo com força total!


jun 23 2009

O fim do FizTV: triste e preocupante


Fiz? Fim!

FizTV, o canal independente, criado pelo grupo Abril em 2007, cuja iniciativa era promover um vínculo entre o conteúdo da internet e um canal de TV, chega tristemente a seu fim! Já tinha comentado aqui que o canal tinha uma ótima premissa: a de dar uma plataforma a realizadores independentes no Brasil para que seus vídeos estivessem em um site 100% brasileiro e ainda pagar pelo conteúdo que fosse eventualmente escolhido e/ou votado para passar em seu canal de TV a cabo (afinal de contas vídeo é algo que ainda é caro de ser feito apesar de a tecnologia viabilizar cada vez mais a qualidade do produto).

Em nota no próprio blog, a Abril se pronunciou dizendo que encerrará a partir de 30 de junho de 2009 as atividades dos Canais Abril, o que inclui o FizTV e o Ideal (um outro canal de perfil mais empresarial/institucional) em função prioritariamente da  “… dificuldade em romper uma barreira praticamente intransponível que existe no Brasil para a distribuição de canais pagos”. Traduzindo superficialmente: não foi possível entrar em acordo com a Globo para que o FizTV entrasse na programação da NET (empresa do Grupo Globosat).


No meio do jogo de interesses quem fica sem opção é o espectador… só no Brasil mesmo

A crise, claro, agravou a questão: a instabilidade financeira que o mercado das comunicações vem passando evita investimentos e trava iniciativas mais inovadoras.

O pior de tudo é que o FizTV tinha tudo pra dar certo, repito: uma plataforma que incentiva a produção independente (e até mesmo amadora – o que tem tudo a ver com o clima de colaboração que reina sobre as comunicações) promovendo uma forte relação entre a interatividade da internet e a tradicional estrutura da Televisão com o compromisso acertado de pagar pelo conteúdo disponibilizado pelo usuário. Sensacional!

Porém, na prática viu-se que a realidade é um pouco mais complicada: para tornar uma iniciativa como essa financeiramente viável era necessário torná-la mais interessante aos anunciantes -> para isso a audiência teria de ser expressiva -> para isso o conteúdo deveria ser interessante -> para atrair conteúdo de maior qualidade a janela deveria ter maior visibilidade (e ônus cada vez mais atraente) -> para uma estrutura mais aprimorada eram necessários contínuos investimentos -> dinheiro? Anunciantes!

Até aí, o FizTV estava no caminho certo e rumo às estrelas, e talvez esse tenha sido o motivo de seu fim: inserido na lógica da TV tradicional o canal foi fortemente barrado pelos interesses da Globo e por alguns lobbys políticos que realmente só se materializam no Brasil.

O ciclo no qual qualquer plataforma de comunicação de massa se insere acabou tornando o FizTV inviável: o crossover entre internet e TV se demonstra somente possível com a predominância dos interesses dos grupos da mídia mais tradicional, que apesar de perderem força econômica a cada ano, ainda contam com um forte respaldo político.

E o que é preocupante: até agora o modelo de colaboração, que na mídia escrita mais tradicional vem dando passos sólidos e sustentáveis, no audiovisual ainda não achou uma rota certa de sucesso (antes que venha à cabeça: o Youtube representa um prejuízo de 1,6 milhões de doláres diários ao Google).


The End

Será que vai ser impossível unir uma plataforma bem estruturada, conteúdo audiovisual de qualidade disponibilizado pelo próprio usuário com uma contrapartida interessante para os envolvidos num modelo de negócios sustentável e lucrativo?

O FizTV poderia ter sido a resposta para essa pergunta: preparado para um usuário-espectador (com o perdão da nova regra gramatical) mais participativo, conectado com o produtor independente que busca portas para seu trabalho e com uma proposta financeira eticamente correta (atribuir um valor monetário ao conteúdo produzido pelo usuário). E ele acabou.

