Nossa própria fábrica de filmes e o futuro de Hollywood

Box Office nos Cinemas

O valor arrecadado por cada filme na sua temporada de exibição nas salas cinema é chamado pelo mercado de box office. Esse valor não inclui os ganhos com a venda ou o aluguel do filme ou os ganhos com a venda dos direitos de exibição do filme em canais de televisão. O box office está exclusivamente condicionado à venda de ingresso para se assistir um filme no cinema. Quanto mais longa for a vida de um filme nas salas de exibição, ele arrecadará mais lucro para os produtores, distribuidores e donos das salas e se tornará mais atraente comercialmente nos outros pontos da cadeia de distribuição, como a venda de mídia física no mercado doméstico ou a exibição em canais de televisão aberta ou paga.

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Google, Giphy e a guerra pelos GIFs

Um verbete na Wikipedia sobre o termo Graphics Interchange Format, ou o nome verdadeiro e não abreviado do GIF, nos diz: o GIF é um formato de imagem em bitmap que foi apresentado pelo CompuServe (um dos primeiros provedores dos EUA) em 1987.

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Preconceito virtual e, não, xenofobia


O offline como potencializador do online: intolerância do mundo “virtual” ao real

Xenofobia é um termo costumeiramente usado nas aulas de Geografia do Ensino Médio ou Fundamental das escolas de todo o país. Principalmente no momento em que o professor explana sobre o Velho Continente. Segundo o dicionário, xenofobia significa “aversão a pessoas e coisas estrangeiras”. Nesta segunda-feira, uma gritaria virtual em torno do tema chegou equivocadamente – e, mais uma vez -, ao Twitter.

A declaração em até 140 caracteres de uma jovem estudante pipocou na rede. Ela se mostrou revoltada com a vitória de Dilma Rousseff sobre José Serra na corrida presidencial e atribuiu o triunfo à população do Nordeste. Diz a jovem: “Nordestisto não é gente. Faça um favor a SP: mate um nordestino afogado!”.

O tweet foi como um foguete – deixou o solo virtual do Twitter rapidamente. No entanto, a discussão em torno do assunto veio com um mero engano. Xenofobia pressupõe aversão a objetos e indivíduos de estrangeiros. No caso, a intolerância foi local. Xenofobia vem do grego. Xénos significa estrangeiro; phobos, medo.

A manifestação – que deve ser condenada – será um dos próximos princípios a serem discutidos no país. Não tem jeito. Com a popularização e acesso maciço à web, o episódio que sempre aconteceu na sociedade brasileira será transferido para plataformas digitais. É o on-line como potencializador do off-line e vice-versa. Para tanto, deixo uma sugestão de leitura, da pesquisadora Danah Boyd (em inglês), que trata de forma brilhante sobre o assunto.

Por um Facebook com mais usuários do Orkut

Há alguns meses, Orkut e Facebook travam um duelo nada silencioso – e esperado – pela preferência dos brasileiros nas redes sociais. O primeiro ainda reina no segmento, com mais de 29 milhões de visitantes únicos no mês de agosto, segundo recente estudo da Comscore. No entanto, tem visto o seu maior concorrente avançar de forma eficiente. O mais novo recente episódio da batalha estava previsto para ser lançado na última sexta-feira. De olho no confronto para atrair mais adeptos ao serviço, a rede social de Mark Zuckeberg apresentará aos mais de 500 milhões de cadastrados sua nova arma – a possibilidade de encontrar seus amigos do Orkut no Facebook.

O recurso, ainda não disponível, será a nova isca para conquistar novos adeptos. O Brasil é um dos poucos países em que ainda não há supremacia do Facebook.

Ao vincular os dois perfis nas plataformas sociais, os adeptos serão capazes de compartilhar informações, vídeos e fotos com todos os seus amigos. No caso, a opção irá aparecer na página principal do perfil do cadastrado.

