jan 26 2010

O retorno ao blog

Tag: entrevista,recadoRafael Sbarai @

Depois de 15 dias de descanso e postagens programadas com um teor mais acadêmico, retorno com as produções de conteúdo no De Repente. Apesar da ausência, destaco conversas com dois dos profissionais que mais respeito na área.

No último dia 18,  fui entrevistado por Alec Duarte, professor e jornalista da Folha de S. Paulo. A conversa aborda mudanças no jornalismo, privacidade e como a mídia social contribui em nossa profissão.

Rafael Sbarai, 23 anos, é um prodígio. Poucas pessoas analisam tão bem os meandros da web (e sua implicação no jornalismo), em português, como ele. E faltam textos em português sobre o assunto. Pessoas, escrevam mais! (…)
Conversei com ele numa brecha da rotina corrida de quem é repórter e editor de mídia social no site da maior revista brasileira, Veja. O assunto: monocultura do Google, jornalismo participativo, grandes grifes da web.

Na última semana de 2009, o jornalista Yuri Almeida disponibilizou em seu blog um bate-papo sobre Jornalismo Colaborativo, tema da minha dissertação no mestrado. Segue um excerto do que falei:

As redes sociais apenas potencializam a possibilidade de reunir conteúdos interessantes de casos específicos. Ficou mais prático e fácil em coletar dados e informações. A única questão é como isso será checado posteriormente para a publicação. O que tornou-se mais eficaz é a comunicação instantânea que permite rapidamente a produção de conteúdos participativos.

No Portal da Comunicação, falei um pouco sobre meu trabalho em @veja.


jan 15 2010

Entrevista com Pablo Handl, empreendedor do The Hub

Tag: culturaweb,curiosidade,entrevistaRafael Sbarai @

hub-sp

Confesso que deixei de lado uma das seções que mais gostaria de destacar no blog: entrevistas. Com o vínculo a outros dois blogs (Vida em Rede e Blog da Copa de 2010) em VEJA, ficou mais difícil. No meio deste caminho, consegui coletar conversas que tive durante o percurso do meu mestrado. E, nele, encontrei Pablo Handl, carro-chefe do The Hub, um dos projetos mais interessantes de São Paulo.

O Hub-SP é um dos lugares com o conceito de trabalhar de forma colaborativa, compartilhando pensamentos, conteúdo e ferramentas. Localizado na região central de São Paulo, o espaço de coworking abriga startups e freelancers, com a possibilidade de resgatar o ar de “escritório” de grandes empresas. Segundo Pablo, para ingressar ao The Hub, é necessário uma única característica: empenho e desejo de colaborar com o próximo. A seguir, um bate-papo com o argentino de 32 anos.

Quem é Pablo Handl  e como começou a história de criar o The Hub?
Bom, antes de tudo, não sou brasileiro. Nasci na Argentina e cresci na Áustria, onde estudei Administração de Empresas, pedagogia teatral e mediação de conflitos. Estou no Brasil há  quatro anos. A idéia do Hub surgiu mesmo em 2007, mas foi aplicada em agosto de 2008, mês e ano de fundação do The Hub.

hub-sp-1

O que é o The Hub?
O The Hub é uma rede de espaços, uma franquia social. O primeiro foi criado em Londres, na Inglaterra. Trata-se de um local para expressar uma nova forma de trabalho. O Hubworld é a organização que centraliza toda a situação destes doze pontos que teremos até o final do ano.

Vamos falar então sobre coworking. A expressão, criada em 2005 por um engenheiro do Google, foi definida, mas pouco abordada. O The Hub é um espaço de coworking?

Coworking é o The Hub e vice-versa. Iria além. The Hub é uma incubadora de idéias. O Coworking já foi empregado até como um espaço dos cybercafés. Uma coisa é totalmente diferente da outra.

Qual é o objetivo do The Hub?
Simplesmente promover encontros improváveis. Algo que você nunca iria esperar. Temos que mudar a opinião de parte da sociedade. As idéias não surgem apenas com amigos próximos. As melhores coisas surgem com pessoas diferentes, que englobam temas distintos. O The Hub não é um fim; é um meio. As idéias acontecem para um Brasil melhor.

the-hub-sp

Você considera o Coworking um espaço físico?
Não. Trata-se de uma nova cultura.

Quais são os recursos para garantir a infra-estrutura do espaço?
Não existem patrocinadores no local. Você pode olhar agora, por exemplo. Não há um exemplo de patrocínio aqui. O único parceiro é a Artmicia, uma organização que apóia modelos de negócios sociais. Aqui, nós damos toda a estrutura: mesas, cadeiras, impressoras e uma boa conexão à internet. Há um espaço para fazer refeições rápidas. Enfim, é um grande local para produzir coisas boas.

Existem critérios para uma pessoa ser membro do The Hub?
Sim, tocou em um ponto interessante. Somos seletos. Temos critérios para o ingresso de uma pessoa. Se você não tem o espírito de compartilhar idéias e trabalhar em colaboração com o outro, você está fora. A idéia é de adaptação e, posteriormente, de confraternização.

the-hub-sp2

O Brasil começa a se organizar nesta prática de coworking?
Há um mercado enorme para ser explorado aqui no país. O Brasil está no caminho certo.

Você acredita que existe um motivo para pessoas comuns procurarem o The Hub como instalação de trabalho?

Conexão com outras pessoas. Hoje, o trabalho permitiu um novo nomadismo na sociedade. As pessoas que estão aqui pensam à frente. A principal idéia de estar no The Hub é compartilhar e potencializar relacionamentos improváveis.

Durante nossa conversa, você falou em ajudar a melhorar o país. O The Hub está ajudando a melhorar o Brasil?
Sim. Você conhece seus vizinhos? Fala com eles todos os dias? Sabe de suas funções diárias, famílias? Provavelmente não. Aqui estamos reaprendendo a viver em conjunto, a viver em sociedade. Estamos fazendo o caminho inverso da web. A experiência offline começa a complementar a vida online.