De fato, preocupante.


jun 01 2009

StarTrek: O Filme

Tag: cinemaFelipe Jannuzzi @

Nunca fui muito fã de “StarTrek” (“Jornada nas Estrelas”). Não foi por falta de afinidade com o tema ou alguma implicância com personagens orelhudos, acho que minha falta de interesse foi uma simples questão de geração. Afinal, o seu ápice foi na década de 60 com o Capitão Kirk e o primeiro comandante, Spock. Depois fizeram aquelas adaptações, com o cast renovado e títulos muito criativos: “StarTrek: Next Generation”, “StarTrek: Deep Space Nine”, StarTrek: Voyager”, StarTrek: Enterprise”. Não tive paciência para acompanhar nada dessa nova safra de reciclados.

Só para não dizer que sou totalmente ALIENado em relação aos novos episódios, sei que aquele carequinha que fez o Professor Xavier no filme do X-Men é o mesmo capitão que comanda alguma Enterprise (uma benção mutante na vida desse ator).

Mas mesmo não sendo um fã me considero um expert em “Jornada nas Estrelas”. Pelo menos foi assim que me senti ao explicar boa parte do background da série para minha namorada quando estávamos no cinema para ver o seu mais novo filme.

Eu sabia quem era quem, quem gostava do que, o que era Vulcano, quem iria morrer no final, qual era o gesto de saudação do Spock, etc. Tudo isso porque “Jornada nas Estrelas” é um fenômeno POP. Você não precisa ter nascido nos anos 60 – 70 para conhecer a série porque ela foi revisitada inúmeras vezes pelo cinema, pela televisão, pelos quadrinhos, pelas stand-up comedies, pelos desenhos, pelos vídeo-games.


(Essa cena foi parodia em um filme do Jim Carrey e em um episódio dos Simpsons. Alguém ai lembra?)

Eu imagino que seja difícil retomar as origens e fazer uma obra seria quando algo foi tão amplamente representado como foi “Jornada nas Estrelas”. Mas o produtor de Lost, o J. J. Abrams assumiu o desafio e fez um bom filme.

Os atores estão perfeitos. Muitos deles podemos reconhecer de outros seriados, provavelmente são velhos conhecidos de Abrams, que não quis arriscar com nenhum rosto novo no elenco. Acredito que o roteiro tem falhas, como o aparecimento repentino do velho Spock. Com tantos planetas na galáxia de StarTrek o Kirk cai justamente no improvisado lar do velho de Vulcano? Difícil de engolir algo tão improvável.

Mas sendo um pouco mais flexível com as críticas achei o filme muito bem feito. Ele tem lindas cenas do espaço: estrelas, planetas, naves. A abertura do filme é excelente. Há tempos não via um começo de filme tão bom, que respeita até as leis da física que diz que o som não se propaga no vácuo. Por falar em som, a cena do jovem Kirk no deserto com os Beastie Boys é uma das mais legais do filme.

Espero que a essencial da velha série sobreviva nessas adaptações. Os anos se passaram, mas as ficções futurísticas continuam tão interessante como antigamente – talvez pelo fato desse “futuro mágico” de teletransportes e viagem na velocidade da luz ainda estar muito longe. Até lá essa é minha dica de filme para os velhos e novos fãs de “StarTrek – Jornada nas Estrelas”.


mai 13 2009

De Repente Filmes

Tag: cinemaFelipe Jannuzzi @

Tem um bom nicho no blog que gosta de fazer vídeo. Seja por diversão ou trabalho, tem sempre alguém com uma câmera na mão pronto para descarregar conteúdo na rede. Aos poucos vamos colocando nossos filmes e quem sabe, um dia , ter um programa especialmente pro blog. Mas isso ai já é outra história.

O que vou mostrar agora são três histórias, na verdade, três ficções que fizemos para um site chamado Filmaka. Nesse site, todo mês, eles jogam pra comunidade temáticas variadas nas quais devemos nos inspirar e realizar um curta de 3 minutos. Os melhores curtas ganham prêmios e reconhecimento internacional. Uhu!