Essa é a segunda tentativa do Facebook em atrair adeptos da rede social de maior popularidade no Brasil. Em setembro de 2009 – dias após a vinda de Mark Zuckerberg ao Brasil – brasileiros visualizavam uma mensagem inusitada (imagem acima) ao acessar o serviço: “Encontre seus amigos do Orkut no Facebook!“. Na época, o interessado deveria clicar no link que estava disponível, que permitia receber orientações para importar contatos do Orkut.

O novo – e velho – alvo do Twitter: os spammers

“Lançamos o novo Twitter para descobrir o que é novo no seu mundo”, anunciou na noite da última terça-feira Evan Williams, um dos fundadores da empresa. Dias após a revelação, parece que a maior mudança na ferramenta desde o seu nascimento virtual, em 2006, virou objeto de desejo. Diz um dos meus seguidores: “mudanças? Isso é verdade?”

As reformulações estruturais realmente pretendem garantir um uso mais simples e prático de uma rede, conforme explicou Williams no evento. E também mostra um cenário de batalha contra terceiros. No entanto, a nova roupa virtual do Twitter mostra uma perspectiva: a nova disputa contra desocupados virtuais que enviam de forma ininterrupta mensagens não solicitadas ao microblog, conhecidos na web como spammers. Até março, 11% das mensagens enviadas pelo Twitter eram consideradas como spam. Hoje, este valor caiu para 1% – o que representa aproximadamente 900.000 tweets diários, se compararmos com os últimos números divulgados pela empresa.

Um dos recursos apresentados faz parte da estratégia de inibir a invasão de spammers, que encontraram no Twitter um tesouro – os encurtadores de link para distribuir links maliciosos e infectar computadores. Um link encurtado permite enxugar caracteres na mensagem a ser enviada se tornou essencial – e as extensas URLs jogavam contra essa lógica de escrever em até 140 caracteres.

Se facilita a vida do usuário, os encurtadores adicionam um problema à vida deles: uma vez que o novo código com a URL encurtada substitui a URL original, não é mais possível ler o endereço expresso no link. Com as novas mudanças, o problema foi solucionado: é possível visualizar, antes de clicar, o tipo de conteúdo da URL. Ou seja, os spammers sofreram um ataque pesado do microblog. Mas, aos poucos, se adaptam à nova estrutura para desferir ataques em perfis.

Foto: freezelight.

Há quem diga que os aplicativos irão salvar o Jornalismo…

Um dos fatos que mais me intriga nos últimos anos é a tentativa ininterrupta de buscar um produto, modelo ou fato para salvar o Jornalismo. Fala-se no fim apocalíptico do impresso, na lenda dos micropagamentos para direcionar a informação ao interagente e criação de modelos híbridos para gerar novas receitas em ambientes estruturados por tecnologias digitais conectadas. Pura especulação e nenhuma reflexão. Desta vez, chegou a hora de dizer que os aplicativos podem salvar os jornais.

Jimmy Wales, fundador da Wikipedia, concedeu uma entrevista no início do mês ao site da Associated Press sobre quais são os possíveis formatos para garantir a sobrevivência de publicações do Jornalismo. Para o empreendedor, as aplicações disponíveis em novos dispositivos conectados à web – como um iPad – podem ser a chave para resgatar o segmento, que se diz em crise há mais de 10 anos.

Wales se apoiou nas gigantes Apple e Google para comprovar seu argumento. E citou o termo “impulso” para garantir que publicações terão leitores querendo consumir seus conteúdos. Só esqueceu de lembrar da dificuldade de transferir modelos de negócio da música, por exemplo, para o mundo da informação.

Não é de hoje que sites noticiosos tentam encontrar a fórmula mágica para acabar com a queda de receitas de empresas. Os aplicativos – indispensáveis em tempos de acesso à web por tablets, celulares e iPods – podem, sim, contribuir para novos lucros. Mas não podemos colocá-lo como o salva-vidas do Jornalismo.