Se o The Hub fosse uma pessoa, em que fase da vida ele estaria?
The Hub ainda está na infância, mas é aquela criança que já tem um objetivo traçado.

Apesar de não gostar e usar o termo, projetos considerados “2.0” estão em queda, seja na web, seja na vida real. Você acredita que o The Hub sofra algum risco?
Risco todos nós temos. É uma empresa ali, outra lá Mas enquanto estiver perguntando o porquê de todo dia estar aqui, sei da minha resposta: estamos muito bem.

Foto: Reprodução, The Hub Network e Roberto Sena (2).


set 07 2009

Mídia Social – por Tayra Vasconcelos – Parte 2/2

Tag: cinema,entrevista,videoNikolas Maciel @

Eis a segunda parte da conversa que tive com Tayra Vasconcelos, jornalista especializada em Midias Sociais, que vem realizando trabalhos expressivos com marcas e campanhas de lançamentos de filmes.

Na semana passada ela nos fez uma explanação sobre Mídias Sociais e discutimos temas relacionados a utilização dessas plataformas em campanhas e ações de divulgação de produtos. A Tayra está se especializando no trabalho com filmes, campo ainda muito pouco explorado.

marisa monte le meu blog
A internet é feita de pessoas, não de instituições

Tayra comenta, nesta oportunidade, discursos e exemplos de campanha, como a do filme “Apenas o Fim”, além de relembrar fiascos como a ação promovida pela equipe da cantora Marisa Monte, no fim do ano passado.

4 – Como é possível criar a identidade de um produto e conversar com seus espectadores de uma forma impessoal em ambientes voltados justamente a relações interpessoais? Como esse trabalho é feito com filmes? Quais são os cases que mais chamaram a sua atenção no Brasil e mundo afora?

Na verdade, a grande sacada dessa área é que nada é impessoal. A ideia é justamente essa, é ficar próximo de seu público, criar a empatia, ter gente como você falando bem de um produto e não alguém mitificado como um galã de novela ou cinema ou mesmo um popstar da música. Quando é alguém igual você, fica muito mais fácil de acreditar naquilo e essa é a principal vantagem desse tipo de mídia.

Há pouco mais de um ano, muitas distribuidoras viram esse potencial e começaram a organizar cabines e pré-estreias com blogueiros, para que os mesmos pudessem escrever sobre os filmes. Mas por enquanto, a maioria não passa desse tipo de iniciativa. Modéstia totalmente a parte, eu, como trabalho nessa área, e como desde criança sempre fui apaixonada por cinema, estou muito feliz de unir essas duas coisas. E esse ano, basicamente, os trabalhos que fiz, foram voltados para cinema.

Atualmente estou fazendo esse trabalho com o Green Nation Fest – um festival de cinema ecológico, que acontecerá dentro do Festival do Rio – e também o lançamento do filme “Juízo Final“. Nos dois casos estamos fazendo uso maciço do Twitter, ambos com perfis oficiais, e tem rolado muita interação. Os dois também contam com perfis oficiais no Orkut e participações constantes em comunidades relacionadas a cada um deles. No caso do “Juízo Final” também ficamos mais próximos de blogueiros e twitteiros, organizando uma pré-estreia exclusiva especial para esse pessoal, onde todos puderam tirar fotos e filmar cenas do filme, dentro da própria sessão, podendo twittar e blogar na hora, com imagens exclusivas do longa.

Mas um case que foi muito comentado, e que, por um acaso, fui eu que toquei (hehehe), ao lado de mais um pessoal, foi o do filme nacional “Apenas o Fim“. Esse filme, desde o começo foi um exemplo de trabalho de formiguinha, de guerrilha mesmo. Com todo mundo, elenco, direção, produção etc., trabalhando por paixão, com falta de verba total, sem nenhum tipo de lucro, mas nem por isso, deixando de lado a qualidade. O filme, no fim das contas se revelou um enorme sucesso de crítica e público e no ano passado abocanhou os prêmios do Júri Popular no Festival do Rio e na Mostra de São Paulo. Depois disso, o filme foi lançado em junho deste ano, e a falta de verba continuava a ser um problema, e a saída que vimos para isso era fazer uso desse tipo de mídia. A divulgação do filme contou quase que excluivamente com a utilização de plataformas na internet. Logo no começo da campanha assumi o Twitter, interagindo diretamente com o público, respondendo as dúvidas dos mesmos. Divulgando as sessões e salas onde o filme estava sendo exibido. O Twitter também contava com promoções que oferecia camisetas, ingressos e pôsteres do filme, que eram sorteados ou então dados como prêmios de Concurso Cultural. Mais pro final acabei assumindo também o Orkut.

Mas o ponto forte foi mesmo o Twitter, que o pessoal comentou muito, foi divulgado em jornais, blogs etc., todos comentando o uso dessa plataforma. O perfil tinha quase 2 mil seguidores e até hoje comenta-se muito essa iniciativa. E eu fico muito feliz por ter feito parte disso. Eu torço para que outros filmes entendam o quanto isso pode aproximá-los de seus espectadores e o quanto isso pode reverter positivamente, e com um custo baixíssimo em termos de publicidade.Mas, como já te disse antes, por ser uma área nova, as pessoas ainda tem um certo receio de pisar em terreno desconhecido.

5 – Alguma dica para empresários e profissionais que gostariam de potencializar suas marcas no mundo digital?

Acho que essa é uma tendência da publicidade e a maioria das marcas vai acabar percebendo o potencial desse tipo de divulgação para o seu produto. Mas é importante que não tentem fazer isso achando que é uma coisa super simples, que pode ser feito por qualquer um, porque há muita agência achando que é super fácil e fazendo verdadeiras bombas no assunto.