Nosso primeiro curta, nosso pé na porta, aquele que iniciou nosso relacionamento com o Filmaka, foi o “50 Bucks”. A temática do mês era Pros & Con Games e sem nenhuma pretensão acabamos ganhando o concurso. O curta é sobre uma nota de 50 reais que passa pelas mãos de trapaceiros.

Depois do “50 Bucks” resolvemos fazer algo diferente para o site. No mês seguinte a temática era Fresh Start e bolei um roteiro bem simples e infantil de uma animação stop-motion. Depois de um dia de gravação, muita coca-cola (sim, sem cerveja) e flashs fotográficos terminamos o “Run Purple Run”. A Purple é uma massinha de cor roxa encanada com seu peso e com as tendências da moda.

A massinha gorda também levou um  prêmio pra casa. Ficamos sabendo na semana passada que foi o segundo curta mais votado. Acho que a galera curte animação. Eu sei que gosto.

Nossa última produção foi um piloto de série. Por menos de R$ 30 reais e muita boa vontade de amigos fizemos o primeiro episódio do “Captain Bad Luck” – o super herói mais azarado do mundo. Com 3 minutos de filme tentamos passar a idéia de uma cidade em colapso ao ver seus heróis morrendo de forma desastrada. E para salvar a população resta apenas um último herói: o “CBL”. A temática desse piloto era “Hard Times” (influenciada pela crise econômica).

A parte mais bacana disso tudo, além dos prêmios e do reconhecimento, é a velocidade da produção e o retorno do público. Os prazos são curtos, a grana é pouca, mas qual a melhor forma de aprender do que fazer um curta por mês e saber logo de cara o que funciona e o que não funciona com o público online? Espero que gostem e fiquem livres para criticar, opiniar, inspirar.


mar 25 2009

V Prêmio FIESP/SESI-SP de Cinema Paulista

Tag: cinemaNikolas Maciel @

Noite de prêmios para o Cinema brasileiro!

Anteontem, dia 23 de março, ocorreu no prédio da FIESP, na avenida paulista, a cerimônia de premiação do V Prêmio FIESP/SESI-SP de Cinema Paulista. E eu, aspirante a cineasta de plantão estava lá!

O evento foi super interessante: um clima de Oscar abrasileirado (nas suas devidas proporções, claro) com espetáculo e temática circense. Deu até pra trocar uma idéia e pegar o contato do Meirelles (não, não passo pra ninguém!). A  apresentadora, a atriz (?) Bárbara Paz, abriu a cerimônia dizendo algo como: “Todos nós que fazemos cinema no Brasil temos algo de “palhaços”, pois temos de fazer malabarismos e nos equilibrar na corda bamba o tempo inteiro”. De fato!

Dentre os destaques estavam o “Ensaio sobre a cegueira” de Fernando Meirelles, “Chega de Saudades” de Laís Bodansky e “Encarnação do demônio” de José Mojica Marins (também conhecido como Coffin Joe). Os prêmios não surpreenderam muito – eles foram bastante políticos, mas não no sentido ruim da coisa: eles servem de incentivo para uma potencial indústria cultural no Estado de São Paulo. O diferente “perfil” desses três filmes é uma grande metáfora do projeto cultural que se espera para o cinema paulista e nacional: existe espaço para desde megaproduções em parceria com Hollywood até filmes de horror trash com cara de anos oitenta.

O que ficou marcado foi o discurso de desabafo do Meirelles: “Não entendi o que eu fiz de tão errado com esse filme que a crítica no mundo inteiro bateu tanto em mim!”.

Apesar de ter uma cara de “consolação” os prêmios foram merecidos. Ensaio é um filmaço!


fev 17 2009

Under the Red Carpet

Tag: cinema, reflexoesNikolas Maciel @

Los Angeles – Califórnia.

