Foursquare: 3 milhões de usuários. Mas ainda é para poucos

O Foursquare atingiu neste domingo a marca de 3 milhões de usuários. O registro do site baseado em geolocalização foi alcançado por um usuário dos Estados Unidos – país que detém 60% dos cadastrados no site – e acontece dias após o anúncio do Facebook anunciar o Places, recurso ainda não aberto ao Brasil para concorrer com o serviço.

Criado em março de 2009, o 4sq evoluiu de forma vertiginosa, o que despertou o interesse de possíveis compradores, como o Yahoo. No entanto, o fundador Dennis Crowley nega que esteja interessado em vender o site neste momento. Em julho, a rede passou de 100 milhões de atualizações de dados de entrada de usuários em diferentes locais, conhecido como check-in – o que corresponde a um tweet.

A gritaria virtual foi propagada por blogs especializados na área neste final de semana. E está aquém de serviços do segmento como o Loopt, que possui uma base de mais de 4 milhões de usuários (grande parte concentrado, também, nos EUA).

Até o momento, os valores nem se comparam às gigantes das redes como o Twitter, que já conta com mais de 105 milhões de usuários. O motivo é simples: o uso da rede social necessita na maioria das vezes de um dispositivo móvel, como um celular ou tablet conectado à internet. No Brasil, por exemplo, apenas uma pequena parcela da população tem o recurso.

Os efeitos de uma possível negociação entre buscadores e Foursquare

A publicação britânica The Telegraph destacou na última semana uma possível negociação envolvendo serviços de busca com o Foursquare, rede social baseada em geolocalização. A integração facilitaria a vida dos usuários nas tarefas mais simples, como escolher o bar ou restaurante mais populares da sua região em tempo real. Caso a negociação se concretize, é um grande passo para o nicho publicitário. E uma derrota à privacidade.

Dennis Crowley, fundador da rede social, confirmou ao site a negociação, sem revelar o nome do serviço de buscas. Até o momento, empresas como Microsoft, Google e Yahoo não tiveram sucesso com recursos de geolocalização. E o Foursquare pode ser a solução.

A integração expõe um perigo que, nos próximos meses, terá um impacto maior no cenário brasileiro – o compartilhamento de rotina e dos dados do local onde você está. Enquanto o Facebook quer conhecer as idéias que são compartilhadas e o Twitter anseia saber o que você faz neste momento, o Foursquare quer saber onde você está, em tempo real, direto de um dispositivo móvel (celular ou tablet). Foursquare e seus ‘rivais’ não tão populares Gowalla e Loopt são ferramentas de interação entre pessoas, mas têm um princípio de vigiar e ser vigiado.

Questionado sobre o problema de exposição, Crowley se defende usando o mesmo discurso de Mark Zuckerberg, fundador do Facebook, para destacar a importância da privacidade. “Nós levamos a privacidade muito a sério”, avisa. O argumento pode até ser plausível, mas o Foursquare ainda é uma rede de nicho – possui dois milhões de cadastrados e já possui um recente passado que mostra a periculosidade do serviço.

O Please Rob Me (Por favor, me roube) serviu de alerta aos adeptos do site – utiliza dados produzidos no Foursquare para mostrar que o uso excessivo da rede pode facilitar ainda mais a vida de possíveis ladrões de plantão. A vulnerabilidade do serviço também é questionada.

Em junho, um hacker acessou informações de mais de 870.000 marcações no site – inclusive as configuradas para serem visualizadas apenas por amigos. Por mais que o serviço consista em dar controle aos usuários sobre as informações que eles compartilham, é no mínimo discutível a maneira como as pessoas são estimuladas a participar do site. Resta saber como usuários e o próprio Foursquare irão reagir.

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Foto: MariSheibley.

A entrada do Huffington Post ao Foursquare é ‘mais do mesmo’

Pipocou em blogs especializados em mídia o anúncio do ingresso do Huffington Post ao Foursquare, rede social baseada em recomendações que tem menos de dois milhões de usuários cadastrados. A entrada de um dos canais de informação mais interessantes da web mostra a política ‘mais do mesmo’ das empresas de mídia em uma ferramenta que já foi taxada de ‘novo Twitter‘ por espaços virtuais que cobrem o superficial.

A prática encontrada pelo HuffPost é semelhante aos outros sites noticiosos que já foram destacados aqui, no blog: caso a pessoa que acompanhe Huffington Post no Foursquare e produza um check-in (um tweet na rede) em um dos lugares recomendados pelo site de notícia, receberá automaticamente alertas de informações e dicas hiperlocais, de acordo com a região na qual percorre.