Um clássico foi no final do ano passado, vídeos gravados pela Marisa Monte para divulgar sua entrada nessa área, com perfil no YouTube, Orkut etc. e num deles ela dizia algo como “Oi, eu leio esse blog sempre e acho super bacana (…)” e aí mandaram e-mail para vários blogueiros, com o link do mesmo, para que eles colocassem em seus blogs, com a ideia de viralizar a entrada da Marisa Monte nesse mundo virtual. Só que era tão tosco e genérico que virou uma grande piada, e só bloguezinho de miguxas, com 15 acessos, que só as próprias amigas lêem acabaram colocando o vídeo no ar. Porque era um acinte à inteligência do seu leitor ter aquilo ilustrando seu blog, uma vez que era óbvio que a Marisa Monte nunca nem passou perto daquele blog, tampouco sabe quem tá linkando o mesmo, só queria divulgação. O triste é que há muitos casos similares.

Outro erro muito comum é no Orkut, é sabido que essa plataforma é um verdadeiro fenômeno aqui no Brasil, e uma ação bem feita ali pode resultar brilhantemente. Munidos dessa informação, o povo chega no Orkut pra divulgar algo e acaba transformando aquela publicidade em spam, e faz de uma maneira tão tosca, que ninguém se interessa em ler. É preciso ter muito cuidado com o que se faz, quando se lida tão de perto com o público. Porque uma coisa mal feita pode te queimar para sempre.

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ago 31 2009

Mídia Social, por Tayra Vasconcelos – Parte 1/2

Tag: cinema,culturaweb,entrevista,midia,redesocialNikolas Maciel @

Para diversificar um pouco nosso conteúdo fazemos eventualmente entrevistas com colegas da área de tecnologia na internet. Dando continuidade a essa iniciativa, conversei Tayra Vasconcelos, analista de Redes Sociais na Playtwo Advertainment e editora-assistente e responsável pela área de publicidade no blog Judão. Especialista em o que se considera Mídias Sociais, Tayra vem com projetos focados em campanhas, na internet, de lançamento de filmes.

Atualmente ela é responsável pela divulgação na internet da produção britânica  “Juízo Final” e há alguns meses trabalhamos juntos na campanha de divulgação de “Apenas o Fim”: eu, a Julia Ramil (produtora do filme) e o pessoal da Morena Filmes organizamos a campanha, pensada exclusivamente para a internet e convidamos a Tayra para administrar o nosso twitter (com resultados muito legais, por sinal!).

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Da esquerda pra direita:
Marina Santa Helena (Chiqueiro Chique), Joana Dambros (Sim Viral), Tayra Vasconcelos (Cena Brasilis/Judão), Gabriela Bianco (Casa da Gabi) e André Ceciliato (Pérolas com Cuspe) – todos da Dudinka Social Media – envolvidos no WCG 2008, no qual aconteceu um campeonato de Pro Evolution Soccer só entre blogueiros

Para facilitar a leitura, dividi a entrevista em dois posts; o próximo estará no ar semana que vem. Mas deixo avisado: vale a pena conferir a entrevista do começo ao fim: a Tayra tem insights muito interessantes sobre o nosso entendimento de Mídias Sociais e sobre os trabalhos que vêm sendo feitos no meio. Com muita simpatia e autoridade ela nos dá uma aula e deixa claro porque já é uma das referências hoje no Brasil nesse tipo de trabalho.

1- Pra começar: Tayra, como podemos definir o que é uma Mídia Social?

Vamos lá. “Mídia Social” é algo totalmente distinto da “Mídia Tradicional” e acabou se formando baseado no sonho de todo publicitário, desde o começo do século XX, que é que seu produto ganhe o público através do boca-a-boca. Baseadas em muitas pesquisas, foi notando-se que as pessoas dão muito mais importância para o amigo, o vizinho, o primo que comprou uma TV bacana e falou bem do produto do que a propaganda na TV estrelada pela Xuxa ou pela Ivete Sangalo.

Aí começou-se a pensar numa maneira mais eficaz e barata de levar o produto ao seu público e decidiram começar a investir na Mídia Social. Esse tipo de mídia se volta para as diversas plataformas de rede social existentes e, de acordo com o produto, como pode se abordar a ação nessas diversas redes. No Brasil, ainda a rede social mais popular é, de longe, o Orkut, e a imensa maioria dos trabalhos com Mídia Social passa por ele. Usa-se também blogs, Twitter, MySpace, Flickr, Facebook etc. Tudo vai depender muito do que se encaixa na proposta da ação.

2- Quem é o profissional que atua hoje em dia nas redes sociais? Qual o perfil dele? Existe um futuro promissor, ou estamos falando de uma onda que eventualmente vai ser substituída por outra e assim por diante?

A Mídia Social, no Brasil, ainda está muito voltada para o universo da blogosfera. Por isso, na maioria dos casos, as pessoas que trabalham nessa área, são blogueiros de influência, e de um tempo pra cá, esse leque também tem se aberto para pessoas com influência no Twitter. Então, basicamente, os profissionais de Mídia Social hoje são blogueiros e twitteiros, que acabaram transformando um hobby virtual em profissão. Conheço gente que trabalha na área com formação em publicidade, mas há também jornalistas, pessoas sem nenhum tipo de formação acadêmica e também gente com formação nas áreas mais bizarras como Biologia, Gastronomia, Arquitetura etc.

O profissional dessa área tem que gostar das novidades desse universo, estar sempre interado e um passo a frente em relação ao que está acontecendo na internet. Tem que ter um bom trato com público, pois seu trabalho é, basicamente, se relacionar com os outros – seja através de blog, Orkut, Twitter etc.

Quanto ao futuro da área, eu, particularmente, acho que essa é uma área muito nova, e exatamente por ser nova, existe ainda muita experimentação. Tem coisas funcionando, tem coisas dando muito errado. Em 2008 houve um boom de surgimento de agências dessa área, assim como também, as agências de mídia tradicional foram atrás ou de montar uma área de mídia social dentro delas ou então de terceirizar esse trabalho com agências especializadas nisso.