Na necessidade de sair à frente de seus rivais, muitas empresas do setor não fazem esforço algum ao pensar na perspectiva de como o interagente irá consumir o conteúdo. Resultado: os aplicativos são espelhos das publicações em outros formatos – impresso ou on-line. E é aí que mora o perigo.

Durante uma conversa que tive no Google com Chad Hurley, um dos fundadores do YouTube, ele soltou a seguinte frase: “conteúdos distintos demandam modelos de publicidade distintos”. Ou seja, o conteúdo é distribuído em várias plataformas, mas apenas sob um único formato, passo que todos as publicações já deveriam ter dado. Agora, há outro objetivo: falta adicionar o ingrediente “inteligência” aos dispositivos. Logo, chegou a hora das empresas de mídia aprenderem com a navegação do usuário.

Em tempo: estive ausente da produção de posts por conta do fim do Mestrado. Nas próximas semanas, vou disponibilizar minha dissertação para download no blog.

Foto: tismey.

Por que você segue marcas no Facebook?

O que faz o ser humano escolher uma opção entre as diferentes preferências que lhe são oferecidas é ainda uma questão intrigante e feita sob diversas perspectivas. Uma simples regra geral estabelecida não é suficiente para explicar o estímulo de cada indivíduo. Para tentar entender essa relação, a consultoria especializada em web E-marketer realizou uma pesquisa com o objetivo de conhecer o que move pessoas a seguir marcas em redes sociais como o Facebook. O resultado, infelizmente, revela uma preocupação ‘marketeira’ sobre estímulos e motivação do usuário. Faltou apenas levantar a bandeira do auto-interesse pessoal. É o império do egoísmo.

Segundo o relatório, 25% dos entrevistados seguem uma empresa com a vontade de ganhar descontos ou promoções especiais. A fidelidade do indivíduo e a possibilidade de mostrar vínculo com uma marca à sua teia social aparece em segundo lugar, com 18%. Cerca de 10% das respostas coletadas se referem às características de acompanhar uma empresa por ‘diversão’.

Em pouco tempo, os dados pipocaram em blogs especializados em mídia. E o argumento que fora mais analisado envolvia possíveis erros de estratégia em rede. Só esqueceram do principal: tentar compreender a motivação o fenômeno do auto-interesse, que representou 1/4 das respostas dos entrevistados. O cenário é novo. A teoria, nem tanto.

Em 1776, Adam Smith escrevia ‘Riqueza das Nações’ e entendia que o auto-interesse movia a participação alheia e estimulava o trabalho e sua divisão. Diz o autor: “dê-me aquilo que eu quero e você terá isto aqui, que você quer – esse é o significado de qualquer oferta desse tipo.”

O egoísmo, um auto-interesse ‘excessivo’ segundo Smith, é considerado uma característica natural ao homem, reflexo de uma concepção estética ligada ao ‘amor-próprio’. “Cada homem, portanto, é muito mais profundamente interessado no que quer que imediatamente lhe diga respeito, do que naquilo que diz respeito a qualquer outro homem”. O egoísmo, nada mais é, que a possibilidade de converter tudo em utilidade exclusiva. E, parte dos indivíduos conectados em rede começa a pensar assim.

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KaZaA voltou pela 3ª vez. E “engessado”

Um dos maiores símbolos de distribuição de música gratuita de uma geração digital, o KaZaA voltou a dar o ar da graça – virtual – pela terceira vez. Sem novidades, o serviço busca reconquistar a popularidade no segmento e ganhar novos adeptos. Para tal, tenta se levantar ostentando seu registro histórico. No entanto, chega “engessado”.

Em julho de 2009, falei aqui, no blog, sobre a sua segunda tentativa de ganhar visibilidade. De vilão, tornou-se o novo aliado das gravadoras – um produto de assinatura que oferece músicas por meio de parcerias com grandes empresas. Ou seja, de ícone virtual na esfera do áudio, buscou o mais do mesmo ao copiar modelos de sucesso no segmento, como o Spotify. Foi a solução encontrada pelos seus novos proprietários.