Uma das casas mais aconchegantes do cinema mundial (que dentro de alguns dias hospedará aquela festa que todo mundo adora, como é o nome mesmo? Ah, o Oscar!) tem uma vida underground bastante interessante. E por underground quero dizer que não envolva milhões e milhões de dólares e celebridades sem vida própria. Já havia comentado isso aqui no De Repente, mas é em LA que também se hospeda um dos embriões mais interessantes do cinema do futuro: o Filmaka.

Este site, que busca novos talentos dos mais variados lugares do mundo, promove concurso bimestrais de curta-metragens com um tema (que eles mesmos propõem) e com um teto de três minutos de duração. A regra geral é saber se virar com 0 de budget e ser criativo. Os concursos têm várias etapas e nas mais avançadas, os pequenos filmes (ou seriam vídeos?) são julgados por nomes como Bill Pullman e Werner Herzog.

Nunca entendi as grades… afinal de contas quem agarraria a Scarlet Johansson se visse ela passando?

Apesar de ter um público bem enraizado no cinema tradicional (todos querem, no fundo no fundo, um tapete vermelho) o site promove o amadurecimento desses produtores para um contexto muito distante do tradicional glamour de Hollywood. Num mundo essencialmente virtual, sem barreiras geográficas ou culturais (aliás, a diversidade é um dos atrativos mais interessantes do portal) existe um constante incentivo à produção e principalmente à inserção do cineasta em potencial ao mundo da publicidade 2.0 (e seus branded contents, product placements e outros jargões gringos).

Dentre os concursos promovidos os de maior destaque são os de “parceiros” do site (que variam desde a Cisco até a Lincoln, passando por outros gigantes da indústria norte-americana). E pensando um pouquinho pra frente, o que será da indústria cinematográfica daqui há alguns anos quando os filmes estiverem cada vez mais com um pé na rede? Eu vislumbro um novo-velho-oeste de artistas duelando epicamente com marcas superpoderosas que se revelam seus pais no final do filme (uma vez que quem vai bancar isso tudo, provavelmente serão as próprias empresas que darão pitacos não muito bem-vindos no conteúdo – mas pensando bem… até que ponto isso é muito diferente de hoje no fim das contas?).

Não se sinta assim. Seu trabalho está sendo visto por gente muito importante!

O que é importa deixar registrado é que essa talvez seja a primeira iniciativa de democratização de uma produção cinematográfica mais tradicionalista. Iniciativa essa oriunda da terra mais bairrista com seus produtos cinematográficos.  E quem ganha somos nós do terceiro mundo. Afinal de contas, quais as chances de ter uma oportunidade de passar seu vídeo para big shots de Los Angeles. Com isso, a competição se restringe somente à capacidade de criar e inovar em condições extremas de orçamento (da ausência dele, no caso).

Quem sabe daqui há alguns anos o tapete não fica mais vermelho do nosso lado da tela?

Fotos do Flickr em Creative Commons.


nov 19 2008

Cinema 2.0!?

Tag: cinema, culturaweb, reflexoesNikolas Maciel @

Post de duas tags!

Como algumas pessoas já sabem, sou estudante de cinema na UFSCar (Universidade Federal de São Carlos). Durante os 4 anos da graduação fomos bombardeados com os mais seletos e exclusivos materiais cinematográficos: Godard, Gláuber, Pasolini, Fellini, Mussolini, Fettuccini… enfim (alguém com certeza já fez essa piada…)! Nos ensinaram que o cinema legal de ser feito é o revolucionário, alternativo, politizado.

Talvez tenha sido… na década de 60.


Diretores italianos e seus nomes gastronômicos

O que os professores não ensinaram pra gente foi que esses caras buscavam, acima de revolucionar a arte que faziam, um meio de chamar a atenção, de aparecer. Antes de virarem velhos chatos e intelectuais falidos (os que continuam vivos até hoje) eles foram jovens ousados, ávidos por uma janela para mostrarem suas idéias ao mundo. E sem dúvida conquistaram seu espaço!