E justamente por ser uma área nova, e os profissionais que trabalham com isso não terem uma formação muito especializada, tem muita gente batendo cabeça e fazendo coisas completamente equivocadas. Porém, tem também uma galera que tá acertando a mão e fazendo um monte de ação bacana. Há algumas posturas nessa área como os publieditoriais e as twittadas patrocinadas, que eu, particularmente, não acredito e não vejo futuro, mas é um caminho mais “fácil” e muitos tem seguido por aí, mesmo que isso não se reverta em resultado real para o cliente: é mais fácil mostrar um impacto da ação que através de números, que muitas vezes, não são efetivamente reais.

Até por conta dessas políticas equivocadas, ou por falta de conhecimento na área, muitas agências acabaram se desencantando com a Mídia Social e em 2009 já dá pra ver uma queda nesse mercado, em relação a 2008. Mas eu ainda acredito muito que essa seja uma área que pode crescer muito.

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No WCG Rafael Zottezzo (Blog MMO) e Thiago Borbolla (Não tão gamer/Judão) – a importância do relacionamento entre blogueiros na metáfora de uma partida de games

3 – Quais são os perfis de utilização dessas ferramentas digitais (twitter, orkut etc) como forma de divulgar um produto? O que pensar e esperar de resultados na hora de atacar as mídias sociais? Ainda é possível inovar nas formas de utilizá-las?

Então, dependendo da ação, do produto e outros fatores, você vai pensar qual é a plataforma que vai ser utilizada. Ano passado, a agência onde eu trabalhava fez uma ação de lançamento de um celular onde o ponto forte do produto era a câmera fotográfica. Portanto, fizemos uma ação totalmente voltada para o Flickr, onde as pessoas poderiam divulgar as fotos tiradas com o novo celular. Outro exemplo que trabalhamos ano passado, foi o Planeta Terra Festival e aí focamos em blogs voltados para música, um Twitter onde divulgávamos as bandas que tocariam, o set-list das mesmas e, pela primeira vez nessa área, fizemos uso do Blip.fm, uma vez que era uma ação totalmente voltada para música e que cabia como uma luva fazer uso dessa plataforma – foi um verdadeiro sucesso.

Tudo vai depender do produto e da ação. E cada uma dessas plataformas, tem um perfil de usuário bem definido, então precisamos ver o que casa com a sua proposta antes de bolar sua estratégia.

A maneira de mensurar resultados é muito controversa. Não existe consenso. Ainda foca-se muito em audiência de blogs, quantidade de followers no Twitter, número de membros de uma comunidade do Orkut e por aí vai – parte-se desses números base. Depois que a ação começa, medimos desde a quantidade de comentários que um post deve, o número de pessoas que retwittou uma postagem, a quantidade de respostas num tópico do Orkut etc.

E eu acho que é sempre possível inovar, sempre. Desde o uso de plataformas distintas até a maneira de abordar a ação numa plataforma já muito utilizada. Tudo vai ficar a cargo de seu enfoque e da sua perspicácia diante da ação.

Continua…

A entrevista continua semana que vem! Conversaremos sobre impessoalidade na hora de usar ferramentas focadas no indíviduo pra divulgar um produto e a Tayra vai nos fazer um painel de iniciativa legais no Brasil e dar dicas para que tem interesse em usar as mídias sociais de maneira consicente e efetiva na hora de montar uma campanha ou até mesmo uma ação mais pontual.

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mar 06 2009

Entrevista com Breno “Mac”Masi, o primeiro a desbloquear um iPhone 3G em todo o mundo

Tag: entrevistaRafael Sbarai @

Breno Masi é um nome que Steve Jobs, co-fundador da Apple, não vai esquecer tão cedo. Conhecido na web como a primeira pessoa do mundo a desbloquear o iPhone 3G, o paulistano de 25 anos possui histórias surpreendentes, suficientes para preencher um livro -questão que eu até levantei durante nossa conversa (e ainda espero uma resposta até hoje) – realizada em seu escritório na zona sul da capital paulista.

Após um bom papo – de revelações pessoais – fiquei com uma simples sensação: sem dúvida, conversei com o maior símbolo da mídia espontânea brasileira, até hoje, na web.

Com apenas um vídeo postado no YouTube, Breno MacMasi – como é conhecido – conseguiu tornar-se uma celebridade instantânea só pelo buzz da rede: sua exclusividade, na época, de desbloquear iPhones mostra que a qualidade do produto é a chave do sucesso. Se ele é bom, a publicidade é feita rapidamente entre internautas e celebridades.

E isso aconteceu em poucos dias. Poucas horas.

Hoje, Breno Masi é sócio da FingerTips, a primeira empresa brasileira dedicada exclusivamente ao desenvolvimento de aplicativos e plataforma de iPhone, além de ser um dos carros-chefe do DesbloqueioBR, que cuida dos desbloqueios do aparelho.


Paulo e Breno com um quadro representativo de quantos iPhones desbloquearam

01) Breno, queria que você se apresentasse ao pessoal do De Repente.

Sou Breno Masi, tenho 25 anos, já fui lavador de prato, animei festa infantil (tenho fotos para comprovar), fui o primeiro a desbloquear o iPhone 3G em todo o mundo (ao lado de meu amigo Paulo Stool) e hoje sou sócio da FingerTips, a primeira empresa brasileira dedicada exclusivamente ao iPhone.

02) Como foi sua experiência com o iPhone?

Tudo começou com o meu médico, que trouxe um dos primeiros aparelhos para o Brasil. Ele sabia do meu interesse e experiência em desbloquear aparelho e meu deu uma tarefa árdua para cumprir. Depois de dias sem dormir e muita busca em comunidades, enfim consegui desbloquear o primeiro iPhone, ainda em sua versão 2G. Logo depois, comecei a disseminar a informação pelo Orkut e, claro, com vídeos no Youtube. Duas das ferramentas que concretizaram um retorno gigantesco.