Desta vez, o script quase não mudou – serviço de uso exclusivo nos Estados Unidos, com a possibilidade de ouvir 1,6 milhões de músicas via streaming e com um custo mensal de 15 dólares. Na primeira semana, o teste é gratuito.

As duas únicas novidades – se é que podemos considerá-las como inovações – é a nova maneira de citar o Kazaa (agora é KaZaA) e a possibilidade de acompanhar e compartilhar quais são as músicas mais ouvidas pelos seus amigos.

O fracasso do modelo gerou críticas pesadas ao serviço. O maior defeito que encontrei, no caso, foi a falta de uma estrutura móvel. Em tempos de uso da internet em celular, tablets ou automóveis, KazaA não possui uma versão móvel. Faltou pensar de forma menos centralizada e mais distribuída. De ícone de uma história recente da web, tornou-se um produto musical “engessado”. Para piorar, os fundadores do KaZaA acabam de lançar um serviço de áudio na web, o Rdio. E sua proposta já é vista com bons olhos no setor.

Murdoch não se preocupa com a audiência

Quando comentei em agosto a proposta de Rupert Murdoch, empresário detentor de 38 jornais em todo o mundo, em cobrar conteúdo em duas publicações inglesas, havia ressaltado o risco: “ele dará um tiro no pé em uma publicação que é um sucesso local britânico em, pelo menos, um dia da semana: o domingo.”

Ontem, saíram novos resultados – “os jornais The Times e The Sunday Times perderam dois terços de seus leitores depois de começarem a cobrar o acesso on-line as notícias dos sites. ” A medida, mais do que esperada, cai como uma grande questão cansativa: cobrar conteúdo na web?

Segundo a empresa de métricas Hitwise, as visitas ao site do The Times, por exemplo, caíram 66%, registro que não era esperado pelo magnata australiano. De distribuído, tornou-se uma publicação centralizadora e de alto custo. Um acesso avulso para ler uma reportagem custa quase três reais.

Fica evidente a migração de leitura para jornais tradicionais e com base consolidada de audiência na região, como o The Guardian, por exemplo. Mas Murdoch não está preocupado. O empresário prefere ter leitores fiéis que pagam a milhões de números de audiência registrados no Analytics – simplesmente quer reverter leitura on-line em valor monetário.

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Quando leitores de meios digitais não querem pagar para obter informação na web

Quando o Twitter vira ‘caixa de comentários’

Quem acompanha o blog há algum tempo percebe o cuidado pessoal para compreender o processo de reestruturação da ‘caixa de comentários’, espaço que já foi decretado como morto com a “avalanche” das redes sociais, que permitiram a distribuição de conteúdos em várias plataformas.

Nos sites noticiosos, o tema começa a ser examinado com atenção: a Newsweek começou a usar o Echo; o Huffington Post se baseou em um sucesso local do Foursquare para gerar medalhas aos usuários que produzem comentários; a Economist lançou uma nuvem de tags que reúne comentários produzidos em blogs e artigos da publicação.

Para todas as empresas de mídia, o discurso é semelhante – teremos uma web cada vez menos anônima. Não discuto a legitimidade e possibilidade de não se identificar, mas a chance de comentar uma notícia a partir de um cadastro em uma rede social garante relevância e, principalmente, reputação ao seu círculo social.

Desta vez, conheci a oportunidade do Twitter virar o espaço de comentários. Com o objetivo de centralizar em um único ambiente virtual opiniões a respeito de um artigo ou post, o jovem designer Joey Primiani desenvolveu um sistema que permite usar o perfil da rede de mensagens de 140 caracteres em uma caixa de comentários. O serviço já está disponível para a plataforma WordPress.

A iniciativa é bem interessante, porém peca em um grande ponto – a possibilidade de você usar qualquer perfil do Twitter para comentar. Apesar da fase de testes, não há o recurso de autenticação do usuário. A imagem acima mostra a possibilidade de ‘falsificação’.

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