O perfil do HuffPost no Foursquare se junta às propostas de CNN envolvendo Copa do Mundo, Wall Street Journal e Financial Times, esta última a que mais me chamou atenção até o momento – por fugir um pouco do lugar-comum.

O que me preocupa, nessas parcerias, é o anseio midiático em ser pioneiro. Já critiquei em outras oportunidades a supervalorização do serviço, que é menos popular que seu rival Loopt, criado em 2005 e que conta com quase o dobro do número de adeptos do Foursquare (3,4 milhões)

Antes de conhecer, desvendar e aprender sobre a rede, o mais importante – no momento – é se garantir. Mas nem toda garantia pioneira é o mais importante. Não podemos esquecer da limitação de uma rede.

A parceria entre CNN e Foursquare para a Copa do Mundo

Mais um importante veículo acertou uma parceria com o Foursquare, rede social baseada em recomendações que alcançou há poucas semanas 1 milhão de adeptos. Nesta semana, foi a vez da CNN anunciar um acordo durante a disputa da Copa do Mundo, na África do Sul.

O cenário da união entre a rede de TV norte-americana e o Fousquare é o mesmo já visto com outras marcas – e cansativo. Durante o Mundial, CNN oferecerá duas medalhas (badges) aos telespectadores que acompanharem o evento, seja na sede sul-africana ou em qualquer um dos 31 países que disputam a competição.

Locais específicos distribuídos nestas nações já foram mapeados. Para participar da iniciativa, é necessário estar cadastrado no Foursquare e seguir CNN na ferramenta. Além da rede dos EUA, o Foursquare já fez acordos com o diário britânico Financial Times. Neste caso, a estratégia é mais interessante e menos lugar-comum.

O que me preocupa, nessas parcerias, é o anseio midiático em ser pioneiro. Já critiquei em outras oportunidades a supervalorização de pessoas e blogs especializados em torno do serviço. Antes de conhecer, desvendar e aprender sobre a rede, o mais importante – no momento – é se garantir. Mas nem toda garantia pioneira é o mais importante. Não podemos esquecer da limitação de uma rede. Que diga o Second Life.

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Avoidr para evitar seus inimigos no Foursquare

Parte do sucesso do Twitter e Facebook, duas das plataformas sociais mais populares do momento, é atribuído ao fato dos sites terem uma API pública, que permite a construção de programas atrelados a eles. O modelo – antigo na web, apesar da sua popularidade – também é destaque no Foursquare, rede social baseada em recomendações que está próxima de alcançar 1 milhão de adeptos.

A partir de conjuntos de padrões de programação, desenvolvedores lançaram o Avoidr, recurso que permite localizar seus “inimigos” com o objetivo de não encontrá-los nos locais que você pretende passar.

O uso do serviço é simples – a partir da sua lista de contatos do Foursquare, você seleciona a pessoa que não pretende encontrar e o Avoidr avisa automaticamente quais locais da cidade devem ser evitados. Para cada amigo ou seguidor, há a possibilidade de taggeá-lo usando um adjetivo – ou rótulo (até ofensivo).

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Como é a parceria entre Financial Times e Foursquare

foursquare

Blogs especializados em mídia destacaram nesta semana uma parceria ao menos curiosa envolvendo o tradicional Financial Times e o Foursquare, rede social baseada em recomendações que está próxima de alcançar 1 milhão de adeptos.

A ideia, já concretizada, é simples – centros de lazer e cafés próximos às prestigiadas universidades dos Estados Unidos e Inglaterra (Cass Business School, London Business School, London School of Economics and Political Science, Harvard e Columbia) terão senhas de acesso aos conteúdos pagos do Financial Times. Mas nem todos os frequentadores dos locais ganham o benefício.

FT ressalta que os consumidores mais ativos poderão disfrutar dos conteúdos da publicação. Logo, fica evidente o espírito de competição para promover o “check-in” aliado às informações pagas e especializadas do Financial Times.

A estratégia da publicação especializada em negócios é interessante – mostra a diferença entre buscar qualidade e quantidade de novos leitores fiéis. No caso, FT atribui valor à qualidade.

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O uso do Foursquare no Brasil

Trata-se apenas de um excerto, mas vale a pena conhecer os primeiros números sobre o uso do Foursquare no Brasil. Os dados foram divulgados há poucos dias por Maurício Maia, do BuzzVolume. Destaque para o número de postagens nos finais de semana – fato que comprova como o online potencializa o offline e vice-versa. Uma amostra misturar vida social e virtual dá certo.