Breno Masi já possui, há alguns meses, o G1 desbloqueado

03) E com o iPhone 3G?

Foi tudo mais fácil. Já tinha conhecimento de toda a arquitetura de um celular apple. Por isso que fiz em tão pouco tempo. O lançamento oficial aconteceu no dia 14 de julho de 2008, uma sexta-feira. Três dias depois eu já tinha feito o desbloqueio. Fiz uma programação com um adaptador externo e funcionou. Não deu outra: colocamos no YouTube de novo.

04) O desbloqueio foi lícito? Quantos aparelhos você desbloqueou?

Qualquer desbloqueio no Brasil é lícito. Muitos desbloqueios foram feitos em pouco tempo e, parte destes, de graça.

05) É verdade que representantes da Apple vieram ao Brasil pra ver o desbloqueio?

Pior que é verdade. Bateram na minha casa uma vez. Três homens da Apple. Vieram pra investigar como eu desbloqueava. Cheios de perguntas, eles achavam que eu “burlava” a operadora At&T. Mas isso foi confirmado com o processo pelo qual eu desbloqueava os aparelhos.

06) E, em pouco tempo, foi requisitado pelas celebridades, então!?

Sim. Grande parte deles queria o iPhone. Mas pra isso precisava desbloqueá-lo. Tenho histórias com políticos, jogadores e pilotos de Fórmula-1.

O dia que eu conheci Tony Kanaan, Rubens Barrichello, Luciano Burti, David Coulthard e Michael Schumacher foi único. Somados, é claro, a uma lista de boleiros, como Ronaldinho Gaúcho, Kaká, Robinho. Ah, Ricardo Teixeira e Dunga também!

Entre os cantores, lembro da história com o Jorge Aragão, que trouxe uma comitiva de políticos de Angola.

07) E como conheceu o Schumacher?

A história foi engraçada. Tudo aconteceu em Florianópolis, durante o desafio internacional das Estrelas, uma espécie de prova-exibição anual de famosos pilotos de várias categorias.

O Schumacher ficou sabendo que eu desbloqueava iPhone e mandou um jatinho particular em São Paulo, para ir até seu encontro, no sul do país. Pode acreditar: isso aconteceu.


A medalha do Mundial de Clubes da Fifa é um dos maiores presentes de Breno

08) Mas essa não é principal história que construiu com o iPhone. Como você acabou ganhando uma medalha do Mundial de Clubes da Fifa?

Esse é o maior presente que pude ter com os desbloqueios do iPhone. Foi um jogador do São Paulo (que não revela o nome) que me entregou após a conquista da competição, em dezembro de 2005. Este atleta chegou e me disse: “tenho certeza que você vai cuidar bem”.


jan 16 2009

Entrevista com André Avorio, evangelista do BarCamp Brasil

Tag: entrevistaRafael Sbarai @

O De Repente segue com uma série de entrevistas envolvendo pessoas ligadas à área de colaboração. A entrevista a seguir é com André Avorio, evangelista do BarCamp Brasil, gerente de projetos da agênciaBlaz e ex-coordenador do projeto Radar Cultura. Conversei com André há quase um ano, durante um projeto de graduação na universidade. O interessante é ver como seu discurso é atual e merece relevância, mesmo com as reformulações tecnológicas e comunicacionais durante os últimos meses.


“Portais usam a colaboração apenas para pageviews”

Avorio é um dos grandes responsáveis, ao lado de Juliano Spyer, de criar um ambiente extremamente interessante e totalmente colaborativo durante a Virada Cultural de 2008 com o Radar Cultura, um hub de informações e símbolo de um ambiente agregador de ferramentas sociais na época. Hoje, André está na Inglaterra, estudando Information Management for Business na Universidade de Londres.

1 – Juliano Spyer, que coordenava com você o Radar Cultura, escreveu sobre o motivo do Jornalismo Colaborativo não “decolar” nos portais nacionais. O que você considera essencial que ainda falta como ingrediente para a excelência da construção do cidadão neste processo informacional.

Eu te retorno a pergunta: o que seria “decolar”?

2 – Decolar é uma expressão do Juliano. O que falta para o cidadão ajudar no processo informacional e criar um bom espaço virtual destinado à colaboração?

Olha, eu sou bastante cético sobre o assunto. Não acredito na estratégia que os portais criaram para definir o Jornalismo Colaborativo. Ainda não sei o que é “dar certo”. Não sei qual objetivo de cada formato, mas quando você pensa em colaboração, acredito, e muito, na autopublicação. Pelo fato de você produzir conteúdo que lhe interessa. Isso é muito mais poderoso e revolucionário. Sigo esse caminho. A criação de ferramentas tecnológicas que promovem e a ampliam o poder do cidadão.

3 – Qual a opinião de vocês sobre o OhmyNews? É um dos principais serviços destinados ao Jornalismo Colaborativo?

É simples. Eles propõem uma linha editorial muito bacana. O OhmyNews não recebe notícias que a “grande mídia” cobre. Fora do lugar-comum. Uma grande estratégia. Eles colocaram isso como evidência desde o início do projeto e possui um retorno. Retornando até a primeira pergunta, os portais buscam apenas um retorno: a audiência, o pageview. Isso não interessa às pessoas. Não acaba cumprindo um papel interessante.

4 – O OhmyNews lançou, ao final de 2007, a primeira Escola de cidadão-repórter. O que você pensa sobre a instalação da escola?

Não cheguei a olhar, com detalhes, o programa e os objetivos. Se a iniciativa do OhmyNews for a disseminação e união entre tecnologia e público, a idéia é fantástica.