Neste último semestre refleti muito em como conseguir meu próprio espaço. Repetindo uma fórmula enferrujada e guardada em algum tomo de papiro dos longínquos dias dos anos 60 certamente não foi o caminho que eu escolhi.

A internet é a ferramenta mais revolucionária de nossos tempos. Nela passei a buscar meu pote de ouro. Nessas últimas semanas fiquei surpreso que talvez estivesse de fato acertando em alguma veia de um futuro promissor quando ao inscrever meus trabalhos (realizados durante/para a faculdade) num site brasileiro de vídeos na internet, o FizTV, fui agraciado com um prêmio num concurso deles (com o vídeo “Vending Machine”). Agora, o vídeo foi selecionado pra etapa final do concurso.

E continua minha eterna batalha para colocar um vídeo embed que funcione

Em paralelo a isso, eu e meu colega Felipe Jannuzzi (também membro da equipe do derepente), resolvemos participar de um outro concurso para um portal americano, o Filmaka. O curta, “50 Bucks” foi um sucesso instantâneo entre os colegas e amigos que puderam vê-lo. Pra se ter uma idéia, já tem mais views, antes mesmo da competição começar, do que um dos vencedores do mês passado (sim as competições acontecem periodicamente).

O cara de vermelho, é meio que … eu! É só clicar, e conferir!

O que me deixou surpreso é que talvez seja aí, nesses ambientes super interativos, que colocam o usuário em primeiro plano decidindo o que ou não merece ser premiado (os júris ainda existem, mas aos poucos eles vão perdendo sua força) que esteja o futuro da produção não só cinematográficas, mas audiovisual em geral. Os festivais, o glamour, o tapete vermelho, apesar de serem o maior sonho de qualquer pessoa com uma câmera na mão, aos poucos vai perdendo seu valor e dando espaço a uma nova realidade: tudo é válido (ou quase tudo….) e não importa da onde você é! Seja brasileiro, indiano ou americano, todos competem de igual pra igual!

É isso aí: “Uma câmera na mão e um computador para fazer o upload”!

Fotos do Flickr e de divulgação do próprio curta.


out 17 2008

Mostra Internacional de SP

Tag: cinemaNikolas Maciel @

Ontem foi a abertura da 32a Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. Caí de pára-quedas na cerimônia de abertura a convite de uma amiga (cujo filme, “Apenas o fim” - uma sensacional comédia-romântica com uma pegada inusitadamente nerd - estréia hoje em São Paulo).

A balada foi bem legal!
Enfim, a cerimônia em si não teve nada de muito especial: Serginho Groisman apresentando, vários patrocinadores falando, cortesias e agradecimento pra lá e pra cá… um evento basicamente padrão. No entanto, o filme escolhido para abrir a mostra me chamou bastante a atenção: “Terra Vermelha” é um filme bastante peculiar e que causou comentários fervorosos e dividiu opiniões nas rodas de conversa da balada de abertura da mostra, realizada no “The Week”.

Não vou discorrer sobre o filme, mas acho que vale a pena de ser assistido, apesar de ser um pouco amarrado e lento nas suas duas horas de duração.

O filme é forte assim como o orgulho do povo que retrata
No entanto, o destaque da abertura, na minha opinião, ficou para a esposa do falecido diretor japonês, Kihachi Okamoto, uma senhora (leia-se velhinha japonesa muito bonitinha e fofa) extremamente simpática e carismática que apesar de ter falado em japonês e niguém ter entendido nada, emcionou a todos com seu cumprimento tradicional japonês (aquele de se curvar, que você aprende quando faz judô aos 6 anos de idade).

Por fim, as expectativas para a mostra são as melhores possíveis. Espero que o filme da minha amiga colecione mais alguns prêmios por aqui (ganhou dois no Festival do Rio de Janeiro – Menção Honrrosa e Melhor Filme segundo Júri Popular).

Muita sorte para eles e excelente pipoca para todos que forem conferir.

Fotos de divulgação do festival.


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