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Interessante conhecer o ponto de vista de um gerente de uma startup em crescimento e que dá grandes passos em tão pouco tempo. Marilín Gonzalo, da rede de blogs espanhola Hipertextual, disponibilizou um vídeo com Evan Cohen, gerente-geral do Foursquare – ferramenta de recomendações que já foi até citada como ‘novo Twitter’.

Em sete minutos, Evan explica o movimento do site e conta em detalhes parcerias que tornaram-se práticas comuns. Ele comentou um acordo prévio que fez com o New York Times, situação que havia destacado no Twitter: criaram uma ‘medalha’ especial do jornal aos que usam o Foursquare e registram locais em Vancouver, sede dos Jogos Olímpicos de Inverno, recomendados pelo NYT.

Trata-se do velho mecanismo de premiação e, principalmente, incentivo, como caráter motivacional de produção de conteúdo. Situação semelhante ao acordo com a Universidade de Harvard: postura de competição e possibilidade de conhecer novos nichos da instituição.

O vídeo está em inglês, com uma legenda em espanhol.

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Como a Universidade de Harvard usa o Foursquare

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A respeitada Universidade de Harvard começou o ano inovando. Nesta semana, soube da presença da entidade no Foursquare, ferramenta de recomendações que mistura vida social e virtual apontada até como sucessora ao Twitter. Em uma rede social móvel, adotou a postura de competição e possibilidade de conhecer novos nichos de estudo.

O projeto, pioneiro segundo a instituição, permite que estudantes, futuros alunos e ‘visitantes’ conheçam a estrutura da Universidade. Até aí, qualquer serviço integrado a mapa que tenha uma visualiação satélite permite tal recurso. Só que Harvard ingressa ao estudo motivacional para atrair adeptos ao serviço.

A entidade soube usar dos meandros do Foursquare para promover concorrência entre alunos – fazendo com que estes recomendem e conheçam locais de Harvard a partir da rede de contato de amigos. O caráter de incentivo para promover ‘rivalidade’ garante que estudantes conquistem prêmios no Foursquare, como o de ‘mayor’ (curador do local).

Perry Hewitt, diretor de comunicações digitais de Harvard, sintetizou o espírito do uso do serviço:

Harvard vai além de estudantes e salas de aula. A idéia é estabelecer conexões entre conhecidos para buscar novos nichos dentro de uma instituição tão grande. Universidades são espaços para liberar talento e energia. E, para usá-los, nada melhor do conhecê-los por todos os lados.

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Confesso que acompanhei como ‘espreitador’ o exagero midiático envolvendo o que se considera como ‘social location‘ e o uso cada vez mais intenso de plataformas móveis para promover interação entre pessoas. E, em tão pouco tempo, voltou-se a uma discussão que comecei no blog, em julho: o oba-oba em torno do Foursquare e a necessidade de encontrar, sob muitos esforços, um novo Twitter.

Tudo começou, mais uma vez, com o Mashable. No último dia 19, Pete Cashmore elegeu o Foursquare – interessante ferramenta hiperlocal de recomendações – como o mais grande produto inovador para 2010. E, novamente, houve a citação de que o serviço será o ‘novo Twitter’, o que foi motivo da criação do discurso de negociação com o Facebook.

Antes de mais nada, trata-se mesmo de um belo serviço, de nicho, geotaggeado e de grande utilidade a um público que já anda conectado às ruas. Assim como o Loopt. O próprio Vitor Lourenço, brasileiro que trabalha no Twitter, revelou ao blog a importância do Foursquare.

Só que nunca fui fã de uma necessidade desenfreada individual em reinventar e enterrar produtos. Na web, esse movimento só se torna cada vez mais rápido. A velha e boa frase “dê tempo ao tempo” já não vale mais. Foi extinta.

A própria evolução humana e o uso das ferramentas comprovam meu argumento. Em 1989, durante o massacre da Paz Celestial, o “Twitter da vez” era o aparelho de fax, usado por estudantes. Em 1995, “o Twitter das correspondências” era o e-mail. Anos depois, já tinha gente anunciando a morte de um e de outro.

Agora, com a possibilidade “menos Glocal e mais Global” do Foursquare, o prejudicado, até o momento, é o internauta brasileiro, que acaba ingressando a um serviço no qual não tem a menor ideia de usá-lo. Antes de aprender e usar, o mais importante é se garantir: sua presença simplesmente pelo seu círculo social é essencial.

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