5 – Sobre mídias colaborativas em geral. O que dá certo lá fora que, quando chega ao Brasil, não tem o mesmo resultado?

Cara, uma coisa que eu vi recentemente (há um ano), e achei fantástico foi empréstimo bancário pela internet em base de comunidades. É assim: um sujeito se oferece e diz que possui 50 reais para emprestar e gostaria de ganhar uma taxa x durante seis meses. Mídia social é isso. Transformar bancos em mídias colaborativas. As pessoas ficam em contato, a partir dos termos de uso e regulamento, e realizam o empréstimo. Isso é revolucionário. Conectar pessoas é a chave de tudo.

6 – Vocês consideram imprescindíveis a construção de um encontro off-line entre os considerados produtores de conteúdo de ambientes virtuais colaborativos?

Eu sou entusiasta da internet. Mas o que mais me encanta são as pessoas. A internet é mais um meio de encontro de pessoas. Os projetos que têm isso como objetivo acabam dando certo. Quando elas se conhecem, muda tudo. É fantástico compartilhar idéias, histórias. No caso do Barcamp. Deu muito certo no Brasil. Lá em Floripa, por exemplo. Tinha um cara com o mesmo interesse do seu grupo em Jornalismo Colaborativo. Mas ninguém compartilhava as mesmas idéias na região. A criação do Barcamp em Santa Catarina promoveu o encontro de idéias e, hoje, ele conversa com o pessoal em grupos de e-mail sobre Jornalismo Colaborativo. Esse uso da internet é importante.


Juliano Spyer (à esq.) e André Avorio (à dir.): ex-coordenadores do Radar Cultura

7 – RadarCultura e Viva São Paulo. Dois dos principais exemplos de colaboração de respeito no país. Como é essa experiência e por quais motivos eles são mais bem-sucedidos que os canais de participação de usuário nas mídias on-line?

O RadarCultura foi criado em outubro de 2007. O objetivo era repensar e reformular o projeto da Rádio Cultura AM, da Fundação Padre Anchieta. Eu e o Juliano recebemos um convite da entidade e concordamos com o planejamento do projeto. A emissora não tinha um posicionamento, possuía um custo elevado e uma quantidade limitada de ouvintes. Nós tínhamos uma série de problemas para resolver e a nossa arma foi a ferramenta de colaboração. Começamos com um programa diário, das 20h às 22h. Quem fazia a programação era o ouvinte/internauta do Radar Cultura.

Neste momento, a pessoa indicava músicas, criava playlists. Tudo para produzir conteúdo. A receptividade do público foi muito legal no começo devido ao lançamento. Isso acabou “catapultando” a programação e, em pouco tempo, conquistamos cinco horas de programação, de segunda à sexta, além de duas horas de finais de semana.

O crescimento atraiu pessoas e trouxe trabalho. Criamos um espaço para o indivíduo comum se expressar através da música. Isso preencheu cinco horas diárias. O RadarCultura começou pontualmente como um programa de rádio e hoje funciona como uma plataforma de colaboração.

O acervo de mais de dez mil músicas cadastradas tornou-se um ambiente de pesquisas. Hoje, a estrutura do site causou a integração de vários programas da Rede Cultura. Conteúdo da comunidade se mistura com um conteúdo da Fundação Padre Anchieta. O RadarCultura é focado nas pessoas. Isso trouxe retorno a nós. Nossa iniciativa é pioneira na América Latina. Bandas independentes ganharão espaço. Quem vai definir tudo isso será a comunidade em torno do programa. Nada de lobby, favorecimentos ou editor que hierarquiza músicas.

Foto: Flickr do Avorio, Schröedinger’s Cat.


set 26 2008

Entrevista com Lúcia Malla, bióloga e blogueira do Interney

Tag: entrevistaRafael Sbarai @

Depois de alguns meses pensando e repensando na inserção de entrevistas no De Repente, resolvi propagar.

A partir deste mês, postarei algumas das conversas que realizei durante a dissertação na graduação da Universidade, que envolve temas como Jornalismo, Jornalismo Online, Jornalismo Colaborativo e inserção do cidadão no processo informacional.

Começo, então, com chave de ouro. Lúcia, mais conhecida como Lúcia Malla na blogosfera, conversou comigo e com o Rafa sobre viagens, Coréia do Sul, OhmyNews e, claro, Jornalismo.

[Caso queira ouvir nossa conversa, acesse]

Bióloga e, hoje, blogueira do Interney, mostra a experiência de uma brasileira na Coréia do Sul, próximo à época das transformações do país e mudanças presidenciais com grande interferência do OhmyNews, um dos ambientes virtuais envolvendo a colaboração mais importantes da web.

1 – Qual foi o período que você viveu na Coréia do Sul e como você pode explicar esse caráter cultural digital da população e a interferência do OhmyNews na população?

Morei na Coréia do Sul durante quase três anos. Cheguei ao país em janeiro de 2004 e deixei a região em outubro de 2006. Ah, claro, tudo a trabalho. Durante meu tempo de permanência no continente asiático, constatei algumas coisas.


OhmyNews provocou mudanças políticas na Coréia do Sul”

Logo em primeiro ano na Coréia, percebi que o presidente Roh Moo-hyun foi eleito por uma geração totalmente digital, com instrumentos como ferramentas de blogs, fóruns de discussão e o OhmyNews. Tanto é que sua primeira entrevista como novo chefe de estado foi ao próprio OhmyNews. Isso foi um grande choque com a mídia tradicional da Coréia.

2 – E a questão cultural do coreano. É bem diferente do brasileiro?

Lúcia – Com certeza. Em 2004, eles (os coreanos) já tinham plena noção que todos os atos vistos nas ruas poderiam tornar-se noticias. Tem um episódio bem interessante que aconteceu no metrô e causou grande impacto aos sul-coreanos.

Uma menina estava com um cachorro no metrô e seu animal simplesmente defecou no local. Ela, patricinha, simplesmente não limpou absolutamente nada e um senhor, de mais ou menos 60 anos, se agachou e fez o serviço da garota.

Durante este momento, alguém gravou ou tirou foto de toda situação. Esse vídeo passou por todos os sul-coreanos e a jovem teve que mudar de cidade, nome, pois foi massacrada pela população, que respeita toda aquela questão da hierarquia.

A situação com tecnologia é bem complexa e interessante. Eu e meu marido éramos vistos como extraterrestres por não termos um celular! Trabalhávamos juntos, no mesmo local e por isso não achamos necessário comprar um. Mas todos acharam bem estranho a não-aquisição de um aparelho.

Até um senhor de 90 anos possui um celular e, durante sua passagem no metrô, brinca de jogos. É extremamente espantoso isso. Tudo se faz pela internet, hoje, na Coréia do Sul. O mundo virtual é forte.

3 – Durante esses três anos de passagem na Coréia do Sul, você notou diferenças na imprensa considerada tradicional?

Lúcia – Nenhum jornal é popular na Coréia do Sul. Eles lêem a notícia através de um celular. A notícia não chega mais pelo papel. Tudo por satélite. Olha, o único jornal que vi os sul-coreanos lendo foi o Metro. Este mesmo veículo que existe hoje no Brasil.


Ler notícia no celular é lugar-comum na Coréia do Sul

Mas é uma leitura apenas para durante viagens no metrô mesmo. Jornal de papel é considerado antigo lá.

4 – E o OhmyNews. Existe uma versão impressa?

Lúcia – Olha, existe sim. Mas em três anos nunca vi alguém lendo. Não sou aquela pessoa atenta, de olhar na banca de jornal. Posso estar errada, mas o que eu lembro é só conhecê-lo.

5 – O ingresso digital da população alterou a formatação da mídia impressa?

Lúcia – Hoje, os jornais sul-coreanos possuem aquelas chamadas notas curtas. Nada mais. Você quer ampliar sua leitura é só acessar a internet. E outra. Eles não tem tempo para ler tanta notícia. Isso é culpa da superinformação.

Trabalham, em média, 12 horas por dia. O fato curioso é que nenhum funcionário pode ir embora antes do seu chefe. Por exemplo, caso seu chefe saía às 10 horas da noite, você deve sair depois. Enquanto isso, ocioso, o funcionário acaba navegando na internet, único lazer permitido durante a prática profissional.

5 – A opinião pública sul-coreana é um grande objeto de estudo. O que você pensa sobre a formação do país?

Lúcia – Eu tenho um ponto de vista crítico em relação ao sul-coreanos. Eles pensam muito coletivamente. Não há um espírito individual. É difícil você conhecer alguém com uma opinião diferente. É muito lugar-comum, entende?

O que é lido na mídia torna-se argumento pessoal. A visão coletiva tem que ser sólida e deve permanecer. Tudo isso graças a educação severa, disciplinada e metódica. É engraçado a linearidade deles. Vocês acreditam que todos tiram férias na mesma época?

Logo, há um período impossível de viajar. E tudo sem reclamar. Isso tudo foi um grande choque pra nós (Lúcia e marido). Dos países da Ásia, é o local mais difícil para a permanência do brasileiro.

6 – O espírito coletivo foi ressaltado por você durante a conversa. Essa estrutura é vista na mudança da presidência do país e o OhmyNews foi determinante para reformulações na sociedade?

Lúcia – Sul-coreano adora futuro. Futuro, na época, era o OhmyNews. Então, os sul-coreanos colocaram como objetivo a busca de eleger o primeiro presidente da Era digital. E se orgulham muito por isso.

7 – A intromissão do OhmyNews pode ser considerada uma revolução?

Lúcia – Eu acho que é uma grande revolução. Para a comunicação. O OhmyNews entrou para a história recente da Coréia do Sul.

8 – Como foi a atuação do presidente sul-coreano “eleito” pelo OhmyNews?

Lúcia – Olha eu não acompanhei muito esse período político, mas segundo as tradicionais conversas de trabalho, os sul-coreanos estavam descontentes com a política econômica de Roh Moo-hyun. Tudo era motivo para a criação de um escândalo no país. Até uma cirurgia plástica.

9 – A queda de popularidade do até então presidente Roh Moo-hyun afetou o OhmyNews?

Lúcia – Toda essa geração virtual começou a ser questionada.As pessoas mais velhas, respeitadas por todos os sul-coreanos, colocaram em dúvida o futuro do país com essa população jovem. Mas o resultado da democracia do local já veio.


“Todos colocaram dúvida sobre o futuro do país com Roh Moo-hyun

A eleição do atual presidente (Lee Myung-bak, ex-executivo da Hyundai) confirmou a revolta de parte da população com as pessoas que elegeram Roh. Mas o OhmyNews continua e vai continuar como um sucesso. Sofreu problemas com injeção de dinheiro, mas é ainda bem respeitado.

10 – O OhmyNews é mais importante na Coréia do Sul ou no exterior?

Lúcia – Sinceramente, só ouvi falar do OhmyNews na Coréia do Sul. Antes de viajar para o continente asiático, vivi no Havaí. Lá, pelo menos, nunca tinha ouvido falar dele. Mas isso é uma questão muito pessoal e fragmentada. Depende do interesse de cada pessoa.

Quem gosta e estuda jornalismo, é obrigatório conhecê-lo. Hoje, o OhmyNews tem um retorno, mas sua situação financeira não é agradável. Fizeram até uma escola agora lá (risos).

11 – Chegou ao outro tema de nossa pergunta. A escola de Jornalismo Cidadão. É outro projeto interessante e de aspecto “revolucionário”?

Lúcia – Sabe a escola de funcionários do McDonald´s? Eu vejo isso. Mas de uma forma um pouco mais aberta. Mas é uma iniciativa ao menos engraçada. Eles instalaram uma escola no meio do mato. E levam as pessoas ao local para produção de conteúdo.

Mas você não concorda que pode produzir isso em qualquer lugar? Mas ainda acredita que muita informação esteja em uma rua, por exemplo. O confinamento só prejudica a colaboração.

10 – Mas a criação de uma escola de Jornalismo Cidadão não é uma resposta às faculdades de Jornalismo?

Lúcia – Não sei. Sinceramente nem sei como é o processo de uma faculdade de Comunicação. Quando li a notícia sobre a inauguração da escola de Jornalismo Cidadão. lembrei do McDonald´s. Mas isso é um ponto de vista de quem estudou em Universidade Federal.

Quando estudava, a diversidade cultural e de informação era imensa. Hoje, é diferente. Uma escola de Jornalismo Cidadão está subordinada a algumas coisas.

A liberdade de expressão é fragmentada. Você deve seguir regras. Mas não tenho uma visão de uma escola de Jornalismo. Enfim, a Coréia do Sul é um país curioso. Todos são iguais e quase não há desigualdade. Todos possuem um carro, uma casa, um celular.


set 02 2007

Discussões em torno de Ohmynews

Tag: entrevista,midiaRafael Sbarai @

O Blogcamp mostra, diariamente, sua importância em reunir blogueiros e pessoas do mesmo interesse.

Apesar do evento ter acontecido há uma semana, nós, do De Repente, conseguimos levar algumas discussões para a blogosfera.

E o ponto principal é o Ohmynews, principal site de jornalismo colaborativo no Mundo e sua possível “decadência”.

Ouvimos Lúcia Malla e seu relato, já que viveu na Coréia do Sul (sede desta nova mídia) por três anos.

Agora, é a vez de Semi Shin.

O contato deve-se graças a Roberta Zouain, da Samsung, que também se interessa pelo tema colaborativo e fez um belo trabalho acadêmico na Universidade de São Paulo.

Semi Shin garante que Ohmynews ainda segue como uma potência dentre os meios de comunicação na Coréia do Sul, mas ver perdendo terreno nos últimos anos.

Ele ressalta o número de jornalistas (apenas quatro em período integral) e afirma que Ohmynews é uma mídia representativa e valorizada.

Segue sua resposta (em inglês):

“OhmyNews is still 1st most read site(16.76%, as of today) among 72 internet newspaper service site.

The major reason Ohmynews had great success for several years was they induced positive user participation

such as selection(continuous investment like expense support as well) of citizen journalist,

first introduction of writing system just below the news etc.

But, currently they have 150K visitors per day, almost 25% decrease than last year.

( I am not sure any other statistics..)

Media specialist is saying their declining reason is “maybe”…

- Ohmynews has only 4 full-time jornalist in 2002. They hire over 30 full-time jornalists after

raise of brand awareness and recognition as an media representative in 2003.

From that time, they are not that much care about UCC than before.

So now they changed job positioning of full-time jornalist and more focus on VOC/UCC like before.

We will see if they got back or not.

- We have big portal monopolizing media demand.

We call ‘media ecological damage begin’ from big portal.

It could be one of the reason. Who knows?

This is all I know.

I am very sorry I can’t get statistics like site visit traffic right now.

I hope your friend does good job.”


ago 18 2007

Entrevista com Pierre Lévy e Rogério da Costa

Tag: entrevistaRafael Sbarai @

Nova Seção.

Entrevistas!

A decepção ainda toma conta da expectativa no Simpósio de Comunicação. Até neste momento.

Dois dos integrantes do De Repente foram conversar com o filósofo tunisiano e Rogério da Costa, engenheiro de sistemas e filósofo da PUCSP.

Rogério, atencioso, demonstrou interesse na conversa.

Lévy, estrela, por sua vez, ficou na dele. Estamos impressionados com toda sua boa vontade.

Rafael Sbarai – Explique o conceito de Inteligência Coletiva.

Rogério Costa – Tudo começou com Pierre Lévy. É um novo tipo de pensamento, sustentado é lógico por redes sociais, que se tornam viáveis a partir da abertura das redes na Internet.

Rafael Sbarai – Quais exemplos podem ser citados nesta Inteligência Coletiva? A Wikipedia está entre elas, não?

Rogério Costa – Claro, tudo que for disseminado entre usuários está nesta Inteligência Coletiva. Seu próprio blog, por exemplo. Mas fóruns, comunidades, wikis e tantos outros fazem parte.

Rafael Sbarai – O que podemos esperar de novo na Internet nos próximos anos?

Rogério Costa – A Internet muda paulatinamente. Estes avanços, ao mesmo tempo tolos, como Web 1.0 e Web 2.0 mostram isso. Agora, deve-se apropriar nos próximos anos a tecnologia da Web e o progressivo crescimento de um tipo de espaço físico global.

Fim.

Agora, a hora genial.

Após o final da palestra, uns 15 a 20 adolescentes esperavam por Pierre Lévy. Eu e Victor Hugo estávamos lá para realizar algumas perguntas.

Os outros, por apenas um autógrafo e fotos.

Pensei: que tolos.

O conhecimento deste homem vale mais do que você mostrar um livro com sua assinatura.

O pior. Eles estavam certos.

Em meio aos autógrafos, Victor Hugo realizou apenas uma pergunta.

Victor Hugo – Você falou bastante sobre inteligência coletiva e futuro da comunicação. Como vamos convergir e quais serão as transformações da colaboração de um usuário com a Web Semântica? Teremos mesmo essa transformação?

Pierre Lévy – Oh, Good Idea! (Boa idéia)

Simplesmente isso.

Depois, falou aos adolescentes que insistiam em tirar fotos. “I´m not a pop star” (Eu não sou um pop star).

Este é Pierre Lévy. Gênio, mas prepotente.

Os que pediram apenas autógrafos, fizeram o certo.